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A ditadura militar era racista: documentos mostram a perseguição ao movimento negro
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A ditadura militar era racista: documentos mostram a perseguição ao movimento negro
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A Ditadura Militar reprimiu todos os movimentos populares, o movimento negro, tão importante para emancipação da população negra não ficaria de fora da perseguição dos militares.

Documentos confidenciais do Arquivo Nacional revelam que os militares tentaram diretamente impedir o fortalecimento da luta dos negros. Infiltrando em grupos e perseguindo os líderes do movimento, para que enfim pudessem torturá-los e assassiná-los, assim como de fato foi feito. Já que durante o período foram assassinados ou desaparecidos 41 líderes do movimento negro após ações dos militares, de acordo com dados oficiais, mas obviamente foi muito mais que isso.

Para a ditadura, a luta contra o racismo era só uma desculpa para esses grupos causarem uma “desordem social”.

Quando os militares perceberam a organização do movimento negro em 1976, é citado no documento que logo começaram a monitorar as atividades do grupo. É citado também a preocupação que o regime ditatorial tinha da influência do movimento negro norte-americano no Brasil e as atividades culturais destinadas à propagação da cultura negra (escolas de samba, grupos de capoeira, casas de religiões de matriz africana).

Na investigação havia uma preocupação especifica com a Bahia, estado com um grande número de negros no País e onde crescia a organização do movimento de luta. Tanto que nos arquivos confidenciais há a seguinte citação:

“Ficou delineado que, em Salvador, os ‘centros de luta’ têm por função ‘mobilizar, organizar e conscientizar a população negra nas favelas, nas invasões (de terras urbanas), nos alagados, nos conjuntos habitacionais, nas escolas, nos bairros e nos locais de trabalho, visando a formar uma consciência dos valores da raça’.

Como ficou declarado numa propaganda adversa feita durante o governo do fascista João Figueiredo (1979-1985)  no jornal “O Trabalho” exemplar n° 9 106,  na publicação destaca-se a seguinte declaração:

“o negro, na medida em que se organiza, passa a ser considerado um perigo.”

Para quem tem a intenção de destruir os direitos do povo, qualquer organização de luta é considerada perigosa. Quando Bolsonaro estabelece a comemoração do golpe militar de 1964, não se resume em apenas comemorar a data, mas a intenção de restabelecer um regime que aniquile todo tipo de organização popular. O movimento negro preciso se organizar junto ao movimento de luta contra o golpe para derrubar Bolsonaro.