A esquerda pequeno-burguesa e o golpe militar: o perigo é o PCC, e não o imperialismo

Desde que foi anunciada a intervenção militar no Rio de Janeiro, cinicamente chamada pela imprensa golpista de intervenção federal, muitas ideias extravagantes a esse respeito tem sido discutidas.

Disseram que se tratava de uma manobra eleitoreira de Temer, como se a presença das Forças Armadas nas ruas fosse capaz de levantar a popularidade de algum governante. Essa “teoria” trazia de brinde a ideia de que Temer teria o controle das FFAA. O que justificaria a intervenção seria um suposto descontrole da segurança pública no estado do Rio de Janeiro. O jornal Extra, que pertence à Globo, foi mais longe e afirmou que o Rio estaria vivendo um verdadeiro clima de guerra.

Paralelamente a isso, alguns sociólogos levantaram a tese de que a verdadeira motivação da intervenção militar estaria ligada ao crime organizado de uma maneira mais sórdida. Na verdade, toda essa movimentação de tropas seria uma grande maquinação com o objetivo de favorecer o PCC, Primeiro Comando da Capital. A intervenção militar no Rio serviria para desbaratar o esquema milionário das facções que atuam no estado, como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando e o ADA (Amigos dos amigos), para permitir que o PCC controlasse todo o tráfico de armas e drogas no Rio de Janeiro.

Todas essas ideias giram em torno da questão da segurança pública e do suposto combate ao crime organizado, o que mostra que servem para encobrir a verdadeira motivação, que é a de servir como preparação para uma intervenção militar em escala nacional, enfim, um golpe militar. Para os marxistas, fica a dúvida. Onde entra o imperialismo nisso tudo?

Pode ser que de fato exista algum interesse por parte do governo golpista e dos militares na destruição das atuais facções que controlam o tráfico no Rio de Janeiro e no fortalecimento do PCC, mas é muito difícil essa possibilidade, pois todos coexistiram até o presente momento. Por mais poderoso e influente que o PCC possa ser, não há como comparar o seu poder político e econômico com o imperialismo estrangeiro, que tramou e financiou o golpe dado em Dilma e no Partido dos Trabalhadores.

É preciso denunciar a completa farsa dessas teses. Nã há uma guerra civil no Rio de Janeiro, a intervenção militar não tem absolutamente nada a ver com a questão da segurança pública. O verdadeiro inimigo, não só do Rio de Janeiro e do Brasil, mas de toda a humanidade, é o imperialismo.

Por mais que essa teoria (combate ao crime organizado) possa fazer algum sentido à primeira vista, ela tem como objetivo encobrir o grande responsável pelo impeachment fraudulento, pelos ataques econômicos e políticos que o Brasil vem sofrendo e pela articulação em torno do golpe militar. Todos esses ataques vem principalmente do imperialismo norte-americano.

Acreditar que o imperialismo não tem nada a ver com a intervenção militar e que tudo não passa de uma manobra para favorecer o PCC é uma ideia infantil. Devemos denunciar incansavelmente o papel de destaque do imperialismo na articulação golpista e mobilizar os trabalhadores e estudantes nessa luta contra a intervenção militar. Fora militares do Rio de Janeiro! Lugar de soldado é no quartel!