Giro político
A mudança de rota do The Intercept é a expressão do movimento à direita de toda uma parcela da esquerda que se liga mais estreitamente ao imperialismo dito democrático
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Site jornalístico The Intercept Brasil se especializou em reportagens de denúncias | Foto: Reproduçao

O veículo de imprensa The Intercept, assim como suas filiais em diversos locais, como o The Intercept Brasil, ficaram conhecidos pela sua posição política liberal, democrática. Se opunha em certo grau aos monopólios da imprensa capitalista na medida em que se especializaram em reportagens que denunciavam os desvios do poder, ainda que com as limitações que a ideologia liberal e democrática lhes impunham. Assim foi com a Vaza-Jato, uma série de reportagem que demonstrou com farta documentação o complô formado pelo ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores federais para perseguir e condenar sem crime o ex-presidente Lula.

No entanto, a pressão do capital imperialista tem levado o The Intercept cada vez mais à direita, abandonando sua posição liberal e democrática e aproximando-se dos monopólios da imprensa capitalista, que ao invés de denunciar o poder, reforçam-no. O caso mais marcante desta mudança de rota em curso foi a saída de Glenn Greenwald, identificado como principal jornalista do grupo, por sofrer censura e represálias do site ao tentar publicar reportagem documentada sobre malfeitos cometidos por familiares de Joe Biden, então candidato do establishment a presidência dos EUA.

O fato é da maior importância para o jornalismo independente e progressista, se não é possível denunciar, com documentação, determinadas pessoas do poder, a concepção liberal e democrática fica profundamente debilitada.

O The Intercept Brasil já mostra a nova orientação editorial que está sendo imposta pelo capital imperialista ao site. O site na última segunda-feira (11) publicou uma reportagem digna dos programas policiais que pululam na TV brasileira. Em “Delivery na cadeia” o repórter conta os esquemas de tráfico de celulares nas cadeias do Paraná.

Com depoimentos de ex-agentes penitenciários e ex-detentos, a reportagem mostra que o crime, em especial a organização criminosa conhecida como PCC, precisa dos aparelhos para organizar os negócios fora da cadeia, mostra como os celulares entram levados pelos agentes e qual o custo.

É incrível que uma imprensa democrática, destaque, do infernal, hediondo e ilegal sistema penitenciário brasileiro, justamente o trafico de celulares. Esse tipo de matéria tem por objetivo naturalmente corroborar com o endurecimento do regime penal, apresentando a prisão como uma colônia de férias em que os presos ficam divertindo-se no celular, que é o que faz a burguesia para justificar o aumento da repressão e a cassação de todos os direitos democráticos dos presos, submetidos na maioria das vezes a situação das mais aviltantes.

Se existe o tráfico de celulares nas penitenciárias do Paraná, e existe como mostra com dados a reportagem, e não apenas no Paraná mas em todo o País, é um fato completamente secundário diante da monstruosidade do sistema penitenciário, aliás é um aspecto desta monstruosidade, desta marca que envergonha o País.

O sistema prisional brasileiro abriga quase o dobro de internos que sua capacidade máxima, de um total 437,913 vagas, abriga mais de 773 mil pessoas. Cerca de 40% dos presos são provisórios, ou seja, não tiveram julgamento definitivo. A infraestrutura dos presídios são as piores possíveis, muitos são abandonados e o crime organizado acaba tomando conta. A tortura, a insuficiência alimentar, e as doenças devido às condições totalmente insalubres graçam. O racismo é parte integrante do sistema judicial-penitenciário, o “bandido” no Brasil tem raça, tem cor.

Um verdadeiro inferno, ao cair na cadeia todos os direitos como cidadão são anulados, como num campo de concentração nazista. Tudo isso é feito e mantido pelo Estado brasileiro.

É preciso destacar essas características do sistema penitenciário brasileiro, caso contrário adotamos uma posição ilusória, cuja conclusão errônea e reacionária é a necessidade de mais repressão, controle, fiscalização, quando na verdade o sistema penitenciários é em si mesmo um crime muito mais grave contra o povo brasileiro e a humanidade e de proporções incalculáveis em comparação ao tráfico de celulares e deve esse crime ser denunciado em primeiro lugar.

A única posição democrática em relação ao sistema penitenciário brasileiro tal como existe é a exigência de sua completa extinção. É preciso libertar todos os presos provisórios, exigir a progressão de pena para regime aberto de todos os presos não violentos, estabelecer condições humanas nos presídios, que não atentem contra os direitos fundamentais do cidadão, fechar todos os presídios que não se adequem.

A direitização do The Intercept é a expressão da direitização de toda uma parcela da esquerda que se liga mais estreitamente ao imperialismo dito democrático, que logicamente é pura demagogia. Quanto mais esse setor do imperialismo, que é na verdade o principal setor da burguesia imperialista, os neoliberais etc., se desloca para posições de extrema-direita, ainda que com o discurso de que é em nome da democracia, do combate ao extremismo, mais esse setor da esquerda nacional e internacional se desloca para a direita.

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