Não existe vacina para o povo
A classe trabalhadora não vai ser vacinada, vai continuar morrendo de coronavírus, de brinde será culpada pelas mortes e reprimida ao recusar a vacina imposta pela direita
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Dória busca projeção eleitoral para 2022 | Foto: reprodução
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Dória busca projeção eleitoral para 2022 | Foto: reprodução

No último domingo (17), teve início no país, com o aval da burguesia, a guerra na corrida pela vacina protagonizadas por João Dória (PSDB) e por Bolsonaro, com a primeira batalha vencida pela direita tradicional, que, como vimos montou um circo em torno do que seria a primeira aplicação da vacina no país. Muito mais que um circo, a vacinação contra o coronavírus no Brasil é uma grande farsa que tem um objetivo puramente eleitoral, qualquer preocupação com o povo passa muito longe aqui, e em menos de uma semana depois do espetáculo montado pela direita a farsa já pode ser vista.

A primeira vacinação que foi realizada pelo Estado de São Paulo foi uma grande exibição para medir forças e contou até mesmo com o ponto fraco da esquerda pequeno-burguesa: demagogia com negros e mulheres com a paciente “negra, mulher e enfermeira”. Além de contar com a presença do próprio Doria, o mesmo que já matou 50 mil pessoas em São Paulo só com a pandemia e que mata outros milhares ano após ano por outras tantas razões que não o coronavírus, graças a sua política direitista de ataque aos direitos do povo que vão desde cortes de investimentos na ciência até despejos de famílias trabalhadoras, tudo isto em plena pandemia.

Tão logo o primeiro espetáculo da vacinação foi realizado em São Paulo, passou a ser copiado por vários outros políticos burgueses, de governadores a prefeitos em todos os estados do país, quase todos copiando o mesmo espetáculo iniciado por Doria em São Paulo. O grande espetáculo nacional no entanto tem se revelado um verdadeiro show de horrores.

Só em Pernambuco, por exemplo, o prefeito direitista da capital, João Campos (PSB), saiu prometendo vacinação para 165 mil pessoas e já diminuiu o número para 33mil (5x menos); na cidade de São José do Egito, o secretário de Saúde aproveitou as poucas doses disponibilizadas para a cidade para garantir a sua própria imunização em um município com 34 mil habitantes e vacinas para apenas 270 pessoas.

Na própria “pioneira” da vacinação, São Paulo, a situação é bastante precária. Doria, em dezembro do ano passado (2020) se dizia “perplexo” com o plano do Ministério da Saúde de iniciar a vacinação apenas em março e na mesma ocasião prometeu a vacinação em SP para janeiro de 2021. As promessas de datas de vacinação foram modificadas por Doria diversas vezes: a vacinação que iria começar em 25 de janeiro para a população indígena e 8 de fevereiro para idosos com mais de 75 anos está suspensa e sem data para ser retomada. No momento, a vacinação está restrita a profissionais da saúde, parte numericamente muito baixa da população em relação ao “plano” de imunizar 9 milhões de pessoas até março em São Paulo.

Menos de 24 horas após o lançamento de uma plataforma online de inscritos para a vacinação no estado, 500 mil pessoas já haviam se inscrito, o que nesse ritmo dará ao menos 7 milhões de inscritos até o final de janeiro, quantidade que evidentemente o Estado burguês não é capaz de garantir tão rápido. Esta é enfim a razão das mudanças nos planos de vacinação, nas datas, nos grupos prioritários, etc.: a incapacidade e a falta de vontade de garantir a vacina para todos.

A verdade é que a vacinação no país não existe, é uma grande farsa montada pela direita tão somente em nome da podre corrida eleitoral que se estabeleceu no interior da burguesia entre a extrema-direita e a direita tradicional, para tentar garantir ao impopular Dória uma chance de projeção eleitoral para 2022 contra Bolsonaro.

Dória, Bolsonaro e a direita de conjunto não querem vacinar a população, todo o circo com a vacinação não passa de uma encenação, uma farsa, porque na verdade não existe vacina para todos nem existirá, assim como não há insumos, agulhas, seringas, profissionais, a própria vacina é ineficiente com míseros 50,38% de segurança, não existe sequer interesse de imunizar a população. A burguesia não se importa com os trabalhadores morrendo de corona vírus, prova disto é que mais de 210 mil pessoas já morreram graças ao desprezo da direita, tendo em vista que diversos países normalizaram a situação mesmo sem vacina tomando as medidas necessárias, que nunca foram adotadas por nenhum chefe do executivo no Brasil.

Mesmo antes da vacinação ter início, quando sequer sabiam qual vacina seria usada o povo já foi obrigado a se vacinar mesmo contra sua vontade, atitude para dizer no mínimo antidemocrática, além disso os que se recusarem a tomar sofrerão diversas sanções, inclusive serem demitidos por justa causa. Ou seja, uma série de violações a direitos fundamentais que estão sendo operadas em nome da vacina que não existe, para o interesse dos patrões e da burguesia.

O que só deixa mais claro como a campanha da vacina é farsesca, assim como o “fique em casa” era uma farsa e só serviu para impor sanções, reprimir e retirar direitos do povo em meio à pandemia que com o fique em casa matou milhares de pessoas. A população, a classe trabalhadora não vai ser vacinada, a vacina em si sequer é eficiente, o povo vai continuar morrendo aos montes de coronavírus e de brinde o povo também será culpado por estas mortes e duramente reprimidos se expressarem recusa pela vacina — leia-se recusa à determinação da direita.

A única forma de a vacina ou qualquer outra medida contra a pandemia ser eficaz para o povo é vindo da própria iniciativa popular, é a classe trabalhadora que deve escolher qual e como a vacina deve ser utilizada, assim como deve ser a responsável por escolher qualquer outra coisa que diga respeito a si. Enquanto estiver nas mãos da burguesia impor sua vontade aos trabalhadores a pandemia continuará sendo usada para matar o povo.

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