Crise nos EUA
Alegando combater o fascismo de Donald Trump, a frente ampla americana pretende endurecer o regime imperialista.
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Manifestantes pró-Trump invadem o Capitólio americano | Foto: Reprodução
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Manifestantes pró-Trump invadem o Capitólio americano | Foto: Reprodução

A crise política nos Estados Unidos com o pedido de impeachment do republicano Donald Trump é mais uma etapa da crise do império e a agonia do capitalismo. Historicamente a burguesia mundial sempre utilizou de várias manobras fascistas para sustentar o regime em crise. Para manter a hegemonia dos capitalistas está em macha, conforme o Diário Causa Operária já vem denunciando, práticas fascistas para supostamente combater o fascismo. A Frente Ampla, historicamente uma conciliação de classes que no final das contas beneficia a burguesia e prejudica a classe trabalhadora, é mais uma estratégia para manter a hegemonia dessas classes dominantes, usando um alvo como espantalho. O alvo da vez, embora perigoso e tão fascista quanto seus adversários do momento, é Donald Trump, que vem sendo duramente censurado nas redes sociais, concorde-se ou não com suas ideias.

O presidente republicano teve seu impeachment aprovado pela Câmara, mas certamente terminará o mandato, pois, como acontece aqui no Brasil, um sistema bicameral, o processo ainda terá que  ir para o Senado. Todos os 222 deputados democratas votaram a favor do impedimento. Dos 211 republicanos, 10 votaram pelo impeachment e 4 se abstiveram, num placar final de 231 a favor do impeachment contra 197. Incitação à Insurreição foi a acusação contra Trump, após a invasão do Capitólio pelos seus apoiadores, em 6 de janeiro, quando estes  fascistas republicanos protestavam contra a cerimônia de oficialização do democrata eleito Joe Biden,  outro fascista enrustido responsável por várias ações imperialistas nas últimas três décadas da politica americana. A invasão levou à morte 5 cinco pessoas e muitas depredações.

Em comunicado, recuando dos ataques, Trump pediu aos seus apoiadores que não realizassem novas manifestações. “A luz dos relatos de mais manifestações, apelo que não pode haver violência, não haja violação da lei e não haja vandalismo de qualquer tipo¨, disse Trump.

Se o Senado americano aprovar o afastamento, Donald Trump pode vir a perder seus direitos políticos. A 14ª emenda constitucional, um dos artigos do impeachment, proíbe qualquer pessoa que tenha se envolvido em uma insurreição ou rebelião contra os EUA de exercer qualquer cargo. O Senado terá ainda que fazer uma votação separada para julgar perda de direitos e possibilidade de concorrer nas próximas eleições.

Os democratas, tão imperialistas quanto os republicanos, esperam impor essa derrota a Trump e também abrir o precedente  de um presidente americano ser afastado depois de concluir o mandato. Democratas e republicanos estão unidos em prol de um endurecimento do regime imperial, endurecimento esse que Donald Trump não teve competência para aplicar, apesar de todas as maldades.

Se o impeachment de Trump for aprovado, ele será o primeiro na história americana a se efetivar. Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998, também já tiveram pedidos de impeachment aprovados, mas foram absolvidos pelo Senado. Por sua vez, Trump também já fora absolvido pelo Senado em 2019, quando a Câmara aprovou  seu afastamento alegando abuso de poder e obstrução do Congresso. Segundo a oposição, Trump teria  persuadido  o presidente ucraniano – Volodymyr Zelensky- a manipular as eleições de 2020, além de revelar problemas de Hunter Biden, o filho de Joe Biden.

Enfim, essa crise política na maior potência imperialista mundial, mesmo que contra um fascista como Trump, não pode nos levar a aceitar táticas fascistas e manipuladoras como já estamos vendo contra Trump, que está sendo censurado e perseguido pela ala mais poderosa do regime imperialista. Em nome do combate ao extremismo e mentiras de Trump, na verdade vemos apenas o ataque  a uma única pessoa e não ao fascismo. A união de republicanos e democratas a favor do impeachment nos levará a mais censura e endurecimento do regime imperialista.

Há quem defenda que não existe direito absoluto. Que a liberdade de expressão não é absoluta e tem limites. Mas quem poderá julgar o que deve ser dito ou não, o que é absoluto ou não? As plataformas digitais?  Censura-se Trump hoje e quem garante que os socialistas não serão depois? A Frente ampla americana pretende endurecer o regime imperialista e ser mais opressora do que o próprio Trump. É preciso defender a liberdade de expressão para todos, em nome da liberdade, antes que o imperialismo venha endurecer o regime e conter com violência a inevitável insatisfação popular no centro do capitalismo e demais países oprimidos.

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