A ditadura na USP: o que a direita quer recriar

No dia 21 de março foi entregue ao reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, o relatório da Comissão da Verdade da USP, que investiga e esclarece a intervenção da ditadura militar na Universidade entre os anos de 1964 e 1985.

A conclusão, baseada em farta documentação, não poderia ser outra: a ditadura militar instaurou um regime de terror na Universidade de São Paulo, tal como em todo o Estado Nacional, marcado pela perseguição política e ideológica, destruição completa da autonomia Universitária, degradação do ensino e pesquisa, bem como pela repressão brutal, por torturas, desaparecimento e assassinatos cometidos pelos militares contra estudantes, funcionários e docentes da Universidade.

O resultado do trabalho da Comissão foi reunidos em 10 volumes, compostos de documentos e relatos que esclarecem os fatos ocorridos. O relatório conta ainda com uma lista de mortos e desaparecidos que tinham relação com a Universidade.

Um dos pontos centrais de análise foi o papel desempenhado pela Assessoria Especial de Segurança e Informação (Aesi). Este órgão criado durante a gestão do fascista Miguel Reale tinha por objetivo “realizar triagem ideológica de alunos, professores e funcionários”. O Aesi foi responsável direto por mortes e perseguição já que seus informes eram transmitidos diretamente as Forças Armadas e a órgãos da repressão como o serviço Nacional de Informação (SNI), e o aterrorizante departamento de Ordem Política e Social (Deops), ou como afirma o documento: “Em muitos casos, a vigilância resultou em prisão, morte, desaparecimento, privação de trabalho, proibição de matrícula e interrupção de pesquisa acadêmica na instituição”.

Um dos casos em destaque é da professora do Instituto de Química da USP e militante política  Ana Rosa Kucinski, que, ao que tudo indica, foi sequestrada ao sair da Universidade levada a Petrópolis, no Rio de Janeiro, para  horripilante casa da morte, centro de tortura e execução da ditadura, onde foi, junto com seu companheiro, brutalmente torturada até a morte. O desaparecimento de Ana foi considerado cinicamente pela Universidade sob a intervenção militar  como abandono de trabalho, por tal motivo Ana foi demitida. Somente muitos anos mais tarde o Instituto de Química da Universidade reparou, na medida do possível, a injustiça, anulando a demissão e pedindo desculpas a família.

Esse era o clima de terror da Universidade durante a ditadura, qualquer pessoa com uma posição democrática, que fosse contra o regime terror que era a ditadura, contra a intervenção da direita na Universidade, etc., corria grave risco de vida, ou se rezava pela mesma cartilha da direita golpista de então, ou o Estado terrorista dirigido pela direita poderia trucida-lo. Sendo assim, toda a esquerda foi expulsa da Universidade pela força, criando uma universidade extremamente obscurantista.

É essa Universidade obscurantista, é o terror do Estado capitalista contra o povo, contra os direitos democráticos que a direita golpista quer impor novamente a população brasileira. E já se encaminham para isso.

A luta contra o golpe é, por conseguinte, pela educação pública livre e de qualidade para todos, a luta pela defesa dos direitos democráticos do povo, uma luta pela cultura e pela arte, pela civilização, e que deve ser travada com todas as forças e até o fim, contra  a barbárie; a selvageria que os capitalistas; a direita golpistas, essa escória, representa para hoje.