Cãezinhos dos monopólios
Com Bolsonaro, o capital imperialista avança sobre a economia nacional
vale-mineradora-brumadinho-30012019174813732
Vale, de patrimônio nacional a presente para o imperialismo | Foto: ADRIANO MACHADO/REUTERS
vale-mineradora-brumadinho-30012019174813732
Vale, de patrimônio nacional a presente para o imperialismo | Foto: ADRIANO MACHADO/REUTERS

A presença do capital nacional e público na Vale está encolhendo na mesma medida em que cresce a presença do capital imperialista na empresa. Isso se deve à política neoliberal aplicada pelo governo Bolsonaro, cujo objetivo é entregar de vez o controle da empresa ao imperialismo, completando assim a obra de Fernando Henrique Cardoso, que há 24 anos privatizava, melhor dizendo, entregava a empresa ao capital privado.

Em 2020 o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vendeu mais de R$10 bilhões das ações que detinha na companhia. O mercado já conta com a venda das ações dos fundos de pensão como Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Funcef (funcionários da Caixa) e Petros (da Petrobrás) que juntos possuem 9,8% das ações da mineradora.

De acordo com a imprensa capitalista, como destaca matéria no golpista O Estado de S. Paulo, o crescimento do capital internacional na empresa é enorme. O fundo de investimento norte-americano Capital Group tem investido massivamente, o grupo já é detentor de mais de 15% das ações da Vale e pode chegar, de acordo com a legislação vigente, a 25%. Outras gigantes como a BlackRock e a Mitsui já têm cerca de 5%.

A empresa caminha para se tornar de capital disperso, o que significa sua desnacionalização completa, eliminando as prerrogativas que gozavam a união e o capital público. Os grandes capitalistas internacionais lucrarão enormemente (ainda mais com a alta do preço do minério de ferro) explorando os recursos naturais brasileiros, sem nenhuma contrapartida e pagando a preço de banana.

O BNDES pretende ainda este ano vender mais R$ 10 bi encerrando sua participação nas ações, também pretende vender R$ 6 bi debêntures participativas nos direitos minerais da Vale, o direito a esse debêntures é fruto ainda da privatização duas décadas atrás – esses serão postos à venda ainda este ano.

Quem está capitaneando essa cruzada contra os interesses nacionais e em favor do capital imperialista é o próprio governo por meio do Ministério da Economia em seu Plano Nacional de Desestatização (PND).

O mercado, ou seja o grande capital imperialista, avalia que o itinerário seguido pela empresa é extremamente positivo, pois retira da Vale os riscos que mudanças na direção política do País possam afetar a empresa. Uma forma de dizer que estão tomando de assalto a companhia, e consolidando essa conquista, e os recursos naturais do País independentemente do governo que se estabeleça.

A União ainda detém o chamado “golden share”, que é a capacidade de veto. Em abril está marcada a assembleia de acionistas que escolherá o novo colegiado, que pode alterar a prerrogativa da União. Em suma, do ponto de vista econômico o governo Bolsonaro é um complemento ao governo do tucano FHC; um governo de destruição e entrega do patrimônio nacional; um governo a serviço do capital estrangeiro e contra o povo brasileiro. Nesse sentido podemos estabelecer uma linha de continuidade entre eles com um hiato de reformismo no meio.

A privatização da Vale foi realizada em 1997, no governo de FHC e foi financiada com recursos do BNDES, um verdadeiro negócio da China. A um preço módico em relação ao valor da empresa e financiado pelo próprio governo, a Companhia Siderúrgica Nacional de Benjamin Steinbruch dentre outros abocanhou 41,73% das ações ordinárias (com direito de voto) que antes pertenciam à União; as ações preferenciais (sem direito de voto) continuaram com acionistas privados. De lá para cá o peso do capital público e nacional vem diminuindo e o poder do capital estrangeiro aumentando.

A Vale, que é hoje a maior empresa na Bolsa de Valores brasileira, avaliada em R$471 bi, foi uma verdadeira mina de ouro para os capitalistas, explorando os recursos brasileiros e lucrando enormemente. Em contrapartida proporcionaram ao povo brasileiro somente exploração, desastre e morte.

Os crimes de Mariana e Brumadinho, dentre outros, nos quais a empresa causou diretamente a morte de cerca de 300 pessoas, além de deixar centenas de desabrigados e provocar uma enorme destruição nas duas cidades, todos crimes impunes devido ao lobby que a empresa faz junto aos deputados e senadores, dão a dimensão do crime que constitui essa privatização. Permitir que o capital privado se beneficie dos recursos naturais do País, explorando a população nacional e causando desastres incomensuráveis, quando essa empresa deveria estar a serviço de todo o povo brasileiro.

A supremacia do capital estrangeiro não se restringe ao desvio de recursos do País ao exterior, o que já é efetivamente grave, mas também a maior influência do capital estrangeiro dentro do País, transformando-o em uma colônia de fato, ainda que não declarada; o capital estrangeiro também não se constrangerá em produzir muitos outros Brumadinhos e Marianas na sua avidez pelo lucro.

A obra criminosa iniciada nos anos de 1990 está agora alcançando seu objetivo final, que é entregar esses recursos aos capitais estrangeiros, o que está sendo feito pelo governo Bolsonaro, capacho do imperialismo.

Os trabalhadores são os únicos interessados em recuperar a empresa – enquanto o governo, a serviço dos capitalistas, luta para mantê-la nas mãos dos sanguessugas. É preciso lutar por um programa de fim imediato das privatizações e estatização das empresas que os governos entregaram aos capitalistas nas últimas décadas. Sem nenhum tipo de ressarcimento! É preciso lutar pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas (como João Doria, discípulo de FHC) e por Lula presidente, único capaz de mobilizar os trabalhadores em uma luta radical contra o golpe de Estado. Por um governo dos trabalhadores, sem os patrões!

Relacionadas
Send this to a friend