Identitarismo
Por que os identitários defendem alguns mas não defendem outros?
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Colagem sem título (1)
Kamala Harris e Neymar | Foto: Colagem da redação de reproduções

As posições sobre o futebol brasileiro são bastante esclarecedoras sobre como a esquerda pequeno-burguesa, em particular os setores chamados identitários, são orientados pelo pensamento dominante da burguesia imperialista. A indiferença ou até mesmo a oposição a qualquer discussão sobre o futebol e os jogadores brasileiros contrasta com a atitude diante de elementos da política, como é o caso da candidata à vice-presidência pelo Partido Democrático norte-americano, Kamala Harrys.

Já foi comprovado por intelectuais de várias filiações, incluindo e principalmente os marxistas e intelectuais ligados ao próprio movimento negro, que a história do futebol brasileiro se confunde com a história da luta do negro brasileiro pelo reconhecimento social, mais concretamente com a luta do negro pela ascensão social no País.

A popularidade que o futebol ganhou entre a maioria do povo brasileiro e mais ainda a reconhecida superioridade do futebol brasileiro diante do praticado em outros países deve-se ao negro brasileiro. Não poderia ser diferente. Num País onde a esmagadora maioria do povo é negra, qualquer atividade popular precisa necessariamente passar pela classe trabalhadora, em sua maioria composta por negros e mestiços.

Nesse sentido, a defesa do futebol brasileiro deveria ser tema central para qualquer discussão séria sobre a luta do negro no Brasil.

Note-se bem, não por um problema ideológico, mas por um problema da própria formação social brasileira. Ou seja, independentemente do que um jogador pense sobre sua situação individual como negro, esses jogadores são representantes de um problema central para a situação do negro.

Por exemplo, Pelé, um negro brasileiro, é considerado o maior atleta do mundo. Não é apenas um problema de reconhecimento, Pelé é de fato um gênio do futebol, responsável pela transformação do futebol como conhecemos hoje.

No entanto, a tendência da esquerda pequeno-burguesa, que influencia vários setores do movimento negro, é atacar Pelé por supostas posições políticas erradas, por “não se considerar negros, por ser um “inconsciente”. Exigem de Pelé algo a que ele nunca se propôs a fazer: ser um militante, ao invés de valorizar o seu legado como atleta.

Essa mesma lógica é usada atualmente contra Neymar, maior craque da atualidade. O jogador é constantemente atacado na imprensa, mas não há uma única voz em sua defesa por parte dos identitários.

A incoerência do identitarismo

Boa parte dos identitários defende que a raça estaria acima das classes. Grosso modo, mais vale um negro milionário – embora saibamos que haja poucos – do que um operário branco miserável. Mas essa lógica absurda parece não se aplicar ao futebol, nem com Neymar.

O jogador brasileiro é inclusive desdenhado como negro. Ele “nem se considera negro”, dizem muitos.

Mas não é assim para todos os negros. A teórica identitária, Djamila Ribeiro, por exemplo, chegou a defender o fascista vereador de São Paulo Fernando Holiday pelo simples fato de ser negro. Essa mesma concessão não é feita a Neymar.

A vice-presidenta imperialista

Mas o caso que mais salta aos olhos é o de Kamala Harris. Escolhida para ser a candidata a vice de Joe Biden à presidência da República dos Estados Unidos, a mulher negra passou a ser alvo dos maiores elogios.

Setores identitários, que já apoiavam Joe Biden com a desculpa de que é necessário se opor a Trump, passaram declarar amor a chapa do Partido Democrático.

Nitidamente, a escolha de Kamala Harris para compor a chapa do maior partido imperialista do mundo é uma manobra demagógica para envolver setores do identitarismo e do movimento negro em plena crise no País, desencadeada pelo assassinato de homens negros pela polícia.

Kamala Harris é apresentada como grande exemplo para o negro. A realidade, porém, é muito diferente. A vice de Joe Biden é uma representante da política repressiva da burguesia, tendo sido Procuradora-geral do Estado da Califórnia, um cargo diretamente relacionado com a repressão e são justamente os negros norte-americanos os que mais sofrem com qualquer política repressiva.

Mas o fundamental nem é o que a vice de Biden fez. Basta explicar que o Partido Democrático é talvez o maior partido imperialista e responsável pelo massacre dos povos no mundo inteiro.

Diferente da atitude diante de Neymar, que é apenas um jogador de futebol, a esquerda identitária se levanta para aplaudir Kamala Harris. Neymar pode posar quantas vezes puder ao lado de Bolsonaro e ele nunca chegará perto do que representa o partido de Harris para o massacre e opressão no mundo todo.

A incoerência dos identitários não é a única conclusão que devemos tirar desses fatos. A mais importante é que revela como a política identitária está ligada ao imperialismo, a ponto de seguir fielmente as orientações dadas pela propaganda imperialista no mundo todo. Defender o futebol brasileiro, em particular Neymar, não está no catálogo de políticas permitidas pelo imperialismo, basta olhar o montante da campanha contra o jogador em toda a imprensa internacional. Nesse caso, pouco importa se Neymar é negro.

Já para Kamala Harris, pouco importa se sua política é parte do massacre imperialista no mundo todo, o que importa é que ela é negra.

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