A esquerda deveria assumir a ofensiva nesse momento e não recuar

a esquerda deveria assumir a ofensiva nesse momento e nao recuar

Entenda a crise que se abate na esquerda, fazendo com que ela não consiga mobilizar os trabalhadores contra os grandes ataques que ocorrem em todo país, o quadro de confusão total é preocupante. Assista ao trecho específico da Análise Política da Semana e entenda melhor o tema em:

Os fundamentos da situação política brasileira, sendo que no centro se encontra Lula e os problemas relacionados a ele. A burguesia não consegue estabilizar o regime após o golpe, havendo uma crise muito grande. Tamanha a crise que podemos observar que no final de março, em um ano eleitoral normal, todos já estariam fazendo campanha eleitoral. Entretanto, a campanha é perturbada pelos acontecimentos políticos de todos os dias.

A grande questão da crise política é a falta de iniciativa política da esquerda, que só vê o problema eleitoral. De um modo geral, a esquerda não atua contra os golpistas. O caso da Marielle Franco é bem exemplar: no início, havia comoção até que a direita tomou conta da situação. A direita começou a usar a morte da vereadora para impulsionar sua própria política de ocupação do Rio de Janeiro, de reforço da segurança pública. A esquerda recuou totalmente, esperando que a situação refluísse.
Dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), há uma ala que fala a todo momento em virar a página do golpe, mas todo momento acontece algo que mostra que não dá pra virar a página do golpe. Os sábios do PT que fazem estas considerações deveriam explicar como vamos fazer para virar a página dos ataques a tiro contra a caravana de Lula. Como exatamente funciona essa virada de página?! Ninguém consegue explicar.

Enquanto se fala em esquecer o golpe, o que ocorre é uma radicalização cada vez maior da situação. É importante frisar que, no que diz respeito aos atentados contra Lula, isso não é simplesmente uma minoria isolada. É muito óbvio que os governo do Sul apoiaram as iniciativas, não é uma ação feita por meia dúzia de malucos, é uma coisa do conjunto dos golpistas. Tanto que Alckmin e Dória apoiaram, fizeram isso por ser obra deles.
O problema de virar a página é que não há como se resolver o problema da luta, o virar a página seria o PT se autodissolver e acabar como força política. Não é possível em um quadro de radicalização política que isso ocorra, o que ocorre aqui é uma grande confusão política.

Os acontecimentos da última semana indicariam que os movimentos populares e a esquerda deveriam assumir a ofensiva, inclusive se apoiando contra os ataques que a direita fez contra o movimento operário, popular, de esquerda e democrático. Seria necessário fazer atos contra a morte da vereadora do PSOL, os ataques feitos, a repressão que está crescendo em todo o país. É o momento de organizar uma ofensiva, não é o momento de ficar em uma posição conciliadora.

Na realidade os acontecimentos no Sul apresentam uma oportunidade para um ataque frontal contra a direita, a direita fica aí intimidando todos, mas em determinado momento eles se expõem. Isso daí levantou uma indignação popular muito grande que deveria ser transformada em uma ofensiva contra a direita. No entanto, a esquerda não quer saber disso, fica dividida entre uma opção de virar a página e a opção de ir para cima da direita. Então cria-se esse impasse, que é extremamente desfavorável, pois a direita acaba tendo a possibilidade de uma iniciativa.
Setores direitistas chamaram mobilização para o dia 31 para comemorar o golpe militar de 64, sendo que outros grupos foram convocados para os dias 3 e 4 em favor da prisão do Lula. Enquanto isso a mobilização da esquerda é extremamente confusa, sendo que ninguém soube muito bem o que iria acontecer. É uma política de desorientação, de contenção deliberada ou não, da possibilidade de mobilização das massas que estão querendo se mobilizar pelo que aconteceu no Sul, contra a vereadora e os ataques que estão sendo feitos.
O grande problema é que se precisa organizar a mobilização para enfrentar a direita num momento que é favorável, mas que está escapando pelos dedos. Estes é o aspecto provavelmente mais significativo da situação política deste momento.

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