A ditadura no campo: assassinado Carlos Cabral, líder sem terra

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Nesta terça-feira, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Rio Maria, Carlos Cabral, foi assassinado por dois pistoleiros em uma moto. Cabral foi atingido por quatro tiros, sendo dois na cabeça.

Os tiros na cabeça evidenciam a execução realizada pelos latifundiários do líder sindical e da luta pela terra na região sudeste do Pará, município de Rio Maria. A região de Rio Maria é extremamente violenta contra os trabalhadores do campo e é conhecida como “a terra da morte anunciada”.

Cabral já havia sofrido atentado em 1991 e sobreviveu. Agora entra para as estatísticas de ser o terceiro presidente do sindicato que foi assassinado. Em 1985, João Canuto militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi assassinado com 15 tiros e em 1991, o sucessor de João Canuto na presidência do STR, Expedito Ribeiro de Souza, também foi assassinado por pistoleiros.

Na semana passada, Aluciano Ferreira dos Santos, foi assassinado no município de Brejo da Madre de Deus, Pernambuco. Aluciano era militante do MST e já havia recebido ameaças de morte, e estava no município escondido de pistoleiros após uma tentativa de massacre realizada por pistoleiros em 2009, quando o acampamento foi invadido a tiros e no confronto dois pistoleiros morerram. Desde então, foi preso e passou 8 anos na cadeia até ser julgado e inocentado.

Também na semana passada, quatro indígenas Guarani Kaiowá Carlito de Oliveira, Paulino Lopes, Jair Aquino Fernandes, Ezequiel Valensuela e Lindomar Brites de Oliveira foram a julgamento e três deles foram condenados, onde a pena dos três soma mais de 100 anos, por também se defenderem de um ataque de pistoleiros e policiais na Aldeia Bororo, município de Dourados, Mato Grosso do Sul. No que foi chamado pelos latifundiários de Chacina de Porto Cambira, quando três policiais em carro não identificado e nenhum uniforme ou identificação os policiais, invadiram a aldeia atirando e no confronto dois policiais/pistoleiros foram mortos. A perseguição contra os indígenas era enorme e o julgamento foi realizado em São Paulo devido ao envolvimento do judiciário sul-mato-grossense com os latifundiários.

Esses assassinatos, e em especial, de Carlos Cabral, uma liderança sindical e sem-terra conhecida revela que os latifundiários estão cada vez mais ousados em agir abertamente. Não se preocupam com as consequências, pois sabem que há uma ação conjunta entre latifundiários, justiça e forças policiais.

Assim é uma ditadura, onde os poderosos atuam contra os trabalhadores do campo, que nem podem se defender e as leis são utilizadas e manipuladas para reprimir ainda mais a luta pela terra. Há uma ditadura escancarada no campo, onde os latifundiários, pistoleiros e policiais fazem o que querem com a cobertura do judiciário.