11/03/1947
Discurso do presidente norte-americano ao Congresso Nacional é tido como o início da Guerra Fria para alguns historiadores

Por: Redação do Diário Causa Operária

No dia 12 de março de 1947, teve início a Doutrina Truman, a política externa encabeçada pelo governo dos Estados Unidos da América durante o Governo de Harry S. Truman voltada aos países capitalistas após a Segunda Guerra Mundial. A doutrina tinha como objetivo evitar que o socialismo se expandisse dentro das nações capitalistas da época, principalmente as que os EUA consideravam especialmente influenciáveis.

O discurso de Truman de março de 1947, quando afirmou, diante do Congresso Nacional, que os países capitalistas deveriam se defender da “ameaça comunista” é, para parte dos historiadores o marco inicial da chamada Guerra Fria.

Junto á ofensiva contra o comunismo, uma das primeiras atitudes tomadas pelos Estados Unidos após a guerra foi a de, oportunamente, oferecer apoio financeiro para a reconstrução da Europa, através do posterior Plano Marshall. O plano, além de favorecer a consolidação dos Estados Unidos como um país de primeiro plano do imperialismo mundial, também tinha como fim impedir que os países europeus convulsionassem e dessem lugar a uma onda de revoluções da classe operária. A Grécia e a Turquia, por exemplo, receberam ofertas de empréstimos desde que seus governos implantassem políticas externas favoráveis às nações capitalistas.

A preocupação do imperialismo com o comunismo não vinha propriamente da desastrosa política da União Soviética stalinista, mas sim da crise que tomou conta do planeta após a guerra mais mortífera da história da humanidade. O mundo todo estava à beira da explosão, de modo que os levantes revolucionários da classe operária eram um perigo em todos os continentes.

O stalinismo, na verdade, serviu para amortecer essa tendência revolucionária. Como nas guerras napoleônicas, neste período, o stalinismo fez um pacto não-verbal com o imperialismo para dividir o mundo em dois, um tratado imperial. Um tratado que durou bem pouco, mas que serviu para afogar vários movimentos que poderia dar lugar ao surgimento de novos Estados operários.

Como a crise era cada vez maior, o imperialismo teve mudar de política pouco depois da Segunda Guerra, declarando guerra aberta ao comunismo. Não a Stalin, mas à onda revolucionária que ameaçava a Europa de conjunto. Logo após a implantação da Doutrina Truman e o Plano Marshall, seria ainda implantada, também pelo imperialismo norte-americano, a política macarthista. Tal política rompeu com os acordos firmados até então entre os blocos capitalistas e socialistas como se nunca nem tivessem existido. O macarthismo foi uma espécie de “caça as bruxas”, uma campanha de perseguição aos comunistas em território norte-americano. O crescente medo do comunismo e da espionagem soviética levou milhares norte-americanos a serem acusados de comunistas entre os anos 1940 e o fim dos anos 1950. Os principais alvos eram os servidores públicos, artistas, diretores, roteiristas, músicos, cientistas, educadores e sindicalistas. Nomes como os de Charlie Chaplin, Albert Einstein, J. Robert Oppenheimer e Edward U. Condon estão entre os acusados que sofreram forte perseguição política pelas medidas do macarthismo.

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