Ala golpista do PCdoB
Grupo interno do PCdoB gritou “fora Dilma” e agora apoiou Bruno Covas e defende a frente ampla
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A "voz das ruas". | Foto: Reprodução
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A "voz das ruas". | Foto: Reprodução

Quem conhece a história do movimento operário e do movimento socialista do século XX sabe que a principal contribuição da burocracia stalinista foi a profunda política de colaboração de classes. Em nome dessa política, dezenas de revoluções foram traídas e mais centenas de partidos operários foram destruídos pela política direitista que levou adiante o stalinismo.

Hoje há alguns pretensos stalinistas, assumidos ou não, que levantam uma figura mitológica de Stálin como grande combatente. Tudo muito distante da realidade. Stálin e os stalinistas representaram, como bem afirma Leon Trótski, o revisionismo contrarrevolucionário não com a “pena do teórico mas com as botas da GPU”. O stalinismo transformou a máquina política da URSS e dos partidos comunistas no mundo todo em uma grande máquina contrarrevolucionária.

Um caso bastante exemplar do que é o chamado stalinismo é o grupo que hoje se encontra dentro do PCdoB, mas que já atendeu pelo nome de PPL (Partido Pátria Livre) e durante décadas por MR-8 (nos anos 80, herdaram a sigla do grupo guerrilheiro Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e que publicam o tradicional jornal Hora do Povo.

Sabemos que o stalinismo é um fenômeno que de fato não existe mais. É um resultado da política da burocracia soviética que se apoderou daquele Estado e dos partidos comunistas pelo mundo.

Mas há um aspecto no antigo MR-8 que tem tudo de stalinismo que é justamente sua profunda política de conciliação de classes. Não uma mera conciliação, mas uma política de fato integrada à burguesia e à direita. E, nesse caso, é bastante compreensível que estejam dentro do PCdoB agora. Trata-se, se pudéssemos falar em stalinismo verdadeiro, de partidos que representam de fato o que foi o stalinismo: uma política ultra direitista e burocrática.

Um pouco de história

O MR-8 ficou bastante conhecido pelos ativistas nos anos 80, em plena luta pelo fim definitivo da ditadura, por se constituir uma espécie de tropa de choque dos velhos pelegos sindicais. Se colocando contra a formação da CUT, atuavam com violência para defender os pelegos da burocracia sindical contra as oposições que se formavam. Nessa tarefa, agiam junto com o velho PCB e o PCdoB, que tinham a mesma política na época.

Foram contrários também à formação do PT e se mantiveram até os anos 2000 como uma corrente interna do PMDB. No movimento estudantil eram apelidados de “juventude do Quércia”, ex-governador de São Paulo.

Fica claro que a política ultra direitista é a regra do grupo. Alguns podem simplesmente achar estranho, mas podemos dizer que ao menos o grupo tem certa coerência com o que foi o stalinismo, profundamente adaptado à burguesia em todo o mundo.

“Fora Dilma, fora PT”

A coerência direitista do grupo se manteve durante o processo golpista no Brasil. Quando a direita passou à ofensiva contra o governo Dilma, o então PPL (finalmente o grupo tinha saído do PMDB) se colocou prontamente a favor do golpe.

Adotou a palavra de ordem de Fora Dilma e partiu para corroborar a propaganda da direita e da imprensa golpista de que havia manifestações populares contra o PT. Na edição de 18 a 19 de março de 2015, o Hora do Povo acusava o PT de estelionato eleitoral e afirmava em letras garrafais: “Ruas dão o recado: fora Dilma!” Além de defender a queda de Dilma, afirmar, junto com Aécio Neves e cia. que as eleições de 2014 foram um estelionato, o grupo defendia que os coxinhas de classe média que saíram nas ruas, convocados pela Rede Globo, eram o povo. Esse “povo”, não há mais dúvida, são os bolsonaristas de hoje. Colocado desse jeito, fica claro de que povo se tratava.

Já na edição de 18 a 22 de setembro de 2015, o Hora do Povo dizia em sua manchete que “Golpismo é Dilma querer se manter no poder contra a vontade do povo”. Aqui vemos uma versão mais radical do que falavam inclusive alguns setores da esquerda pequeno-burguesa, de que a luta contra o golpe era na verdade um golpe do PT para se manter no governo.

Para quem não conhece a fundo o próprio PCdoB, o ingresso de um partido golpista pode causar estranheza, mas não é isso. Apenas fica claro que o PCdoB não tem nenhum interesse na luta contra o golpe, mas é simplesmente movido por interesses oportunistas. É como andam dizendo sobre a frente ampla: “todos são bem-vindos”.

Frente ampla, continuidade da política golpista

A política direitista do antigo PPL é bastante clara e coerente com sua defesa atual da frente ampla.

Sem deixar de sublinhar que o grupo ingressou no PCdoB, ele dividiu o partido e chamou apoio a Bruno Covas no segundo turno das eleições municipais deste ano. Comemoraram a eleição do tucano como grande vitória da frente ampla. Saudaram também a vitória de Eduardo Paes, do DEM, com o mesmo argumento.

A política mais clara permite saber que o conteúdo político da frente ampla é a continuidade do golpe. É disso que se trata quando a esquerda, como Guilherme Boulos, Marcelo Freixo, Flávio Dino, senta-se ao lado da direita para defender uma frente ampla contra Bolsonaro. Na realidade, estão apenas servindo como instrumentos esquerdistas da continuidade do golpe. Afinal, o PPL não nos deixa esquecer que os que disseram “Fora Dilma”, que colocaram a extrema-direita bolsonarista nas ruas e efetivamente deram o golpe foram o PSDB, o DEM, o MDB, os que agora se apresentam como oposição a Bolsonaro.

Capa do jornal Hora do Povo comemorando a vitória da direita nas eleições municipais

Contra a independência de classe

A colaboração de classes se transformou em aliança prática com a direita do regime político. A entrada do grupo no PCdoB é também bastante significativa. O PCdoB é nesse momento o maior defensor da política de frente ampla, ou seja, de aliança com a direita.

Embora o PCdoB tenha, pelo seu oportunismo, se coligado com o PT, se distanciando ao menos formalmente da direita, os dois grupos, PCdoB e antigo PPL, têm uma proximidade histórica. Estiveram juntos como tropa de choque para defender os pelegos da ditadura nos sindicatos e atacar os setores cutistas. Agora, com a ofensiva golpista, eles voltam a se unir também contra qualquer iniciativa independente da esquerda.

Esses stalinistas se esforçaram para impedir que a classe operária se desenvolvesse de maneira independente da burguesia na luta contra a ditadura nos anos 80. Agora, na luta contra o golpe, procuram colocar a esquerda à reboque da direita.

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