Invasão do Congresso
Nos últimos anos, dezenas e dezenas de conspirações organizadas pelo imperialismo na América Latina foram completamente ignoradas
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Manifestantes invadem Congresso | Foto: WIN MCNAMEE/GETTY IMAGES/AFP

Os meses de dezembro e janeiro costumam ser bastante “mornos” no que diz respeito à situação política nacional e internacional. No entanto, na medida em que a crise do capitalismo se aprofunda, essa regra vem sendo sistematicamente quebrada. Em 2020, o ano começou com uma enorme crise entre o imperialismo norte-americano e o Irã, após o assassinato do general Qasem Soleimani. Já em 2021, os Estados Unidos testemunharam a primeira tentativa de invasão de seu próprio Congresso em toda a história.

A invasão em si, ocorrida em meio a uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas em apoio ao presidente de extrema-direita Donald Trump, é um evento importante, uma demonstração da falência total das instituições do país mais importante do mundo. No entanto, tem chamado particularmente a atenção que, para a esquerda pequeno-burguesa brasileira, o acontecimento teria sido uma tentativa de golpe.

Não houve tentativa de golpe alguma, mas, na verdade, uma manifestação de um setor que se sente, justamente, golpeado pelo próprio regime político. Embora Donald Trump seja um fascista, é inegável que sua base social é mais ampla que a de qualquer outro político do Partido Democrata ou do Partido Republicano. Neste momento, talvez Bernie Sanders seja o único que teria condições de estabelecer uma base mais ampla, mas, diante de suas capitulações para a campanha suja e fraudulenta do imperialismo, acabou sendo esmagado pelos setores mais direitistas do Partido Democrata.

Por esses dados, em si, já fica comprovada a fraude que foram as eleições norte-americanas. As figuras com maior popularidade são aquelas que se opõem, em alguma medida, ao regime político: o socialdemocrata Bernie Sanders e o fascista Donald Trump. No entanto, quem venceu a disputa foi um candidato sem popularidade alguma: o candidato do regime político: Joe Biden. Não bastasse o resultado, os métodos todos da eleição foram escancaradamente fraudulentos: voto pelos correios, censura à candidatura de Trump, corrupção de setores do Partido Democrata contra a candidatura de Sanders, investimento pesado de todo o mercado financeiro a favor de Biden etc.

Se a eleição foi fraudulenta, nada poderia haver de mais legítimo do que a manifestação contra o regime. O papel da esquerda, neste sentido, não deveria ser o de defender o Congresso que foi invadido pela extrema-direita. Mas sim o de sair também às ruas ara denunciar que as eleições não representam em absolutamente nada a luta radical do povo norte-americano contra o regime, vista de maneira maus explícita após a morte de George Floyd.

Mas, como sempre, a esquerda pequeno-burguesa não tem iniciativa política alguma. E, como não tem iniciativa própria, acaba sempre ficando a reboque da política do imperialismo. Quem afirma que uma manifestação contra as podres eleições norte-americanas de 2020 é uma tentativa de golpe, ainda mais sem sequer propor varrer a extrema-direita das ruas pela mobilização, está, inevitavelmente, defendendo as instituições do imperialismo. Trata-se, portanto, de uma espécie de “procuração” da esquerda pequeno-burguesa ao imperialismo: na ausência de um programa que represente a luta do povo, a esquerda entrega nas mãos da burguesia imperialista as rédeas da situação política.

O que chama ainda mais a atenção é que os mesmos setores que clamam por uma intervenção imperialista contra um golpe que não existe também se calaram e ainda se calam diante de dezenas de outros golpes pelo mundo. A esquerda brasileira demorou anos para admitir que havia um golpe em curso. Até hoje, há setores, como o PSTU, que insistem que não houve golpe em 2016. Em 2018, quando ocorre uma situação semelhante à dos Estados Unidos, a esquerda pequeno-burguesa de conjunto entrou na campanha eleitoral de Fernando Haddad e legitimou a fraude que levou Bolsonaro ao poder. Tanto é assim que a esquerda pequeno-burguesa se recusa a organizar uma campanha pela derrubada do presidente ilegítimo.

Na Venezuela, país vizinho, a situação é a mesma. Parte significativa da esquerda brasileira segue a Folha de S.Paulo e chama o presidente Nicolás Maduro de “ditador”. Enquanto isso, o imperialismo vai conspirando dia após dia contra o povo venezuelano para conseguir colocar as mãos em seu petróleo. Na Bielorrússia, na Turquia, na Nicarágua e em tantos outros países. a situação se mantém.

Esse apoio incondicional à política do imperialismo, seja denunciando “golpes” que afetem as instituições controladas pela burguesia, seja calando-se para as conspirações dos Estados Unidos contra todos os povos do mundo, mostra que a esquerda, diante do aprofundamento da crise econômica, está cada vez mais atrelada ao imperialismo.

Na medida em que a crise aumenta, a classe operária e a burguesia imperialista vão cada vez mais tomando consciência de seus interesses, e suas fronteiras vão ficando cada vez mais definidas. Como a pequena burguesia é incapaz de ter um programa próprio, acaba sendo arrastada para as posições reacionárias e criminosas do imperialismo.

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