Aumento da exploração
Governo do Pará inclui categoria como um serviço essencial, obrigando as mulheres a trabalharem em pleno pico da pandemia
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
domestica
Doméstica | Foto: Universo Produção

Com o avanço no número de contágios e óbitos causados pelo novo coronavírus, vários estados e municípios do país começam a endurecer as medidas restritivas de isolamento social e passaram a decretar o chamado “lockdown”, uma espécie de estado de sítio.

Como o Diário Causa Operária vem denunciando reiteradas vezes, o “lockdown” não deixa de ser uma espécie de estado de sítio, pois permite o controle e a repressão do estado, através da polícia, da população de uma maneira totalmente antidemocrática.

No estado do Pará, o “lockdown” começou a  no dia 7 do mês de maio. Previsto para durar 10 dias, foi prorrogado por mais uma semana e terminou no último domingo (24). As medidas vigoraram na capital, Belém, e mais nove municípios. Segundo a determinação, apenas serviços essenciais, como saúde e alimentação, poderiam seguir em funcionamento.

No entanto, estranhamente, o trabalho das empregadas domésticas foi incluído na categoria de serviços essenciais. A justificativa, segundo o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB) é a de que “tem pessoas que precisam, pela necessidade de trabalho essencial, ter alguém em casa. Uma médica ou um médico, por exemplo, precisam de alguém que ajude em casa”. Esse é mais um dos tantos exemplos que denunciam que as medidas de distanciamento social, sejam elas mais ou menos restritivas, beneficiam apenas as classes mais privilegiadas. O pobre trabalhador é obrigado a continuar sua lida diária, completamente exposto ao vírus, no trabalho, no transporte público e nas comunidades onde vivem, sem ter direito a nenhuma proteção por parte do estado.

Em reportagem da página Alma Preta da internet, filhas de empregadas domésticas denunciam o drama que suas mães, obrigadas a trabalharem em casas de família, têm vivido durante pandemia.

Uma estudante relata que a mãe, idosa de 65 anos, vai a pé para o trabalho para evitar a exposição ao coronavírus dentro dos ônibus. “Como ela não tem carteira assinada, é muito difícil cobrar que os direitos sejam respeitados. Me sinto de mãos atadas, e contava com esse decreto para que ela estivesse respaldada para não retornar”, desabafa.

Outra relata que a mãe está trabalhando em uma casa em que vários moradores estão em quarentena por suspeita de Covid-19. “A primeira a ficar doente foi a neta do patrão que teve contato com uma pessoa confirmada, no trabalho. Depois foi a mãe dela e a filha, e por último, o patrão. Eu perguntei como ela está se sentindo, disse que sentiu uma febre à noite mediana e está tossindo muito. Confesso que estou preocupada”. 

Sem o investimento federal e estadual necessário para conter a pandemia que se alastra descontroladamente não só no estado do Pará, mas em todo o território nacional, o sistema de saúde já começa a colapsar diante da crise e os governadores estaduais lançam mão de medidas autoritárias contra o povo que continua sendo obrigado a trabalhar.

Não providenciam pessoal e materiais médicos para atender a população: não há número suficiente de leitos, nem nos ambulatórios e muito menos nas UTIs, não há respiradores, não há materiais de proteção adequados nem mesmo para os profissionais de saúde que continuam se contaminando, adoecendo e morrendo e não há testes. O Brasil é um dos países que menos testa seus cidadãos. Entre os 27 países que contavam com mais de 20 mil casos confirmados de contaminação no dia 10 de maio, o Brasil ocupava o 24º lugar, com 1597 testes por milhão de habitantes, ficando na frente apenas do Paquistão, Índia e México (https://ciis.fmrp.usp.br/covid19/analise-brasil-e-mundo-testes/).

Como sempre, em momentos de crise, no sistema capitalista, quem “paga o pato” é a classe trabalhadora pobre. 

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas