Polêmica
Essa “convivência democrática” com a direita golpista é a síntese da frente ampla, ou seja, uma aliança com a burguesia que ataca constantemente os trabalhadores.
SÃO PAULO, SP, 27.10.2018: JOAO DORIA - SP: O candidato a governador de São Paulo, João Dória (PSDB), faz campanha corpo a corpo com eleitores no bairro do Capão Redondo, zona sul de São Paulo (SP), neste sábado (27). (Foto: Luiz Claudio Barbosa/Código19/Folhapress) ***PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS***
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Em uma matéria publicada na direitista revista Veja, “Doria é convidado para congresso organizado pelo PT e siglas de esquerda”, é veiculada a noticia de que, em evento organizado pelos partidos da esquerda, tendo o PT como principal organizador, foram convidados para debater o cenário político e a crise sanitária os “novos heróis” do povo, como o governador paulista João Doria e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A mesa que Doria estará tem como tema o Pacto federativo, a crise financeira e a crise sanitária que contará, além do governador de São Paulo, dos governadores Rui Costa (PT-BA), Flávio Dino (PCdoB-MA) e Renato Casagrande (PSB-ES). É interessante notar que, entre os colegas de mesa, estarão dois dos principais defensores da frente ampla na esquerda, Rui Costa no PT e Flavio Dino do PCdoB.

A presença de Doria nesse evento e nessa mesa em particular não é evidentemente uma questão técnica, mas uma expressão política da frente ampla proposta pela direita do PT e o PCdoB. A reportagem dá destaque à aproximação do governador direitista João Doria com a cúpula do PT, que vem sendo realizada devido ao “confronto” entre Doria e Bolsonaro em torno do isolamento social em razão da pandemia de Covid-19.

O governador de São Paulo é um notório político da extrema-direita, que inclusive tomou conta do PSDB, indicando a passagem da burguesia para posições extremamente golpistas. Além do mais, a carreira política de Doria foi construída por uma forte contraposição ao PT, com viés extremamente autoritário.

Apresentando-se como o candidato antipetista por excelência, Doria derrotou Haddad na disputa eleitoral para a prefeitura de São Paulo em 2016, quando de maneira acintosa explorou na sua campanha eleitoral municipal os ataques contra o PT promovidos pela imprensa capitalista no quadro do golpe de Estado. Esse capital antipetista e contra a esquerda credenciou Doria como candidato ao governo de São Paulo em 2018, quando foi constituída a campanha Bolsodoria.

Entretanto, agora é o próprio PT, que foi derrubado do poder federal pela direita, que convida Doria e outros golpistas para um evento.

“A disputa partidária continuará. Nossas diferenças não são pequenas, mas, no momento, há um desafio comum que é a defesa da vida e da economia. É preciso criar convergências para mitigar efeitos da crise e para lidar com a questão sanitária. Debater ideias é fundamental para a convivência democrática”, afirmou Mercadante. (site Veja)

Essa “convivência democrática” com a direita golpista é a síntese da frente ampla, ou seja, de uma aliança com a burguesia, constante agressora dos trabalhadores.

Nos últimos anos, a defesa dos direitos democráticos do povo passou necessariamente pela luta contra o golpe. Inicialmente, a questão colocada era mobilizar e impedir a derrubada do governo, eleito democraticamente, de Dilma Rousseff. Posteriormente, com a realização do impeachment, a luta contra o golpe se deu na mobilização pela anulação do impeachment (ou seja, a volta de Dilma) e contra a prisão (pela liberdade) do ex-presidente Lula.

Na medida em que a direita golpista demostrou que não estava disposta a respeitar os arranjos do “pacto democrático” da transição, o golpe foi dado. Importantes setores da direita do PT, e seus aliados (PCdoB) passaram a defender insistentemente a “virada da página do golpe”. A política de frente ampla com a burguesia não é somente a expressão dessa “ virada”, mas representa a tentativa desses setores da esquerda de uma “convivência” com a direita, e mais que isso uma aliança que coloca o movimento popular a reboque da direita golpista.

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