A “frente antifascista” não pode ficar só no discurso, é preciso organizar a autodefesa contra a extrema-direita

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A caravana de Lula pelo Sul do país, que aconteceu no mesmo período em que o STF descontentou alguns setores da direita, foi marcada por uma série de atentados de milícias fascistas. Com caminhonetes carregando explosivos e até tiros disparados contra os ônibus da caravana, a extrema-direita colocou a vida do maior líder popular do país sob risco.

Embora parlamentares reacionários, como a senadora Ana Amélia, do partido de Paulo Maluf (PP), tenham dito que foi o “povo” que se manifestou contra a presença de Lula na região, ficou comprovado que a ação foi feita por uma minoria que conserva ligações com a polícia e com a burguesia.

Os ataques à caravana mostraram que a burguesia não está disposta a fazer nenhum “acordo” com a classe trabalhadora. Embora setores golpistas de dentro do PT, como o senador pernambucano Humberto Costa, defendam que seja necessário “virar a página do golpe”, a expulsão de Lula do regime político, bem como a expulsão de qualquer oposição real, já é uma questão fechada para a burguesia. Ou seja, se os golpistas não conseguirem o que querem pelas vias “institucionais”, eles estarão dispostos a ir até as últimas consequências para manter o controle do regime político.

Por isso, o avanço da extrema-direita é algo esperado diante da crise em que o país se encontra. Quanto mais as eleições se aproximarem, quanto maior for a dificuldade de a burguesia conseguir resolver seus problemas dentro do próprio regime, maior vão ser os incentivos às milícias fascistas. Não é uma questão de falta de “educação” ou de “consciência política” dos fascistas: um exército mercenário não pode ser combatido com discursos, e sim pela força.

Diante desse problema, a luta contra o fascismo, isto é, a frente antifascista, não pode ser uma organização voltada para a demagogia eleitoral. A frente antifascista deve ser, sobretudo, uma organização que permita que os trabalhadores se defendam das investidas fascistas e possam reagir à altura.

Por isso, uma frente antifascista só pode ser real, só poderá ser efetivamente combativa, se coexistir junto com comitês de autodefesa, agrupando não somente os deputados fotogênicos que querem ser eleitos, mas sobretudo todos os trabalhadores, sindicalistas e demais setores democráticos, que serão cada vez mais vítimas de perseguição das milícias.