Melhora esconde realidade
Uma política genocida de sacrifício de milhões de trabalhadores, para salvar o lucro da burguesia, divulga uma falsa melhora na pandemia.
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coronavirus
Internação em hospital de São Paulo resultante da pandemia do coronavírus. | Foto: Reuters/Amanda Perobelli

Em toda a sua grande maioria, a imprensa burguesa vem lançando aos quatro ventos a notícia de que, após oito dias seguidos de queda, a média diária de mortes pela covid-19 se estabilizou em todo o estado de São Paulo. E que, com 157 mortes, é ainda menor a média móvel registrada, do que os 200 marcados no ponto mais alto da pandemia, onde o Estado estacionou por 3 meses, muito embora com um registro de aumento no total de pacientes internados de 8.848 em UTIs, contra os 8.177 anteriores.

A Secretaria Estadual de Saúde divulgou, ainda, na terça-feira (6), o registro de 270 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, somando ao todo 36.490 óbitos desde o início da pandemia, além de 6.260 novos casos confirmados de contágio, do total de 1.010.839 alcançado no Estado.

Mas as informações não levam em conta o atraso da contabilização, no repasse das informações, principalmente do fim de semana. E isso, sem falar das subnotificações, e os casos não contabilizados que não puderam ser registrados por falta de condições sanitárias,  de EPIs, e demais aparatos para proteger da contaminação o profissional, ou mesmo a falta dele, o profissional, também em baixa, o que,  inevitavelmente, faria subir as médias registradas, revelando uma quadro grave como sempre foi, durante todo esse tempo, e que, infelizmente, não pôde ser debelado por falta de uma política melhor de controle.

 A variação de -11% registrada contra o percentual de 14 dias atrás indicando estabilidade, não é confiável para justificar um tendência da pandemia de queda na média móvel diária de mortes. Nem tão pouco o é, a de 4.474 casos  registrados nesta terça (6), já que não há, para todos os casos, o exame necessário, tanto do tipo rápido, que verifica apenas a presença de anticorpos e aponta para infecção passada, quanto o que analisa a presença do vírus no organismo no momento do teste – o chamado exame RT-PCR.

Na semana entre os dias 27 de setembro e 3 de outubro ocorreu um crescimento de 3,3% nas internações.

Mesmo as ocorrências das últimas semanas de setembro, e que marcaram 7.876 contra 8.136  desse início de outubro, de novas internações de pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus em todo o estado de São Paulo, e que sugerem um aumento de 3,3%, e média móvel de 1.125 para 1.162 internações por dia, também não merecem credibilidade, sendo, com toda certeza, um número muito maior, e que é maquiado para esconder a crise que, em momento algum teve alguma melhora, simplesmente por não haver qualquer mudança na política do tratamento implementada desde o início.

O registro de uma melhora, é, no fundo, querer ratificar a ideia de uma política favorável à imunidade de rebanho, o que seria um contra-senso do governo do Estado de São Paulo, já que sempre foi contrário ao governo federal. Apesar de que, não passa disso mesmo, uma tentativa de ratificação da ideia de imunidade de rebanho, uma vez que não se fez nada que justifique a melhora, pelo contrário. 

Essa declaração de que há uma melhora, não obstante uma aparente e discreta piora, não representa a verdade dos fatos, apesar de ser a oficial, e a que tem sido veiculada. Exemplo disso é o comentário do secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, na coletiva desta segunda (5), vejamos:

“Tivemos um discreto incremento hoje do número de internações em 3%. Isso ainda não traz realmente as claras o que pode ter acontecido. Vamos aguardar nos próximos dias ver se isso passa a ter impactos maiores tanto nas internações nos próximos dias e de outros índices”.

Essas declarações só nos revelam a direção da política utilizada, e que bem representa o tipo de controle que pretende demonstrar o governo do Estado. Um tipo demagógico, e imune às dificuldades sofridas pelas famílias sacrificadas, e que perderam seus membros mortos pelo Covid-19, por falta de um  enfrentamento sério e que denote o necessário respeito com os milhões de trabalhadores que enfrentam a rotina de trabalho sem a assistência digna que lhe assegure segurança nos transportes públicos, no trabalho, ou mesmo nos hospitais e postos de saúde, quando de suas acolhidas pelo contágio e contaminação da doença.

Ainda que se tenha apresentado uma distinção entre o governo Estadual e o Federal no que toca à política de enfrentamento, quando o governador Dória se mostrou defensor da ciência e do bom senso muito mais do que Bolsonaro, no final tudo não passou de pura demagogia que não deixava de ser mais uma cortina de fumaça para cobrir a realidade: a conivência com as empresas e o capital, todos ávidos pelo lucro e a abertura da economia, não importando o quanto isso traga de novas mortes.  

É preciso que isso fique bem claro, e que as verdadeiras intenções por trás de toda essa falsa melhora seja denunciada, pois revela uma política genocida, que pretende justificar a reabertura do comércio e da economia, inclusive das escolas, e toda a circulação de dinheiro que ela geral para o mercado.

A esquerda deve denunciar essa farsa, e manifestar todo o seu repúdio à ela organizando uma ampla mobilização do povo contra essa política, pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas, e barrar a determinação de sacrificar, com a morte em massa, milhões de trabalhadores que estão sendo deixados à sua própria sorte sem nenhum amparo.

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