Ou Lula, ou nada
A luta pelos direitos democráticos de Lula é a defesa dos direitos de todo o povo brasileiro. É uma questão vital que Lula possa concorrer nas eleições de 2022
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Lula | Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula / Divulgação
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Lula | Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula / Divulgação

“Lula me pediu para colocar o bloco na rua”. Foi assim que o ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato do PT nas eleições presidenciais de 2018 se manifestou em entrevista ao site Brasil 247 na noite da última quinta-feira, dia 4.

Segundo Haddad, “(Lula) me chamou para uma conversa no último sábado e disse que não temos mais tempo para esperar. Ele me pediu para colocar o bloco na rua e eu aceitei”. Desta forma Lula teria avaliado que haveria pouco tempo hábil para esperar a resposta do Supremo Tribunal Eleitoral sobre os processos a que está submetido, processos que se mostraram completamente fraudulentos, conduzidos pelo juiz corrupto Sergio Moro.

Existe, no momento, uma intensa campanha da imprensa capitalista contra o STF para que este, mesmo reconhecendo a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e todo o processo viciado da Lava Jato, reafirme a sentença condenatória de Lula e mantenha a cassação dos direitos políticos do ex-presidente.

Lula estaria impedido de se candidatar às eleições de 2022 porque estaria com a “ficha suja”, segundo a Lei da Ficha Limpa, uma excrescência jurídica, que foi aprovada no governo do próprio Lula em 2010. Suas condenações são por causa do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. Se a justiça fosse séria, neste país, todos estes processos seriam sumariamente extintos porque apresentaram vícios desde o início.

A Lei da Ficha Limpa, como já denunciado pelo Diário da Causa Operária, é um decreto ilegal, que vai contra a própria constituição e que no final das contas serviu apenas para perseguir os candidatos da esquerda e especialmente o ex-presidente. Veja abaixo uma das matérias publicadas pelo DCO sobre a Lei da Ficha Limpa:

A Lei da Ficha Limpa não era para “combater a corrupção”

Reações

Assim que Haddad fez o anúncio de sua candidatura à presidência da república pelo PT, houve a reação de Guilherme Boulos, que declarou que o momento não é para o lançamento de candidaturas, mas do debate de “ideias”. Segundo ele: “defendo que a esquerda busque unidade para enfrentar Bolsonaro. Para isso, antes de lançar nomes, devemos discutir projeto”.

O que significa projeto para Boulos? Significa apenas que ele se incomodou com o lançamento de uma candidatura própria do PT, que rejeitou embarcar em seu grande projeto, a Frente Ampla, aquela coligação dos partidos de esquerda com os direitistas, mesmo aqueles que deram o golpe de estado, em nome do combate a Bolsonaro. A intenção de Boulos é apenas o seu projeto particular, que quer roubar os votos de Lula.

Flávio Dino (PCdoB) apoiou a candidatura de Haddad, mas se calou diante do caso Lula. Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, evitou o conflito com outros partidos: “todos os partidos têm legitimidade para apresentarem lideranças para debater o Brasil. Isso não impede a construção, desde já, de um movimento de unidade em torno de um projeto para salvar o país dessa crise medonha e enfrentar Bolsonaro. Lá na frente conversamos sobre nomes.”

Infelizmente tal declaração só serve para alimentar ainda mais a Frente Ampla, uma tática que não tem condição alguma de vencer o golpe de estado e só servirá para entregar, uma vez mais, o país nas mãos da direita.

2022 e a importância de Lula

A burguesia está manipulando o jogo político visando as eleições de 2022. Com isto pretende estabilizar o regime, diminuindo a polarização. Para que este plano possa ter viabilidade, a burguesia sabe que tem que colocar Lula para fora do jogo, o único personagem de esquerda que tem condições de vencer e com isso colocar o golpe de estado em cheque.

O candidato preferido da burguesia seria um elemento do PSDB, a direita limpinha e cheirosa que a rede Globo adora, como um João Doria ou Luciano Huck, mas se for preciso, se não houver chance de eleger um sujeito impopular e odiado pelo povo como Doria, então a burguesia não hesitará em apoiar Bolsonaro, mais uma vez.

A defesa de Lula é uma luta extremamente importante para o povo brasileiro. Trata-se de uma luta sobre os princípios democráticos. Se a justiça pode fazer uma arbitrariedade como esta contra Lula, um ex-presidente da república, um nome conhecido internacionalmente, então pode fazer com qualquer um de nós, é evidente. O atropelo das leis pela justiça fez com que a Constituição fosse jogada na lata do lixo, já que ela pode ser manipulada conforme a opinião de qualquer juiz. Esta luta não é apenas pela pessoa do ex-presidente Lula, mas a defesa do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, uma defesa do cidadão comum.

Por isso esta luta é extremamente importante para todos nós. Significa uma defesa da liberdade e dos direitos democráticos.

Constatamos que os principais partidos da esquerda, PSOL e PCdoB, não se manifestaram pela luta dos direitos políticos do ex-presidente. O próprio PT nem sequer se manifestou ainda sobre a declaração de Haddad. Devemos deixar claro que a omissão na defesa de Lula significa a aceitação das arbitrariedades da justiça. Se estes partidos não se posicionam contra as fraudes jurídicas do STF então significa que estes aceitaram se submeter aos desmandos da burguesia.

Enquanto ignoram a defesa dos direitos de Lula estes partidos da esquerda acabam se omitindo de sua própria razão de existir: servir como um meio de representação do povo e como um meio de defesa dos seus interesses.

Portanto, se estes partidos não servem aos interesses da população, então estão servindo a outros interesses, geralmente particulares e que não tem nada a ver com o povo. Não defender Lula é ter uma política totalmente desvinculada do povo, é ter um projeto particular, onde o que se busca é uma migalha jogada pela burguesia, um pequeno espaço onde este possa agir, de maneira consentida, que não atrapalhe os reais interesses dos grandes capitalistas.

O momento é de confronto. O STF já está em uma posição bem frágil, onde ficam claros seus objetivos. Justamente neste momento aparece um Haddad, cuja candidatura revela um recuo da defesa dos direitos de Lula.

Portanto fica aqui um chamamento aos partidos de esquerda para que revejam suas posições. Não é hora de projetos pessoais, ambições ou busca de cargos. O momento é de derrubar o golpe de estado. A única saída possível para atender o desejo do povo é a derrubada imediata de Bolsonaro e de todos os golpistas. Para isso é vital a defesa dos direitos democráticos de Lula, que ele possa concorrer em 2022. Os líderes da esquerda têm a obrigação de mobilizar as grandes massas populares, o instrumento que pode forçar a justiça a cancelar todos os processos fraudulentos contra Lula. Que o povo possa decidir os rumos que o país irá seguir, não a ambição pessoal de um político profissional.

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