Perdão de dívidas das igrejas
Nesta semana, ao invés de combater o bolsonarismo, a esquerda mimetizou a extrema direita e votou a favor do perdão das dívidas bilionárias das igrejas
bancada do PCdoB
Bancada do PCdoB na Câmara | Reprodução
bancada do PCdoB
Bancada do PCdoB na Câmara | Reprodução

Nesta semana a esquerda, sobretudo representada pelo PCdoB, votou a favor do perdão das dívidas bilionárias das igrejas.

A proposta, apresentada pelo deputado federal David Soares (DEM-SP), filho do missionário R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, prevê o perdão de dívidas milionárias das igrejas com a União. Ou seja, trata-se da ampliação de privilégios que essas organizações de propaganda reacionário recebem por parte do Estado brasileiro.

Contudo, a esquerda apoiou a medida, tendo como caso mais absurdo o do PCdoB, que orientou sua bancada a votar favorável. Alice Portugal (BA), Jandira Feghali (RJ), Márcio Jerry (MA), Orlando Silva (SP), Perpétua Almeida (AC), Professora Marcivania (AP), Renildo Calheiros (PE) apoiaram a medida do deputado do DEM. Apenas um deputado pcdobista não votou favorável ao perdão de dívidas às igrejas, Daniel Almeida (BA), que se ausentou para não participar da mesma desmoralização que os colegas de partido.

Ao invés de combater, de delimitar as forças, de impulsionar a luta contra o bolsonarismo e denunciar seus aliados evangélicos, a esquerda se apresenta como um bolsonarista de esquerda, quem sabe ganha-se alguns votos, apostando no que há de mais atrasado, principalmente na classe média. Isto é o caminho mais seguro para a derrota política das forças populares e deve ser repudiado completamente, pois não é um acontecimento secundário, coloca a esquerda a serviço de líderes religiosos fascistas, como Silas Malafaia,

A esquerda tem que ser favorável a liberdade de consciência, portanto, à liberdade religiosa, pois cada um tem que ter o direito de pensar o que quiser. No entanto, a esquerda deve denunciar as igrejas que atuam de uma maneira reacionária. Quando uma igreja atua na política, não é mais uma questão religiosa, mas sim política. Se um bispo, como ocorre no Rio de Janeiro, com o bolsonarista Marcelo Crivella, ele não é apenas um líder religioso, mas sim um político. Se a igreja tem a posição de um bispo como esse, deve ser criticada. Ou seja, a atuação reacionária das igrejas deve ser criticada.

Se a esquerda não faz esse trabalho, não está preparando ninguém para a luta política, não está impulsionando o desenvolvimento da consciência do povo. Este é um problema muito sério na esquerda neste momento. Por isso a esquerda está sem saber o que fazer. Isto ocorre devido ao seguinte raciocínio:

“Nós perdemos a eleição porque o Bolsonaro conquistou o povo com a questão da segurança, a outra questão e outra questão. Logo, façamos como o Bolsonaro.”

Este raciocínio é falso, pois a esquerda precisa vencer através das suas próprias ideias. Se uma situação é negativa, é necessário superá-la convencendo a população da sua própria política, se não a esquerda não é um agente político real dentro da sociedade. Por isso, a esquerda deve sim criticar as igrejas na medida em que elas intervém como propagandistas e doutrinadores da política reacionária, burguesa, contra a classe operária e intervém no Estado para defender os interesses dos capitalistas, contra o povo.

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