Aprofundamento do golpe
Escolha de coronel da PM como candidato a vice-prefeito no Rio de Janeiro pelo PSOL mostra a corrida desesperada da esquerda pequeno-burguesa para se adaptar ao regime
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coronel ibis
Íbis Silva Pereira | Foto: Reprodução/G1

Na última quinta-feira (3), o PSOL anunciou que irá lançar como candidato a vice-prefeito do Rio de Janeiro um coronel da Polícia Militar(PM). Íbis Silva Pereira, que se diz defensor dos direitos humanos, já foi comandante da corporação durante o governo direitista e repressivo do PMDB e critica os setores da esquerda que defendem o fim da PM.

A “escolha” da direção do PSOL não causa surpresa alguma. Afinal, não são poucos os acenos demagógicos que o partido deu no último período para a polícia. Vale lembrar, por exemplo, que o deputado federal Marcelo Freixo, dirigente do PSOL, é um notório defensor das criminosas Unidade de Polícia Pacificadora (UPPs). Contudo, embora não seja exatamente uma novidade, a aliança do PSOL com a polícia nas eleições municipais de 2020 marca uma tendência geral da esquerda pequeno-burguesa.

Na Bahia, o Partido dos Trabalhadores (PT) também deverá laçar uma policial militar como candidata. Em Goiânia, o partido também deverá lançar uma policial civil como candidata. Nenhum desses casos se iguala à decisão do PSOL de lançar como candidato um ex-comandante da PM, fortemente ligado ao Estado. Mas são, todos eles, expressões de um fenômeno relacionado ao aprofundamento do golpe de Estado.

Na medida em que os golpistas não conseguiram dar solução alguma para a crise econômica e que a direita foi ficando cada vez mais desgastada pela revolta dos trabalhadores contra a política neoliberal, o regime político não encontrou outra maneira de se manter de pé a não ser indo cada vez mais para a extrema-direita. Se a burguesia não procurar aumentar o seu aparato de repressão e impulsionar partidos e políticos de extrema-direita, poderá rapidamente perder o controle da situação.

O regime político vai cada vez mais à direita. Mas os trabalhadores, por outro lado, estão cada vez mais distantes do regime político. Estão sendo, literalmente, dizimados pela direita e estão cada vez mais dispostos a se levantarem contra seus algozes. A esquerda pequeno-burguesa, no entanto, se mostra incapaz de compreender isso. Como é incapaz de se agir por fora das instituições burgueses, acaba tendo como única política acompanhar o regime político. E para acompanhar o regime, terá de ir cada vez mais à direita.

É justamente com a tentativa de acompanhar as tendências fascistas do regime que a esquerda decidiu apoiar candidaturas da Polícia Militar. Obviamente, esses candidatos se dizem progressistas, esquerdistas, até mesmo a favor da desmilitarização da PM — nunca de seu fim. Mas não há como negar que o objetivo é tentar conseguir agregar uma fatia dos setores mais conservadores da sociedade. Ao mesmo tempo, nem o PSOL, nem qualquer outro partido da esquerda pequeno-burguesa se interessa em lançar candidatos operários, verdadeiramente comprometidos com os interesses do povo.

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