Rumo a 2022
Ao insistir na política de conciliação com a direita golpista, a esquerda parlamentar acabou sozinha, dado que a direita passou para o apoio a Bolsonaro
(São Paulo - SP, 12/08/2020) O presidente Jair Bolsonaro e o ex presidente Michel Temer na  Solenidade alusiva à partida da comitiva brasileira em Missão Especial a Beirute Foto: Alan Santos/PR
Temer e Bolsonaro na solenidade alusiva à missão brasileira em Beirute. São Paulo, 12/08/2020 | Foto: Alan Santos/PR
(São Paulo - SP, 12/08/2020) O presidente Jair Bolsonaro e o ex presidente Michel Temer na  Solenidade alusiva à partida da comitiva brasileira em Missão Especial a Beirute Foto: Alan Santos/PR
Temer e Bolsonaro na solenidade alusiva à missão brasileira em Beirute. São Paulo, 12/08/2020 | Foto: Alan Santos/PR

Os desdobramentos das eleições do Congresso, ocorridas no último dia 1º, mostraram que o conjunto da esquerda parlamentar não tem um direcionamento político claro. Eles não sabem exatamente o que estão fazendo, sua política não tem um fundamento na realidade, mas sim na esperança de que as coisas melhorem e também na ilusão. Quer dizer, quando não se consegue estabelecer uma política baseada na realidade, quando não consegue fazer avançar de nenhuma maneira os fatos, então se recorre às ilusões.

O interessante é que esta posição foi apresentada pela esquerda parlamentar como sendo o cúmulo do realismo político. Vale lembrar que na semana passada, antes do desfecho da disputa nas eleições do Congresso, falou-se que o apoio à direita golpista era algo realista, porque não adiantava nada “marcar posição”, mas sim que seria preciso “ganhar coisas concretas”. Agora, estes setores da esquerda deveriam explicar porque eles não ganharam nada de concreto e ficara numa situação de profunda desmoralização diante do completo fracasso político.

Neste sentido, o resultado das eleições no Congresso, sobretudo na Câmara, é uma chave fundamental para quem queira efetivamente entender a situação política. Por isso temos assinalado que a chamada frente ampla é uma pura fantasia, dado que a maior parte dos partidos burgueses, se não a sua totalidade, não apoiará nenhuma alternativa a Bolsonaro que não seja igualmente ruim como ele. Por exemplo, apoiaria um elemento como o governador fascista de São Paulo, o tucano João Doria (PSDB), que é tão direitista, tão repressor, quanto Bolsonaro, e muito mais agressivo na política de destruição da economia nacional e destruição das condições de vida dos trabalhadores. Mas apoiar um candidato pela democracia, ou qualquer uma destas fantasias, nunca esteve colocado.

Foi assim que a esquerda montou uma frente com esse setor da burguesia, que precisava impedir Bolsonaro de controlar o Congresso e na “hora H” a burguesia toda abandonou essa frente e foi para o lado de Bolsonaro. E só quem apoiou o candidato da direita foi a esquerda. Ou seja, a chamada frente com a “direita democrática”, a “direita civilizatória”, é uma pura fantasia, uma frente com ninguém, na realidade, dado que a esmagadora maioria dos partidos de direita, apesar do discurso contra o Bolsonaro, o apoia.

Outra prova disso é que um dos principais articuladores do golpe de Estado de 2016, Michel Temer, um dos chefes do MDB, junto com seu pupilo, Baleia Rossi, que fora derrotado na eleição pelo candidato de Bolsonaro, Arthur Lira (PP), também estão no governo Bolsonaro. O DEM, de ACM Neto, integrou-se na frente com Bolsonaro e declarou que não se pode descartar apoiar o atual presidente ilegítimo à reeleição em 2022. Logo, salvo algum engano ou uma ocorrência muito inesperada, irão apoiar Bolsonaro novamente nas próximas eleições presidenciais. Um setor da burguesia ainda procura estabelecer uma candidatura, mas a maior parte dos partidos burgueses, neste momento, está com o Bolsonaro.

Ou seja, após uma vitória acachapante de Bolsonaro sobre a frente ampla – na qual obteve uma maioria ampla de votos, venceu no 1º turno e com mais que o dobro dos votos do principal adversário (Baleia Rossi) – comprova-se que a maioria dos políticos da burguesia está agrupada em torno do presidente ilegítimo, indicando que as eleições de 2022 serão como as de 2018, em que a burguesia, na falta de um candidato competitivo da direita tradicional, unificou-se em torno de Bolsonaro para derrotar a população, que queria o retorno do ex-presidente Lula.

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