Manobras da burguesia
Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia, escreve um artigo em que defende as manobras da burguesia imperialista contra Donald Trump e contra Glenn Greenwald
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Nova Iorque - EUA, 21/09/2016. Presidente Michel Temer durante encontro com a imprensa brasileira e internacional. Foto: Beto Barata/PR
Joe Biden foi um dos articuladores do golpe de 2016 no Brasil | Foto: reprodução

As eleições dos Estados Unidos da América estão mostrando o papel reacionário e de reboque da direita e do imperialismo. O embate entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden está colocando a esquerda alinhada, não somente com a direita, mas com o centro do imperialismo mundial.

Para derrotar Donald Trump, a burguesia que domina os EUA realizou uma enorme operação para censurar Trump. A imprensa burguesa procurou em todos os momentos atacar Donald Trump e defender Joe Biden, incluindo seu passado criminoso e genocida. A crise dentro dos EUA durante as eleições e suas artimanhas para derrotar Trump agravou ainda mais esse impasse dentro dos EUA.

Diante dessa situação, a esquerda se colocou abertamente ao lado do que existe de pior no imperialismo e de uma política de censura e manipulação realizada pelo principal setor da burguesia norte americana. Em sua coluna no sítio de notícias Brasil 247, a jornalista Denise Assis, pertencente a organização Jornalistas pela Democracia, escreveu um artigo onde o próprio título já demonstra a posição tomada pela autora “Redes de TVs fizeram história. Calaram um impostor, não um presidente”.

Sobre a censura a Trump, a jornalista disse que “ali não se tratou apenas de fazê-lo calar. Tratou-se, isto sim, de demarcar o limite de até onde pode um presidente de qualquer canto do mundo”. As perguntas que ficam é qual é esse limite e quem define esse limite.

A jornalista pela democracia ainda defende a censura realizada pelo The Intercept contra Glenn Grenwald. “Ninguém pediu a minha opinião, mas dentro do alvoroço que se formou entre ele ter sido “censurado” ou “editado”, estou com Naomi Klein.” Disse.

O artigo da jornalista demonstra que a esquerda não entendeu o que ocorreu dentro dos EUA e as consequências de apoiar deliberadamente a política de censura mesmo quando isso ocorre contra um direitista como Donald Trump.

A censura ocorreu de maneira aberta e em todos os meios de comunicação

Essa censura também ocorreu dentro dos meios de comunicação progressistas como o The Intercept jornalista norte-americano e fundador desse mesmo site, Glenn Greenwald. Glen Greenwald foi censurado pelo The Intercept ao tentar publicar uma denúncia que atingia o candidato Democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden.

As redes sociais, importante meio de comunicação realizado por Donald Trump, o Facebook e Twitter censuraram a conta do presidente dos EUA e até derrubaram uma rede de dezenas de páginas de apoiadores de Trump no mundo.

Ficou evidente que os poderosos dos EUA e responsáveis pela política genocida dos EUA, como Wall Street, a CIA, setores do partido Republicano e a direita do Partido Democrata e os monopólios de comunicação norte-americanos manipularam as eleições descaradamente em favor de Joe Biden.

Essa censura demonstrou os principais os setores da burguesia responsável pelo imperialismo norte-americano que impõe uma política genocida e criminoso em escala global.

O perigo da esquerda estar a reboque da direita imperialista

A posição da jornalista Denise Assis de apoiar a censura contra Donald Trump foi a mesma de entidades e personalidades da esquerda e de setores progressistas. Mas essa posição pode ser considerada no mínimo um equívoco.

Qualquer censura deveria ser repudiada pela esquerda, mesmo que essa seja realizada contra a direita ou pelos elementos mais repugnantes da política. Caso essa censura seja colocada como uma manobra de um dos principais países imperialistas do mundo e da burguesia que o controla agrava muito a posição da esquerda de se colocar em apoio a censura realizada contra Donald Trump para favorecer Joe Biden.

Em primeiro lugar deveríamos entender o porquê a censura a Trump não deveria ser minimamente apoiada. Apesar de Donald Trump ser uma figura repugnante e com um discurso fascista, seu papel está em total descordo com a política do imperialismo norte-americano, em particular com a indústria da guerra. O candidato preferido do imperialismo é Joe Biden. Biden é o típico candidato favorito do imperialismo e que consegue colocar em prática a cartilha desse setor que parasita e destrói uma enormidade de países por todos os continentes. E, ainda, que fortalece a política imperialista de diversos países do mundo, fato que não ocorre com Donald Trump que tem uma política independente.

Somente esse fato já seria um absurdo apoiar Joe Biden e a censura contra Donald Trump. O segundo ponto é que a censura e a defesa dessa política sempre se voltam contra a esquerda.

Em uma entrevista, o jornalista censurado Glenn Greenwald fez uma afirmação correta. “… ninguém gosta de fake news, de discurso de ódio, mas o problema é se você dá o poder de censura para um juiz, para uma instituição, um governo, um presidente, uma empresa grande acreditando que eles vão censurar como você quiser, acho que isso é uma ilusão, quem vai ser a vítima não é a direita ou os poderosos, vai ser a esquerda, os marginalizados, sempre são as pessoas, isso são os alvos da censura… isso é meu problema, um poder enorme que sempre é abusado”, disse Greenwald.

Nesse caso é importante lembrar que Glenn Greenwald foi censurado pelo The Intercept por justamente demonstrar no seu artigo que Joe Biden não era diferente de Trump e que possui ainda mais condições de impor uma agenda da guerra e de golpes pelo mundo.

É um excelente exemplo do erro em apoiar a política de censura e que isso vai ser utilizado contra a esquerda e setores que denunciam os crimes do imperialismo. Os crimes cometidos pelo imperialismo em países do Oriente Médio, da África e da América Latina nunca seriam colocados para população se a política de censura da burguesia tivesse sido impulsionada.

Organizações de esquerda defenderem a censura como método para controlar a direita é uma política equivocada, ainda mais vindo de uma jornalista que participa de uma organização chamada Jornalistas pela Democracia.

Os critérios para censurar ou como foi colocado para colocar limites nos excessos será estabelecida pelo setor da sociedade que domina os países imperialistas e que cometem os maiores crimes em nome da chamada democracia, a burguesia imperialista e nunca os trabalhadores ou algum setor progressista da sociedade.

Portanto, uma manobra do imperialismo para o imperialismo derrotar Trump não deve ser comemorada e propagandeada como uma medida necessária e eficaz pela esquerda ou pelos trabalhadores. É preciso denunciar o caso de censura, que sempre se voltará contra a esquerda no momento em que a burguesia achar conveniente.

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