Doria e PSDB-SP são responsáveis por 1/3 dos despejos na pandemia

Tem importância a eficácia?

A eficácia das vacinas é o que menos importa no capitalismo

Se fala muito da eficácia das vacinas, mas o que se vê é uma completa deliberação do imperialismo para o uso da vacina: "compre de mim"

Coronavac, Pfizer pode; Sputnik não – Arquivo

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Atualmente fala-se muito em eficácia da vacina, equipara-se umas com as outras etc. Porém, o assunto é encoberto por interesses econômicos e políticos levando a uma boa dose de confusão. O que nos propomos aqui é esclarecer alguns pontos das eficácias das vacinas e fazer uma análise política real dos fatos.

Eficácia global de uma Vacina

A prática para medir a eficácia de uma droga (vacina ou medicamento), em resumo, se define nos seguintes passos: os voluntários se dividem em dois grandes grupos: um grupo recebe a vacina “real”, e a outra parte recebe o que chamamos de placebo. O placebo, podemos dizer, é um medicamento “falso” sem eficácia nenhuma, porém similar aos olhos humanos. Não é dito para nenhuma pessoa se ela tomou a vacina “real” ou placebo. Após um determinado tempo, de acordo com o procedimento, confere-se quais participantes adquiriram o vírus em cada grupo e então temos a eficácia da droga.

Quando se diz que uma vacina ou medicamento é  “x% eficaz” contra a alguma doença, falamos que ela reduz o risco de contrair a doença em “x%”, baseado no experimento. Um exemplo hipotético: se a vacina para a gripe é 80% eficaz, podemos então dizer que ela reduz em 80% as chances de quem tomou a vacina adquirir o vírus. Em termos práticos: a cada dez pessoas que tomarem a vacina, 8 estarão imunes e 2 não serão imunizadas. 

Como exemplo prático e real, o laboratório russo informou que a vacina russa Sputnik V é 91,6% eficaz contra as manifestações sintomáticas do vírus, de acordo com os resultados publicados na revista médica The Lancet. Os pesquisadores russos determinaram essa porcentagem, já que 16 dos 14.900 voluntários que receberam as duas doses da vacina foram diagnosticados positivos, em comparação com 62 dos 4.900 que receberam um placebo.

A taxa de eficácia geral, então, representa a proporção de redução de casos entre o grupo vacinado, comparado ao não vacinado. Vejamos tabela abaixo:

Tabela1
Resultados da Vacina Sputnik. Apenas 0.11% adoeceram contra 1.27% que não tomou o placebo.

Para descobrirmos a eficácia da vacina devemos a proporção entre os valores de adoecidos. Neste caso chegamos a um ganho de 91.5% para quem tomou a vacina.

Fizemos uma explicação geral do teste, porém isto deve envolver diversos tipos mais de considerações, como faixa etária, sexo, raça, país etc. O que se viu é que até o momento nenhuma vacina seguiu todos os protocolos para a medição completa da eficácia. Todas foram aferidas desconsiderando diversas etapas do processo, acusando a falta de tempo. Tal é a complexidade, devido a vários fatores dos grupos participantes, os testes completos de uma nova vacina levam em torno de 5 anos para obter-se a certificação.

Define-se eficácia global a eficácia para imunizar completamente uma pessoa, para que ela não adquira o vírus. Podemos ver a eficácia global das principais vacinas disponíveis no mercado na tabela abaixo:

Tabela2
A Coronavac é a vacina com menor eficácia. Contudo não se tem garantia nenhuma nesses valores

A vacina Coronavac, tão endeusada pelo bolsonarista governador do estado de São Paulo João Doria, tem apenas 50% de eficácia global. O que nos leva à seguinte consideração: se vacinarmos 200 milhões de brasileiros com a Coronavac, teríamos aproximadamente metade da população imunizada – 100 milhões – e a outra metade sem imunização. O laboratório Chinês Sinovac se defende, argumentando que a vacina possui uma eficácia global de 50.4%, contudo, protege 78% em casos leves e 100% em casos graves e moderados. Mesmo assim uma vacinação em massa da Coronavac reduziria o número de mortes, contudo não levaria à queda brusca das doenças. Como exemplo, o Chile produziu uma vacinação de grande porte com a Coronavac, porém os casos continuaram em patamares altos, gerando insatisfação no governo. O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, Gao Fu, disse que os medicamentos chineses “não têm taxas de proteção muito altas” e que o país está estudando aumentar as doses e o intervalo entre elas.

