Liberdade de expressão
O Google apagou as contas do sítio bolsonarista Terça Livre. A política de expurgos dos monopólios imperialistas chega ao Brasil

Por: Redação do Diário Causa Operária

Mais uma vez, assistimos a um lamentável espetáculo da esquerda pequeno-burguesa aplaudindo uma ação ditatorial dos grandes monopólios.

Nessa quarta-feira, dois canais de extrema-direita do sítio Terça Livre, comandado pela tiete bolsonarista Allan dos Santos, foram apagados do YouTube sem nenhuma explicação. A plataforma do google simplesmente deletou os vídeos e as duas contas, uma delas do próprio Terça Livre e outra chamada Terça Livre Livre, que fora criada após uma tentativa anterior de censura ao canal.

O episódio junta-se ao expurgo contra contas e sítios ligados à extrema-direita, em particular de apoiadores e do próprio o ex-presidente norte-americano, Donald Trump.

Assim como fez no caso de Donald Trump, a esquerda pequeno-burguesa brasileira correu para comemorar o fato. Nas redes sociais e sítios progressistas, o tom da notícia não variou muito do infantil “bem feito” para ele.

O raciocínio da esquerda é bem simples: como Allan dos Santos e seu canal são de extrema-direita, dedicados a defender a política rasteira do bolsonarismo, estaria justificado que um monopólio como o Google apagasse sua conta.

Umas das justificativas é a chamada “Fake News”. O Terça Livre faz “fake news”, e aparentemente essa também foi uma das justificativas do próprio Google para tirar o canal do ar.

Ataques contra os conservadores?

Tanto nos Estados Unidos como no Brasil, a política do Google e de outras gigantes da tecnologia que estão estabelecendo um expurgo nas redes tem sido apresentada como uma perseguição aos conservadores. Segundo essa ideia, difundida pela direita como maneira de mostrar que há uma perseguição política por trás desses fatos, existiria uma espécie de conspiração esquerdista para calar a direita internacional.

Essa apreciação dos fatos leva em consideração apenas um aspecto do problema. É fato que exista uma perseguição política e uma censura contra esses sítio e contas nas redes sociais. No entanto, a afirmação de que se trata de uma perseguição exclusiva contra a direita conservadora não é verdadeira, ou, para sermos mais exato, é uma meia verdade.

Primeiro: os ataques contra os conservadores é parte de uma luta política do imperialismo que procura nesse momento calar setores dissidentes. Os setores mais poderosos do imperialismo, que são os que dominam esses monopólios, estão em uma ofensiva para controlar a extrema-direita, que nesse momento é uma ameaça. Como mostrou a eleição presidencial nos Estados Unidos, a direita tradicional não tem enormes dificuldades de vencer as eleições, situação que é parecida em outros países, incluindo o Brasil.

Portanto, apenas nesse sentido específico há uma política orientada para censurar os ditos conservadores de extrema-direita.

Mas a política de censura e expurgos na internet não vai parar por aí. Quanto maior o poder desses monopólios mais eles se constituirão uma ameaça à esquerda e as organizações populares.

Mais precisamente, a política de censura se voltará com muito mais força contra a esquerda. O machado que hoje procura podar a extrema-direita já está sendo afiado para cortar com maior violência a esquerda. Por isso é uma política suicida a defesa da esquerda de uma arbitrariedade como a que aconteceu com o Terça Livre.

Sim, porque o fato de o Terça Livre ser bolsonarista não significa que o que está havendo não seja uma verdadeira ditadura. A esquerda deveria dizer isso claramente, defender a completa liberdade de expressão, incondicional e sem limites, já sabendo que dar poder a esses monopólios imperialistas é dar a própria cabeça para ser cortada.

Por último, é preciso explicar que ao aplaudir a ação dos monopólios a esquerda está ingenuamente concordando com o que diz a extrema-direita: esses monopólios estão perseguindo os conservadores, o que é uma ideia ridícula.

Direitos só para os meus amigos

Diferente do que acredita a esquerda pequeno-burguesa, deveria ser motivo de maior preocupação o fato de que o Google está censurando a extrema-direita. Afinal, se esses monopólios podem agir contra um sítio que conta com o apoio de capitalistas, não precisa nem ser muito criativo para imaginar o que eles podem fazer com a esquerda.

A esquerda não deveria esperar, deveria denunciar amplamente o que está acontecendo, independentemente contra quem tenha se voltado o peso dos monopólios imperialistas.

Mas, novamente a esquerda pequeno-burguesa dá mostras de uma despolitização gigantesca, dá mostras de uma ausência total de uma política independente. A esquerda está cada vez mais orientada pelo imperialismo, mostrando ser um fracasso político.

A esquerda apresenta uma política rasteira em relação a um problema política fundamental que é a defesa de direitos democráticos. Ela abandonou os princípios democráticos e substituiu por uma política oportunista que defende direitos apenas para os seus amigos.

Se for meu amigo, eu defende sua liberdade de expressão, se é bolsonarista, eu defendo a supressão desses direitos.

Vale tudo contra o fascismo?

Um argumento muito usado pela esquerda para levar adiante tal política suicida é o de que a extrema-direita não deve ter liberdade de expressão, pois vale tudo para calar o fascismo.

Colocado assim, de forma abstrata, a ideia não parece errada. Mas o problema central é que a esquerda que se diz tão preocupada com o fascismo está querendo calar o fascismo não com as armas da própria esquerda, das organizações de massa do povo, mas com as armas do Estado capitalista, ou seja, com as armas da instituição mais fascista que há no mundo.

Se Allan dos Santos é um fascista, ele é um fascista infinitamente menor perigoso do que o fascismo estatal, com sua máquina de repressão, com seus poder para calar adversários políticos, de prender inimigos políticos.

Em suma, em nome de que o fascismo deve ser combatido, a esquerda está fortalecendo o fascismo.

Uma coisa que a maioria da esquerda pequeno-burguesa não aprendeu até agora é que o fascismo só consegue prosperar se tem o apoio dos grandes monopólios. Portanto, fortalecê-los, é fortalecer o fascismo, enfim, não deveria ser complicado de entender o quão fascista é a censura, pelos monopólios capitalistas, de um inimigo político.

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