Vírus ou capital?
O governador de São Paulo – João Doria, anunciou a reabertura gradativa da economia a partir de 11 de maio, de acordo com a evolução da doença. 
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Emergência - Foto: Dipartimento Protezione Civile |

Segundo a matéria do Valor Investe no Globo, o mundo está dividido entre reabrir o comércio, o que anima os investidores e salva a economia. E controlar o vírus. Outras nações planejam reabrir com cautela, diferentemente do plano do Brasil.

O governador de São Paulo – João Doria, anunciou a reabertura gradativa da economia a partir de 11 de maio, de acordo com a evolução da doença. 

Países como EUA, Alemanha, Itália, Dinamarca, Espanha tiveram início da pandemia bem anteriores à nossa no Brasil. Isso indica que estão mais próximos da diminuição da ocorrência de contágio. Além do mais fizeram muito mais testes, puderam isolar melhor os contagiados dos não contagiados diminuindo relativamente a expansão do contágio.

Isso em hipótese alguma indica que foram eficientes ou empenhados em assegurar tudo que era possível fazer para garantir um menor número de infecções. Eles também ficaram aquém do esperado. O número de mortes e de contagiados revela isso. E mostra que a preocupação maior está sendo a de salvar a economia enquanto o povo que se vire por sua própria sorte e risco.

O povo precisa trabalhar para poder se alimentar, morar, e ter o mínimo de conforto. Para isso só podem contar com a própria renda. A renda do trabalho, em situação de confinamento, fica prejudicada por ter que faltar. Quer em empresas ou mesmo vendendo coisas nas ruas. Pequenos comércios não puderam abrir 

Caberia ao estado e as empresas arcar com a renda dos trabalhadores para que pudessem passar em melhor condição pela pandemia. Nesse aspecto pouco ou quase nada fizeram. Os testes são feitos em número bastante reduzido, aumentando as chances de contágio.

Não compraram respiradores, máscaras, não convocaram profissionais em número suficiente, e nem adequaram o número de leitos para atender os infectados. Por isso sofreram o colapso do sistema de saúde em pouco tempo.

Todos os países, em maior ou menor grau, fizeram a mesma opção. Privilegiaram a salvação da economia em detrimento de salvar vidas. Dessa forma destinaram trilhões em recursos ao sistema financeiro e grandes empresas para impedir o risco de falência. Ao mesmo tempo pouco ou quase nada destinaram à população.

Essa população já vinha sofrendo desde a crise de 2008 com desemprego altíssimo. Em consequência muitos já haviam perdido a moradia encontrando-se nas ruas. Passando fome, frio, sem acesso a banhos e à água.

Se para esses países está sendo difícil a decisão de reabrir o comércio, imagine fazer isso aqui?  Sendo que ainda não atingimos o pico de infecções. É uma atitude insana, e como poderemos ver custará muitas vidas.

A opção por salvar o capital à custa de centenas de milhões de mortos revela o desespero dos estados nacionais. O que estaria em jogo e dificultando a ação? O capitalismo está apresentando incapacidade de recuperação, e mais duas crises se apresentam: a quebra generalizada nas bolsas anunciadas desde o ano passado, e  a crise sanitária que prejudica ainda mais o comércio e a produção. A depressão já está em marcha.

E com ela, iniciam-se revoltas populares, que provavelmente ocorrerá em diversos países. Como a história nos mostra os desdobramentos possíveis, que são quedas de governos e revoluções, aí se apresenta a razão do desespero dos capitalistas. Sabem que o sistema está muito enfraquecido, na UTI, e portanto sem poder oferecer mínimas condições de vida para os trabalhadores. Estes por sua vez se percebem diante do dilema, morrer entre quatro paredes de doença, ou morrer lutando,tentando acabar com sua miséria. Mesmo se morrer poderá ter ajudado a mudar o mundo e os sobreviventes poderão usufruir de um mundo melhor. A exemplo do povo chileno que sai às ruas protestando contra a política do governo, mesmo com o risco de contágio pelo coronavírus.

O caminho a seguir para evitar mais essa catástrofe com a população, seria uma enorme mobilização. Não como a que as Centrais Sindicais estão fazendo no 1º de maio, de conciliação com setores mais reacionários do país, envergonhando a classe trabalhadora, e sem consultar as bases. 

Mas sim com a organização de conselhos populares de bairros, visando fiscalizar o sistema de saúde, providenciando alimentação para os mais necessitados, acesso a máscaras, álcool, e condições de higiene. Cobrando e exigindo do estado que atue no fornecimento das condições que os conselhos populares julgarem adequados e necessários. Exigir incansavelmente atuação do estado até conseguir as reivindicações.

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