Política de traição
Ataques aos trabalhadores, indisciplina partidária, oportunismo e uma série de aspectos grotescos da política pequeno-burguesa marcam a trajetória de Erundina
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
erundina-darcy-ribbeiro-paulo-freire
Dois ilustres pensadores ligados à educação e uma notória repressora dos trabalhadores na esquerda | Foto: Reprodução/Twitter

A foto acima vem percorrendo as redes sociais como parte da propaganda do PSOL e mostra a então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, com Darcy Ribeiro e Paulo Freire. Os dois últimos têm suas histórias marcadas por contribuições na área da educação. Já Erundina, ao contrário do que a foto induz, não tem contribuição alguma com este campo, tendo como grande legado a repressão aos trabalhadores, o troca-troca partidário e uma série de alianças com notórios inimigos da classe trabalhadora.

O que a propaganda (impulsionadora da foto) busca apagar é a atuação de Erundina no esmagamento da greve operária realizada pelos trabalhadores da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), resultando na demissão de 475 motoristas e cobradores, além de abrir caminho para a privatização do transporte  público na capital paulista, o que ocorreria no governo de Paulo Maluf, com a extinção da CMTC e criação da SPTrans.

Em reportagem da época, a insuspeita Folha de  S.Paulo referiu-se à “melhor prefeita de São Paulo” (segundo Boulos, é claro) como “intransigente” contra os trabalhadores, antecipando ainda que Erundina iria “recorrer na Justiça contra o reajuste concedido pelo TRT.”

A perseguição da então prefeita incluiria a convocação da PM  para ocupar a garagem da CMTC em Jabaquara e reprimir os operários da companhia, revoltados após 9 dias de greve sem a reposição salarial  pretendida de 89,49% (a inflação oficial medida pelo IPC da época apontava 1.119,10 % entre dezembro de 1991 a dezembro de 1992).

Por fim, em plena crise da era Collor marcada pela hiperinflação e um desemprego astronômico, Erundina contratava trabalhadores desesperados para furar a greve da CMTC. Vale destacar que abril de 1992, um mês antes da greve, permaneceria até 2015 como o mês em que mais postos de trabalho foram fechados no País: 63.175.

Profundamente desmoralizada ao término de sua gestão, Erundina optou por sair do PT, partido que a elegera prefeita, para ganhar um cargo no governo de Itamar Franco (1992-1994), recém empossado Presidente da República após a queda de Collor. A burguesia buscava então construir um governo de frente popular para apaziguar as mobilizações pelo Fora Collor que tomaram o País, valendo-se para tal da própria ex-prefeita.

Pressionado pelas massas insatisfeitas com o receituário neoliberal, que dava na época seus primeiros passos no Brasil, o PT optou por fazer oposição institucional ao governo Itamar. Erundina, por sua vez, aceitou fazer o jogo da burguesia, o que levou o partido a publicar uma nota acusando a ex-prefeita de indisciplina partidária e desrespeito à decisão do partido.

“Você tem que ter cara, tem que ter lado, tem que ter oposição, não pode se misturar com os seus inimigos”

A frase acima foi proferida por Erundina em entrevista à revista burguesa Exame (“Erundina: Problema do PT foi governar com uma base de A a Z”, Exame, 26/09/2016).  Na ocasião, a ex-prefeita disputava novamente as eleições municipais de São Paulo, já pelo PSOL, e como todos os oportunistas à época, cobrava do PT a necessidade de “fazer autocrítica”. Isso por que, “não é possível ter acordo entre pessoas divergentes e antagônicas nos seus interesses”.

A declaração é muito curiosa, especialmente vindo de quem traiu o partido que a fez prefeita para se misturar com Itamar Franco, indo posteriormente para o PSB, onde teve como colega ninguém menos que Márcio França, vice de Alckmin no período em que o tucano fora governador de São Paulo.

Hoje candidata a vice-prefeita na chapa do PSOL encabeçada por Guilherme Boulos, a verdade sobre o governo de Luiza Erundina é frequentemente apagada, dando lugar ao tradicional “primeira mulher prefeita da cidade de São Paulo”, entre outros elementos típicos da demagogia identitária, muito presentes na política da esquerda pequeno-burguesa.

Com um histórico marcado por traições, não é surpresa que em 2020, Erundina apresente-se em uma chapa dedicada a articular uma frente ampla, que não tem outro objetivo mas realizar ataques ainda mais severos contra os trabalhadores e o amplo conjunto da população, recorrendo para isso aos setores mais oportunistas da esquerda, de modo a confundir a classe trabalhadora.

Ainda que a propaganda se esforce para apresentar a atual filiada do PSOL como promotora de uma “Revolução Cidadã”, a classe trabalhadora deve lembrar tais fatos para compreender o papel desempenhado por Erundina hoje, em grande medida, o mesmo desde a década de 1990. Enganar e confundir os trabalhadores para abrir caminho aos piores ataques vindos de seus inimigos de morte: a burguesia.

Eufemismos vazios de uma política concreta, a demagogia identitária, todos os elementos tradicionais de uma política inescrupulosa  e descompromissada com as massas trabalhadoras estão sendo explorados para esconder o real alinhamento político de Erundina, presente de maneira concreta na brutalidade com que esmagou greves. Em aliança com a burguesia na campanha golpista, repetiu a ladainha de que o governo Dilma era indefensável (“não há como defendê-lo” foram as palavras exatas). O mesmo posicionamento vale para Erundina pelos trabalhadores. Não há como defendê-la.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas