Nos EUA e no Brasil
Posição da esquerda diante da invasão pela extrema-direita do Congresso dos EUA mostra que está totalmente à reboque do imperialismo
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A extrema-direita se apresenta como antissistema, enquanto a esquerda como pró-sistema | Foto: Elvert Barnes

A invasão do Congresso dos EUA por apoiadores do presidente fascista Donald Trump, na última quarta-feira (06), foi vista com grande preocupação pela burguesia norte-americana, a mais poderosa do regime imperialista. Consequentemente, todo o aparato do imperialismo ligou o sinal de alerta: deputados e senadores – tanto democratas como republicanos – declararam seu imediato repúdio à ação, as bolsas de valores apresentaram queda e a imprensa capitalista lançou uma forte campanha de acusação contra os manifestantes.

“Baderneiros”, “arruaceiros”, “terroristas”, disse o noticiário. Mais do que os manifestantes, o principal culpado seria Trump, que teria incitado a ação. Na verdade, o político republicano pediu, primeiro, para que seus apoiadores fossem ordeiros e respeitassem a segurança do Capitólio, e depois postou um vídeo chamando-os a voltarem para casa. No entanto, na ânsia de combater seu inimigo político e a pedra no sapato que é sua base social, os monopólios da comunicação e tecnologia censuraram e bloquearam as contas de Trump nas redes sociais.

A imprensa imperialista afirmou que foi uma tentativa de golpe de Estado por parte de Trump, utilizando seus simpatizantes para impedir que Joe Biden assumisse a presidência. Logicamente não foi isso. Tratou-se, pelo contrário, de um ato de aspirações democráticas: a denúncia da fraude eleitoral nas eleições norte-americanas, que deram a vitória ao democrata – candidato favorito do imperialismo. Mesmo parte dos manifestantes sendo de extrema-direita, eles estavam exercendo seu direito democrático, e não há nada que indique uma intenção predominante de tomar o poder pela força.

A esquerda pequeno-burguesa norte-americana e internacional repetiu como papagaio a propaganda da imprensa imperialista. Nos EUA, todos se uniram aos democratas em seu repúdio a Trump e apoio à posse do ainda mais reacionário Joe Biden. No Brasil, embora irrisório para o imperialismo “democrático”, o apoio da esquerda à ala principal do imperialismo demonstrou mais uma vez seu papel de servidão.

Deputados e senadores, políticos de todos os partidos, manifestaram sua repulsa aos “fascistas”. Artigos e editoriais dos portais da esquerda afirmavam: “foi uma tentativa de golpe fascista!”. O deputado Marcelo Freixo (PSOL), conhecido por suas posições direitistas, demonstrou histeria no Twitter: “Trump tem que ser preso. Essa é a resposta que as instituições americanas precisam dar a (sic.) democracia e ao mundo”; “Uma mulher foi assassinada na invasão dos terroristas da extrema direita ao Capitólio e Trump é o responsável”; e, por último: “E o Twitter botou uma focinheira no Trump. Vamos precisar de outra para o Brasil @Twitter”.

Essa última frase é exemplar de como a esquerda brasileira é subserviente ao imperialismo. Não basta comemorar a censura, Freixo ainda pede mais censura aos outros. Logicamente, faz referência indireta a Bolsonaro, mas ao escrever apenas “Brasil”, dá a chave para o real objetivo do imperialismo: estabelecer uma ditadura contra todos os que possam lhe representar algum incômodo, e principalmente contra os povos oprimidos.

Freixo foi rebatido por um usuário da rede social, possivelmente direitista, com o seguinte comentário, muito mais lúcido que o seu: “No dia que a focinheira atingir a esquerda, não reclama (sic.).” É exatamente isto: a esquerda, com seus posicionamentos antilibertários, antidemocráticos e direitistas, corrobora com toda a política repressiva do imperialismo, sem entender que o maior prejudicado com isso é o povo trabalhador, justamente aquele que ela diz defender.

Quem se apresenta, por outro lado, como inimigo da burguesia e da opressão, são, paradoxalmente, os extremistas da direita, vítimas da repressão estatal. A esquerda, que deveria ser o segmento político antissistema por natureza, transforma-se em uma ferramenta desse mesmo sistema, abandonando as aspirações populares e as classes oprimidas para se tornar uma marionete da burguesia. Eis o resultado da completa integração da esquerda ao regime político, lá e aqui.

Não é esse o dever da esquerda. O dever da esquerda é ser o verdadeiro antagonista do regime imperialista. É preciso denunciar todas as tramas e armações da burguesia, as mentiras da imprensa burguesa, o falso combate ao fascismo, ao mesmo tempo em que deve organizar os trabalhadores para lutar contra os fascistas e, principalmente, contra o Estado burguês, seu grande inimigo. Para isso, há que se tornar independente da burguesia dita “democrática”, coisa que parece não estar disposta a fazer.

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