Crise capitalista
Sem conseguir equacionar todas as nuances da situação econômica, com centenas de milhares de mortos e dezenas de milhões de desempregados, o governo segue com uma chaga aberta
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
grafico-economia-recessao-crise-bandeira-do-brasil-1536849608741_v2_1920x1920
Situação da economia nacional: queda livre | Reprodução

Os resultados do genocídio e da destruição da economia nacional não são uma fatalidade, mas uma política do governo golpista, imposta pela burguesia imperialista e seu apêndice nacional. No entanto, Bolsonaro vem enfrentando dificuldades em aplicar integralmente este programa, devido a não conseguir dar uma resposta que solucione a grave crise numa economia que se mantém em queda livre em inúmeros indicadores, do PIB ao desemprego.

Desemprego

Rumo aos 160 mil mortos, o governo Bolsonaro levou o país a 14% de desempregados. Na última sexta (23), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-COVID), que o país atingira a marca de 13,5 milhões de desempregados em setembro. Recorde da série histórica, o aumento é de mais de 33% desde maio (primeiro trimestre que já trouxe dados após a pandemia).

Fonte: Sítio do IBGE na internet. https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php

Mas não é só isso. O IBGE, em sua pesquisa PNAD-COVID, mostrou que a população ocupada (empregados, empregadores, trabalhadores por conta própria, servidores) era de 85,9 milhões no trimestre até maio. Isto representava uma queda de 8,3% frente aos três meses anteriores. O detalhe é que este número é menos da metade do total da população em idade para trabalhar (maior de 14 anos), sendo o pior resultado da série histórica, iniciada em 2012.

Este dado fica subnotificado porque o IBGE não considera todas as pessoas que estão sem trabalho como desempregadas. A categoria que o Instituto classifica como desalentados, por exemplo, pessoas que pararam de procurar emprego, não entra na taxa de desemprego. Portanto, a taxa oficial de desemprego, que foi divulgada esta semana como 14%, não corresponde a todos os milhões de brasileiros, que apesar de não se encaixarem nos critérios do desemprego do IBGE, estão sem renda e sem condições mínimas de sobrevivência.

Em outras palavras, o governo golpista levou o Brasil, pela primeira vez, a ter mais desocupados do que ocupados.

Inflação

Segundo dados do IBGE, o País chegou ao pior resultado o índice de inflação medido pelo IPCA desde 2003, quando os resultados refletiam o último ano do governo neoliberal de FHC (PSDB), quando o índice apurado foi de 0,73%. Isto quer dizer que enquanto o governo aprova medidas para redução do salário, como a reforma trabalhista e a MP 936 (redução da jornada e do salário), os preços sobem. Logo, o trabalhador perde 2 vezes e vê seu poder de compra reduzido a comprar no máximo os alimentos básicos. Dado que fica claro no fato do auxílio emergencial ter sido utilizado na maior parte dos casos para comprar comida, como apontou a própria imprensa burguesa.

É neste sentido que a burguesia se mantém atenta ao indicador, que está sempre diretamente relacionado com a latência da mobilização popular em curso. Quanto maior a inflação, mais se deterioram as condições de vida dos trabalhadores, que tendem a se levantar contra tal condição de miserabilidade.

Fuga de Capitais

Outra dado que revela a crise da economia nacional é o fato dos capitalistas estarem retirando seus recursos do país e investindo em outros lugares do mundo, para preservar seu patrimônio diante das incertezas da economia brasileira.

O governo estima que desde o início da pandemia, 88 bilhões de reais teriam sido retirados do País, o que representa o dobro do ano passado! Isto considerando que ainda faltam mais de 2 meses para o fim do ano. É um sinal claro da burguesia de que a situação política no Brasil não vai nada bem. Um alerta dos capitalistas para os próprios capitalistas.

Um governo sem coesão

Resultado direto do golpe de Estado de 2016 e da fraude eleitoral de 2018, o governo Bolsonaro assumiu com a tarefa de manter o programa de terra arrasada dos golpistas iniciado com Temer (MDB). Manteve toda a política econômica de Temer, fatiando estatais para entregá-las de mão beijada ao capital estrangeiro, destruindo a economia nacional e abrindo os cofres públicos para os banqueiros sob o pretexto da pandemia e de “salvar a economia”, leia-se salvar os capitalistas.

Porém, se por um lado o governo tinha o mesmo programa, sua composição tão improvisada ou mais que a do próprio governo Temer, fez com que houvesse uma dificuldade muito maior para a implementação do mesmo programa. O próprio PSDB chegou a fazer chacota do governo Bolsonaro ao dizer que o ministro da economia, Paulo Guedes, “só vendeu ilusão”, mas nenhuma estatal. De outro lado, a dificuldade do governo em promover as reformas e o programa neoliberal dos banqueiros, expressou a divergência interna que se desenvolvia e que ficou marcada pelos conflitos da Economia com a Casa Civil e da disputa pelo orçamento público, o que fez com que o governo tivesse ficado paralisado ou debilitado numa série de medidas, como a aprovação da reforma da previdência ou a discussão da reforma tributária.

Sem conseguir equacionar todas essas nuances da situação econômica, com centenas de milhares de mortos e dezenas de milhões de desempregados, o governo segue com uma chaga aberta, que impede de executar tudo o que a burguesia o elegeu para fazer. É esta contradição na qual se abre todas as possibilidades de intervenção dos trabalhadores na situação política, pois, apesar de todo o teatro de extrema direita e da direita, a burguesia não pode resolver a situação econômica com discurso. É preciso superar os problemas concretos trazidos pela crise, a disputa se será pela esquerda, atendendo os interesses dos trabalhadores, ou pela direita, com a burguesia impondo uma derrota ainda maior ao povo brasileiro.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas