Burguesia teme cultura do povo
É cada vez mais difícil que um músico alternativo, com algum senso crítico, ou que um movimento artístico verdadeiramente popular, consiga furar a barreira dos monopólios
lps
Discos de artistas da música popular | Foto: Reprodução

No último domingo (28), o jornalista e pesquisador Tárik de Souza, ao analisar o cenário da produção musical, destacou o papel dos monopólios da produção fonográfica na ditadura hoje em voga no meio artístico. Segundo Tárik, em uma análise correta, entende que existe uma ditadura em que “não se permite que nada um pouco menos banal sequer seja apresentado, irradiado ou difundido”. De fato, o que se observa é que é cada vez mais difícil que um músico alternativo, com algum senso crítico, ou que um movimento artístico verdadeiramente popular, consiga furar a barreira dos monopólios.

O fenômeno descrito por Tarik se dá porque quem controla os monopólios, assim como tudo na sociedade, é a burguesia. E assim como a burguesia ataca as torcidas organizadas para tirar o futebol do controle do povo e controla a liberdade de pensamento e expressão nas universidades também para tomar o controle popular, não seria diferente na música, uma das expressões culturais mais populares, que a burguesia também não quer deixar sob o controle do povo uma vez que são os artistas mais populares que denunciam em suas músicas a polícia, o governo, o Estado.

É perigoso para a burguesia que músicas como diz Tarik “menos banais” sejam difundidas e cheguem ao alcance das massas, justamente porque quanto mais os artistas se afasta da banalidade mais se aproximam dos problemas sociais enfrentados pela população, e neles inevitavelmente estarão questões como os abusos cometidos pela polícia fascista, o desemprego, a fome, a pobreza, etc. Um bom exemplo disso são as canções de Chico Buarque, que tem as suas composições mais bem construídas quando retrata o cotidiano da classe trabalhadora e a luta de classes em que está inserida no lado oposto da burguesia, e não por acaso foi censurado durante a ditadura militar.

Logo as músicas, bem como outras expressões culturais que tenham qualquer aspecto crítico ou revolucionário são barradas ao máximo pelos monopólios controlados pela burguesia, e embora exista uma falsa sensação de que com a ampliação dos meios de comunicação e com o uso  da internet as coisas seriam mais livres, acontece justamente o contrário: as ampliações dos meios de comunicação e da internet acontecem de acordo com os limites impostos por estes monopólios que para controlar as informações e o acesso do povo à uma cultura mais crítica precisam censurar cada vez mais os seus conteúdos e sua difusão para que estejam de acordo com o seu interesse e não com o do povo para que não possam representar nenhuma ameaça.

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