Haddad no Roda Viva
Na entrevista, o ex-candidato a presidente pelo PT evidencia as ilusões na política da frente ampla e seu consequente desprezo pela mobilização popular
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2020.07.07 Haddad no Roda Viva
Fernando Haddad, no programa Roda Viva nesta segunda | Foto: Reprodução página de Fernando Haddad no Facebook

Nessa segunda (6/7), o ex-candidato a presidente, Fernando Haddad (PT), concedeu entrevista ao programa “Roda Viva” da TV Cultura.

No início, Haddad foi introduzido pela apresentadora Vera Magalhães como o candidato da frente ampla eleitoral em 2018, que fracassou devido a não adesão de Ciro Gomes.

Em seguida, a jornalista falou da participação do ex-prefeito no ato virtual chamado pela frente “Direitos Já”, que reuniu mais de 100 políticos da direita e esquerda no País, mas que não teve a participação de Lula – “porque não quis”, disse a apresentadora – nem do ex-ministro Sérgio Moro, que não foi aceito na atividade. E perguntou se é possível falar em frente ampla com a exclusão dos 2 principais agentes da política brasileira e se isso não acaba beneficiando o governo Bolsonaro? Essa oposição da Lava Jato, o Brasil não tem que superar essa fase?

“O PT ganhou 4 eleições, poderia perder a quinta. É natural da democracia a alternância de poder.”

A ideia, apresentada durante a campanha de 2018, de que a disputa eleitoral em curso representava o fascismo (Bolsonaro) contra a democracia (Haddad) se transformou na de que o governo Bolsonaro é parte “natural” da democracia? O que houve com a luta do fascismo versus democracia? Essa contradição, consciente ou não, de saída já legitima a própria fraude eleitoral, com a subida da extrema-direita ao poder em prejuízo do povo, do PT e de toda a esquerda.

Esse será o tom da entrevista, uma concessão à frente ampla e à extrema-direita.

“É óbvio que nós não temos o mesmo projeto para o Brasil. Os democratas têm projetos diferentes para o Brasil, mas todos pressupõem a democracia.”

Por que considerar que os projetos dos democratas da frente ampla (PSDB, DEM, MDB e afins) pressupõem a democracia, se justamente foram esses “democratas” que deram o golpe de Estado de 2016, derrubando Dilma? O que dizer então da prisão e cassação de Lula, da aprovação da reforma trabalhista, a da previdência e mais recentemente a privatização da água?

Em nenhum sentido da palavra democracia dá para considerar que FHC, Temer, Maia e a corja golpista seja democrata. Não há como saber na entrevista se o ex-candidato à presidência pelo PT acha que os golpistas são democratas. O que fica claro é que a premissa é um cálculo eleitoral, pressupondo que esses “golpistas democratas” seriam a base para a uma possível candidatura de oposição a Bolsonaro na disputa eleitoral em 2022.

Isso fica exposto pelo próprio Haddad, que fala o seguinte sobre a campanha da Folha de S.Paulo:

“Por que um jornal, como a Folha de S.Paulo, está colocando dinheiro, fazendo campanha pela democracia? Porque sente que a ameaça está no ar.”

Ideias como o PT e a esquerda terem errado na questão da segurança pública e o PT “ter nascido como crítico à esquerda autoritária” representam concessões muito agudas à direita. Uma vez que a segurança pública é uma pauta tipicamente reacionária e que a “esquerda autoritária” seria a esquerda que lutou contra a ditadura e a que defende a derrubada do capitalismo.

A entrevista ainda passa por vários temas, como a crise econômica, a educação, a pandemia, o papel da esquerda nas eleições. No entanto, é basicamente uma entrevista em que a direita tradicional, representada pela apresentadora e os entrevistadores – que são de veículos como Folha de S.Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo, UOL e Valor Econômico – pressionam o ex-candidato do PT a se diferenciar da ala lulista do partido, explorando as diferenças entre Haddad e Lula, para que Haddad defenda a frente ampla.

Haddad tangencia as críticas a Lula, defende o ex-presidente aqui e acolá, mas sempre com argumentos morais, como “honra”, “família”, mas sem entrar na questão do golpe de Estado de 2016 e na fraude eleitoral de 2018.

Haddad chega a revelar que vê o governo Bolsonaro como um governo fascista. No entanto, o método que propõe para enfrentá-lo é apenas institucional. Ou seja, fica claro que não se compreende realmente o que o fascismo significou para a esquerda e a população na história e o que significa hoje. Em nenhum momento, a questão da mobilização popular é tratada, o que permite entender no que se baseia a política de frente ampla, de que, apesar das ameaças ditatoriais e de regime de força, que são citadas, o caminho é se aliar com os democratas FHC, Maia e Temer.

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