Mas podemos verificar que a eficácia de nenhuma das vacinas acima é um caso consolidado. Como já falamos, poucos testes foram feitos em comparação ao protocolo real, e a realidade aparecerá apenas na prática. Ninguém garante que não os dados não sejam manipulados para especular nas bolsas. Vejamos o próprio Estados Unidos, que pratica uma vacinação massiva e ainda o número de mortes fica quase na casa das 700 pessoas diárias.

Apartheid Sanitário

Porém não é pela eficácia que uma vacina sobrevive no capitalismo. Os interesses imperialistas com os ganhos que a vacina pode trazer para os laboratórios e os investidores é claramente o fator decisivo. Sem muito esforço quando se navega em páginas de investimentos na internet, a orientação é a compra de ações de empresas do ramo. Enquanto a população morre, um setor se anima com o crescimento do lucro dessas empresas farmacêuticas.

Os países de terceiro mundo não ficam esperando um milagre da vacina, como também são postos em paralisia em relação à pesquisa. O Brasil com mais de seus 100 institutos de pesquisas ficou de mãos amarradas na pesquisa e desenvolvimento de uma vacina nacional. O máximo que o país está fazendo é embalar produto comprado no exterior, sem autonomia e conhecimento da fórmula. Cuba, como exemplo de maior autonomia, trabalha em cinco projetos de vacinas: Soberana 01, Soberana 02, Soberana Plus, Abdala e Mambisa. Neste mês de maio, Cuba anunciou a produção industrial da Abdala, e uma parceria foi assinada entre Cuba e Venezuela para a produção das vacinas cubanas em solo venezuelano.

Além de haver uma pressão do imperialismo para travar qualquer desenvolvimento científico, o mesmo pressiona o governo, através da Anvisa, a literalmente boicotar a Sputnik V, com 91,4% de eficácia global, e valor menor de 10 dólares por dose – preço da Coronavac e Pfizer – por pressão do imperialismo norte americano. Isso motra que eficácia ou coisa do tipo não tem nenhuma serventia. A Coronavac foi aprovada por pressão da burguesia brasileira com 50% de eficácia, numa tentativa de lançar Doria como candidato em 2022. Sem qualquer argumento plausível, uma das vacinas mais baratas e eficazes do mercado está sendo colocado de lado por pressão do capitalismo estrangeiro, que pressiona o governo fascista de Jair Bolsonaro a adquiri lotes da Pfizer e Johnson & Johnson.

O jogo dentro do mercado especulativo é tão intenso e lucrativo para os capitalistas que a Pfizer inflacionou em 20% o preço da vacina no segundo lote, em relação ao primeiro comprado pelo governo brasileiro. Uma boa parte dessa inflação vem devido à procura de vacinas pelos Governos Europeus, que querem vacinar a população para o verão que se aproxima no hemisfério norte, e o próprio surgimento das variantes também é dito como influenciador. Ainda mais preocupante para os países de terceiro mundo, é que os países imperialistas já estão fechando contratos de longo prazo, cobrindo 2022 e 2023 com as fabricantes.

O próprio primeiro-ministro da Bulgária, Boyko Borisov, sendo de um país de economia fraca da Europa reclamou: “A [vacina da] Pfizer custava 12 euros, depois passou para os 15,50. Estão a ser assinados contratos para 900 milhões de vacinas a um preço de 19,50 euros”. Ou seja, a tendência é que os valores continuam inflacionando nos próximos meses e anos.

Enquanto um punhado de empresas farmacêuticas aumentam seus lucros na pandemia, a discussão da quebra da patente da vacina fica apenas em um plano superficial, não vingando pela pressão dos monopólios capitalistas. Na prática, a população trabalhadora morre para garantir grandes lucros de menos 10 empresas fabricantes de vacinas no mundo e seus tubarões de investimento.

A COVID veio para mostrar a face podre de todo o sistema capitalista, e como este já não consegue mais sobreviver minimamente, senão através da morte sistemática do povo trabalhador em todo mundo. Na pandemia os ricos ficaram mais ricos, enquanto outro setor mergulhou definitivamente na miséria sem volta.

A única coisa que se sabe é que o futuro da vacinação é incerto. Em um ato criminoso, os estados burgueses não abrem o caixa-preta das farmacêuticas, deixando de lado a discussão da quebra das patentes; os valores das vacinas inflacionam podendo chegar a valores inviáveis para países periféricos; e novas variantes surgem toda semana parecendo nunca ser suficiente a vacinação. O mundo ainda está muito longe de uma solução, se é que existe alguma solução do sistema para a crise sanitária.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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