Para não lutar contra o golpe
A democracia só é consolidada por meio da ampla mobilização dos trabalhadores contra a burguesia, ou seja, os que utilizam esses termos para desmobilizar o povo auxiliam os golpes
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Revista Veja
Matéria: Votação do Impeachment da presidente Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados.
Deputados comemoram a votação do Impeachment da presidente Dilma Rousseff
Foto: Cristiano Mariz
Data:17/04/2016
Local: Câmara dos Deputados - Congresso Nacional - Brasília DF
Burguesia derruba governo democraticamente eleito em 2016 | Foto: Reprodução

Após 4 anos de golpe de Estado provavelmente nenhum setor da esquerda brasileira ousaria dizer que existe atualmente no Brasil uma “democracia consolidada”, contudo este tipo de analise política fajuta era feita aos montes nos anos de processo golpista que precederam o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

Esta ideia, que era impulsionada pela própria burguesia, era utilizada por diversos setores da esquerda para justificar a ausência da luta contra o golpe, afinal se a democracia está consolidada não existe risco de golpe de Estado, foi uma das muitas desculpas usadas pela esquerda pequeno burguesa para paralisar a luta contra o golpe.

Nos dias de hoje o que existe é a ideia de que há uma crise na democracia, o documentário brasileiro indicado ao Oscar de 2019 deixa bem claro, “Democracia em vertigem”, ao tratar  justamente sobre o golpe de Estado de 2016. Além disso, a burguesia impulsiona a política de frente ampla que se agrupo em torna da ideia abstrata da democracia, setores da direita tradicional como o DEM, o PSDB e o MDB, protagonistas do golpe de Estado, que – supostamente – seriam uma oposição democrática à extrema direita bolsonarista. O bizarro é que setores da esquerda caem nessa manobra, afinal estes partidos da direita tradicional foram justamente aqueles que organizaram o golpe de 2016 e ainda apoiaram o fascista Bolsonaro em 2018 frente a possibilidade do retorno do PT ao governo e ainda o apoiam nos dias de hoje.

 

Ilusão cega

 

É perceptível que a ideia abstrata de democracia tende a ser uma manobra da burguesia contra a classe operária para fortalecer os golpistas, seja nos dias de hoje, com a frente ampla , “somos democracia” e o Folha de S. Paulo “pela democracia”, seja antes do golpe, quando a “democracia consolidada” era utilizada para desmobilizar a esquerda frente ao perigo iminente de derrubada da presidenta Dilma e destruição total do país.

As evidencias eram muitas, as denuncias de Snowden revelaram que o imperialismo dos EUA planejava atacar a Petrobras e o governo Dilma, ambos espionados de forma intensa Nos vazamentos ficava claro que o Brasil era o país mais espionado do mundo, o próprio telefone da presidenta chegou a ser grampeado pelos EUA. Não só isso como já haviam diversas evidencias do conluio da operação golpista lava jato e os EUA, a força tarefa da operação chegou a “visitar” Washington ainda em 2015 com passadas no Departamento de Justiça e no FBI.

A analise de conjuntura dos outros países da América Latina também permitiria acabar com essa ideia absurda da impossibilidade de golpes de Estado, em Honduras em 2009 havia ocorrido um golpe organizado pela própria Hillary Clinton contra o governo nacionalista de Zelaya, em 2012 o golpe foi no Paraguai, a embaixadora dos EUA Liliana Ayalde após o golpe em nosso vizinho se tornou embaixadora do Brasil nos anos de organização do golpe, na Venezuela os processos golpistas se iniciaram em 2014 e continuaram em ciclos até os dias de hoje. Na América Latina, uma continente assolado pelos golpes imperialistas constantemente há mais de um século, acreditar que se esta imune a esse tipo de manobra é uma ingenuidade que só pode levar ao desastre.

 

“Sem ameaças à democracia”

 

Frente a essas evidencias, que vinham sendo denunciadas quase que unicamente pelo PCO, a reação da maior parte dos partidos e organizações de esquerda foi de não lançar uma luta árdua contra o golpe para impedi-lo.

Luciana Genro, dirigente e ex-candidata presidencial  do PSOL, por exemplo, em 2016 (o ano do golpe!) diria que:

“Os líderes do PT estão tentando convencer – e alguns setores foram convencidos – de que há uma ameaça à democracia, ao estado democrático de direito. Quando na realidade não é isso”

Essas e outras declarações absurdas, que em conjunto com a política pratica daqueles que as pronunciaram foram um entrave luta contar o golpe, vieram da esquerda. Contudo, é fácil descobrir a origem real dessas ideias, a própria burguesia. A revista Veja publicou um artigo em 2017 intitulado “Razões para não temer um golpe militar no Brasil” e de subtitulo “Na democracia brasileira atual, é praticamente impossível que ocorra uma intervenção dos militares”.

O interessante neste caso é que a argumentação da imprensa burguesa é exatamente a mesma que a dos setores da esquerda citados neste artigo, “não se preocupe porque a democracia é consolidada”. Com as recentes notícias de que o próprio ex presidente golpista Temer revelou que os militares organizaram o golpe de 2016 este artigo da Veja se torna ainda mais exemplar. Fica escancarando o fato de que não só é possível um golpe militar como ele já aconteceu, e pode facilmente acontecer novamente caso não haja mobilização popular.

Enquanto existir a burguesia brasileira e o imperialismo nunca existirá a garantia da democracia, isto é, de que não haverá golpes de Estado. A única garantia tanto para impedir golpes quanto para derrotar o atual regime golpista é a ampla mobilização dos trabalhadores, sem nenhum tipo de aliança com a direita, mas em uma frente das organizações de luta dos explorados e da esquerda na luta contra o golpe, pelo fora Bolsonaro e por Lula candidato.

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