Esquerda se esconde
PT e PSOL e outros partidos como PCB e PSTU foram as manifestações sem usar o vermelho, simbolo da esquerda
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
manifestacao
Vermelho é a cor da esquerda. | Imagem: reprodução

Após um período de quarentena, muitos militantes dos partidos da esquerda institucional (PT, Psol, PCB e PSTU) finalmente abandonaram o confinamento dos seus lares e flexibilizaram o “# fique em casa” e saíram às ruas em diversos lugares nas manifestações do último domingo (7/2). Entretanto, apesar dos partidos de esquerda ter o vermelho como uma cor caraterística da sua luta, como uma identificação, como um emblema do socialismo, não se viu os “socialistas” com suas bandeiras e nem vestidos de vermelho. Por que será?

As manifestações tiveram pessoas e faixas em preto como predominantes. Evidentemente, que o movimento pela democracia realizado pelas torcidas organizadas, em especial pela torcida corintiana, já utilizava o preto, inclusive com marca característica. Por sua vez, os jovens que se reivindicam anarquistas têm a indumentária preta como a expressão política tradicional. Os participantes do movimento negro resolveram adotar o preto como parte do protesto “vidas negras importa” que tem uma amplitude colossal após o assassinato de George Floyd em Minneapolis nos Estados Unidos.

A questão não é a presença do preto, mas porque da ausência do vermelho, uma vez os militantes dos partidos de esquerda estavam participando dos atos e passeatas.

Durante a semana que precedeu o dia 7 de junho, após o ato organizado pelas torcidas na Avenida Paulista em São Paulo, a imprensa burguesa fez ostensiva campanha contra a convocação de atos contra Bolsonaro. A própria esquerda “ antifascista” alegava que não poderia sair as ruas para não dar “ pretextos” para a campanha golpista de Bolsonaro, por sua vez, os “ defensores da vida” que não movem uma palha contra o genocídio devido a pandemia do Covid-19 pediam para não ter atividade em rua para não “ aumentar as mortes”.

Após muita controvérsia o PT e o PSOL resolveram integrar as manifestações de ruas, o que gerou contestações no interior desses partidos. No PT, a direita do partido fez campanha contra a participação (Camilo Santana, governador do Ceará e o Jaques Wagner, senador Bahia declararam-se contra). Por sua vez, enquanto Boulos procurou estrangular o movimento por dentro, Marcelo Freixo, cinicamente declarou que “apoiava”, mas não iria.

Então, despois dessa enxurrada de senões, uma parcela dos militantes do PT, PSOL e de outros partidos como PCB e PSTU foram as manifestações, e na maioria dos casos de preto, visando esconder o vermelho ou seja não ter uma identificação política clara e se diluir nos atos. Essa ausência de bandeiras vermelhas por parte da esquerda é a repetição do “abaixe as bandeiras” de 2013.

O curioso é que durante a semana, um dos instrumentos “argumentativos” dos partidos da esquerda institucional foi a sórdida campanha contra os “baderneiros” e os “infiltrados”, usando o “fantasma de 2013” de maneira conveniente para defender manifestações pacíficas, quer dizer controladas.

A repetição da “tragédia de 2013” é promovido pela esquerda em 2020, que abandonam o vermelho e escondem seus símbolos. Dessa forma, o abandono do vermelho é uma maneira desses partidos (PT,PSOL,PCB e PSTU) se adaptarem a pressão da imprensa e da burguesia contra a esquerda. Em alguns lugares, os próprios partidos de esquerda procuram enquadrar os que levavam bandeiras como em manifestação em Recife.

Nos atos coxinhos, em especial nos bolsonaristas, a utilização do verde amarelo, apesar de forma alguma representarem remotamente a defesa do nacionalismo é uma “ tradição” que extrema direita procura fomentar. O uso das camisas amarelas, quase sempre da seleção brasileira de futebol, é uma maneira de se contrapor a esquerda, e ao PT em particular, no mote anticomunista que “ a nossa bandeira jamais será vermelha”.

Somente depois de muita luta, sobretudo depois das manifestações contra o golpe em 2016 e pela liberdade para o ex-presidente Lula, que os militantes do PT passaram a levantar as bandeiras e voltar a usar o vermelho. Entretanto, a política de “virar a pagina do golpe” e “contra polarização” da direita do PT, PCdoB, com a adesão PSOL tem refletido novamente na “ fobia” em usar o vermelho.

O PCdoB, principal fomentador da frente ampla com a burguesia, apresentou inclusive a política de se “disfarçar” de coxinha em 2019 nos atos contra os cortes da educação. Recentemente, chegaram a esconder o nome do partido no “movimento 65”. Nas manifestações em junho de 2020, o PCdoB não saiu ás ruas contra Bolsonaro, preferindo lives com FHC e outros golpistas.

Do mesmo modo que em outras questões, abaixar a bandeira e abandonar o vermelho não são aspectos irrelevantes, mas são fortes indicações da confusão predominante na esquerda. Procurar esconder-se, dilui-se ou adapta-se indica o aprofundamento da capitulação da esquerda institucional a pressão da opinião pública burguesa.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas