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Genocídio e destruição

A destruição da educação durante a pandemia – Parte 2

Nesta segunda parte do especial sobre a educação durante a pandemia, denunciamos a perseguição aos professores e falamos sobre as movimentações dos educadores e da juventude

Manifestantes vão às ruas em São Paulo contra o retorno das aulas presenciais. – Foto: Arquivo PCO

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O golpe de 2016 iniciou a destruição da educação brasileira. Agora, na pandemia, o governo golpista e ilegítimo, apoiado pelos capitalistas nacionais e internacionais, continua os ataques à educação, aos educadores e à juventude brasileira.

Como visto na Parte 1 dessa série especial sobre a educação durante pandemia, fica claro que a destruição da educação nacional não é mero acaso ou oportunidade, mas um projeto construído por gente da pior espécie.

Apesar do presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro, ser o principal nome dos ataques à educação, governadores e prefeitos, que durante a pandemia se posicionaram como defensores da ciência, estão por trás de um sem número de ataques aos educadores e à juventude.

Em São Paulo, o governador bolsonarista, João Doria (PSDB), se coloca como o inimigo número um da educação. Desde o início da pandemia, Doria já fez um pouco de tudo. Foram “parcerias” um tanto obscuras com os capitalistas para “fornecer” o ensino remoto (que não chegaram à metade dos estudantes), o retorno às atividades presenciais (durante os piores momentos da pandemia), escolas sem banheiros, pias, sabão e até mesmo papel higiênico, fornecimento de álcool em gel vencido para as escolas e, recentemente, a proposta digna da época da escravidão, para que os pais trabalhem por menos de meio salário mínimo na manutenção das escolas.

Por todo Brasil, diversos trabalhadores da educação foram demitidos. Merendeiras, vigias, assistentes escolares e professores foram demitidos sem dó nem piedade, seja tanto pela iniciativa privada quanto pelo próprio poder público.

Em diversas cidades, especialmente na Bahia, professores chegaram a ter 75% de seus salários cortados, apesar das prefeituras continuarem recebendo mensalmente os repasses federais.

Mesmo governadores e prefeitos de esquerda capitulam brutalmente perante a pressão dos capitalistas. Na Bahia, o governador Rui Costa (PT), um elemento que contamina a esquerda baiana com sua peçonha direitista, autorizou o retorno presencial sob o nome fictício de “aulas semipresenciais”. Em Araraquara (SP), o prefeito petista, Edinho Silva, também prepara o retorno das aulas presenciais no município.

Isto mostra que o problema é muito mais grave do que aparenta ser. Elementos da esquerda, como o governador da Bahia e o prefeito de Araraquara repetem políticas próprias da direita e acabam desmoralizando-se. O bolsonarismo e a extrema-direita crescem a partir destas contradições.

Os professores estão exauridos e frustrados com a falta de apoio dado a professores e alunos para a implementação do ensino remoto. A revolta dos educadores se espalha por todo território nacional.

Em alguns estados, como São Paulo, Bahia e Paraná, os professores foram às ruas lutar contra os ataques à educação. Entretanto, o movimento ainda não se generalizou, muito em parte pela inércia das direções sindicais e partidos de esquerda, que aderiram ao fique em casa (quem puder) e jogaram os trabalhadores nas garras dos governantes genocidas.

As organizações da juventude, apesar da política recuada de suas organizações principais, UNE (União Nacional dos Estudantes) e UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), também foram às ruas protestar contra a fraude do ensino remoto e o retorno presencial.

As mobilizações, impulsionadas pela base das categorias, mostra que o cenário nacional é de polarização e favorece a mobilização da classe trabalhadora e da juventude contra o golpe.

Nesta segunda parte deste especial sobre os ataques à educação durante a pandemia, vamos denunciar o “civilizado” João Doria, a perseguição aos professores em todo o Brasil e as movimentações dos sindicatos de educadores e da juventude.

Doria, inimigo da educação

Em São Paulo, o governador João Doria e seu secretário de Educação, Rossieli Soares, se mostraram tão inimigos da educação quanto qualquer ministro da Educação do governo Bolsonaro.

Tão logo a pandemia começou a se espalhar em São Paulo, Doria se viu pressionado a fechar as escolas. Entretanto, o objetivo não foi, em momento algum frear a doença, mas dar “mimos” aos capitalistas.

Entre março e abril de 2020, o governador golpista e seu secretário de Educação enviaram para a casa dos alunos apostilas, apostando que os pais dos alunos fariam o papel dos professores. Também foram enviados milhares de gibis da “Turma da Mônica”, sabe-se lá com qual intuito pedagógico.

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Rossieli Soares e João Dória, os genocidas de São Paulo. Foto: reprodução

Além de distribuir gibis com fundamento pedagógico nenhum, Doria ainda firmou parcerias com os parasitas que controlam a telefonia.

A Secretaria de Educação de São Paulo também lançou um aplicativo para celulares para que os alunos pudessem assistir aulas e consultar conteúdo. Fica claro que nem Doria e nem Rosseli Soares têm noção alguma do que é estudar por uma tela minúscula de celular. Além de desconfortável, não há garantia alguma de que os alunos possuem dispositivos que consigam rodar o aplicativo com a fluência necessária.

Um fato estranho foi o governador golpista ter recebido de graça da Amazon (empresa do homem mais rico do mundo) o serviço de nuvem (Amazon Web Services – AWS). Como os capitalistas nunca dão coisa alguma de graça. Não é de se desconfiar o que o monopólio das vendas on-line fará com os dados de educadores e estudantes.

Apesar de toda a propaganda, o governo de São Paulo mal conseguiu atender apenas metade dos estudantes, quando não, menos. A presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), a deputada Professora Bebel (PT), disse, ao portal UOL, que “de 3,7 milhões de alunos, somente 1,5 milhão consegue acessar as aulas. Isso cria desigualdade para quem já é desigual socialmente, ainda mais em meio a uma pandemia. Professores têm sido pressionados a colocar seus telefones pessoais à disposição dos alunos. E eu tenho ouvido de muitos deles que estão dormindo e acordando com notificação dos alunos no WhatsApp.”

Mas a precariedade do ensino remoto em São Paulo não é obra do acaso, mas uma política planejada com todo esmero pelo governo tucano. Ainda em abril de 2020, Doria já anunciava que as escolas retornariam em julho, com ou sem pandemia. Para isso, contava ele com o desespero dos alunos mais pobres, que não conseguiriam estudar remotamente e acabariam retornando às aulas presenciais, apesar das possibilidades de contágio.

Segundo o Censo Escolar 2018 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 20% das escolas de ensino fundamental da rede pública não contam com banheiro dentro do prédio e 40% não têm acesso à rede pública de abastecimento de água (usam poços ou cisternas; em 5%, não há água). Já em São Paulo, 30% das escolas não possuíam nem sabonete líquido e papel toalha nas pias.

A fiscalização realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) constatou, em 2019, que: 90,94% das escolas municipais não possuíam Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros; 79,62% não possuíam sequer alvará ou licença de funcionamento emitido pela Vigilância Sanitária; 75,09% não apresentaram Relatório de Inspeção de Boas Práticas emitido pelo órgão responsável por prevenir riscos à saúde decorrentes de problemas sanitários; 33% dos locais vistoriados, a área de preparo dos alimentos apresentou problemas de integridade e conservação como rachaduras, trincas, goteiras, vazamentos, infiltrações, bolores, descascamentos, entre outros problemas; 10,5% dos gêneros alimentícios se encontrava fora do prazo de validade; em 35% das escolas municipais não havia controle dos itens estocados; em 20% a desinsetização não havia sido feita há menos de seis meses; 49% das escolas não possuíam espaço para merenda com capacidade para atender a todos os alunos.

Um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) junto à Apeoesp em setembro de 2020 indicou que 99% das unidades escolares do Estado de São Paulo não possuem ambulatório, enfermaria ou consultório médico, 82% não possuem mais de dois banheiros e 93,4% das turmas das escolas teriam que ter o seu contingente de alunos reajustado para que fosse viável a retomada de atividades presenciais com um distanciamento de um metro e meio entre os alunos nas salas de aula. Em outras palavras, não há como realizar o retorno seguro sem vacinação para profissionais da educação e estudantes.

No município de São Paulo, onde Doria foi prefeito, um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou que, em 2019, 26% das escolas municipais não possuíam um suprimento constante de papel higiênico e 75% não possuíam sequer sabonete líquido para uso dos estudantes.

Com os cortes da educação propostos pelo governo ilegítimo, que fora apoiado pelo próprio Dória, como seria feita a tal readequação das escolas?

Neste cenário aberrante, Dória e os prefeitos do Estado de São Paulo planejaram o retorno das aulas presenciais.

O playboy tucano, em discurso em 21 de maio de 2020, disse: “a população tem que ir entendendo aos poucos o que é este vírus, que ele realmente é muito perigoso para quem tem certa idade, para quem tem alguma doença. Para a juventude não tem este perigo todo. Estamos analisando aí… Os pais [têm que] afastar aquela ideia de pavor que tinha no tocante ao vírus para a gente poder abrir”.

Em outras palavras, Dória sempre esteve disposto a mandar os estudantes e professores para o “abate”. Isto explica o farsesco e precário ensino remoto em São Paulo.

Não contentes em esfolar os educadores, Dória e seu secretário de Educação, Rossieli Soares, sugeriram a reprovação dos 15% de alunos da rede estadual que não puderam realizar as atividades remotas. Fica claro que o objetivo destes lacaios da burguesia sempre foi criar uma pressão para o retorno presencial.

No dia 8 de fevereiro de 2021, foram retomadas as aulas presenciais em todo estado de São Paulo. As prefeituras que não quisessem seguir a ordem eram intimidadas de maneira burocrática, tendo que justificar a manutenção das aulas remotas. Como se a existência da própria pandemia não fosse justificativa o bastante.

O modelo de ensino adotado por Dória foi o híbrido, que nada mais é que o aluno ficar 4 semanas em ensino remoto e 1 em sala de aula. Em outras palavras, é um modelo que em nada é melhor que o já farsesco ensino remoto e ainda coloca estudantes e professores em risco de contaminação. Fora o fato do professor ter de fazer o dobro do trabalho, para alunos presenciais e remotos.

Aproveitando a oportunidade, Dória, que já havia retirado o passe gratuito de uma parcela dos idosos, aproveitou a oportunidade para tirar a meia passagem dos estudantes nos dias que eles não tiverem que ir à escola. Isto é mais um ataque da política “doriana” à população de São Paulo. A meia passagem é uma conquista histórica da juventude brasileira. Os jovens são uma parcela da população sem renda, pois não trabalham. Deste modo, a meia parcela é uma maneira de aliviar o bolso das famílias que os sustentam.

“É um absurdo que o governo se utilize da situação extremamente grave, sanitária, da doença, para realizar uma série de ataques a direitos que foram conquistados com a mobilização estudantil. Essa da retirada do passe livre que os estudantes tinham em São Paulo é um absurdo. Mas isso se soma também a outros ataques que vêm sendo feitos contra a universidade, contra o movimento estudantil. Eu posso citar a retirada de verbas pra pesquisa nas universidades, diminuição de vagas nas universidades, a demissão de professores (o que, por si só, sucateia o ensino). É uma ataque no sentido também da privatização da universidade pública”, afirma o militante da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), a juventude do Partido da Causa Operária (PCO), João Vitor Drauzacker.

Numa tentativa de tirar o corpo fora e evitar processos por contaminação e mortes pela COVID-19, o covarde João Dória emitiu um termo de responsabilidade, a ser assinado pelos pais ou responsáveis pelos alunos onde esses assumem todos os riscos pela contaminação com a COVID-19.

“…em caso de contaminação com a covid-19, me responsabilizarei inteiramente com os cuidados necessários, uma vez que o vírus circula em todos os locais e não somente na escola”, diz trecho do criminoso termo.

Em outras palavras, Dória confessa que as escolas são verdadeiras câmaras da morte. De “científico”, Dória passa ao título de assassino (sem aspas).

O resultado foi o óbvio, segundo levantamento da Apeoesp, assim como no município do Rio de Janeiro, apenas 5% dos estudantes compareceram às aulas presenciais.

“O comparecimento dos alunos foi baixíssimo, isso porque as famílias sabem dos riscos que existem nas escolas da rede estadual. Ninguém quer mandar o seu filho para um local onde há álcool gel vencido, ambientes sem ventilação, banheiros quebrados. Mesmo com um número pequeno de alunos, houve aglomeração nas portas das escolas, o que mostra o despreparo para esse retorno”, disse a presidente da Apeoesp, Professora Bebel.

Apesar do baixo comparecimento dos alunos, a COVID-19 fez mais de 51 vítimas entre educadores e estudantes desde o retorno às aulas presenciais. O número de contaminados supera a marca de mil.

Não bastando todos os ataques à educação e à juventude, João Dória anunciou oferta de uma esmola de R$500,00 para responsáveis de alunos trabalharem quatro horas diárias no retorno às aulas. Não é apenas um caso de precarização, mas de algo pior que trabalho escravo, já que com este valor não é possível nem ao menos comprar uma cesta básica em São Paulo. O que Dória calcula é ganhar alguma vantagem eleitoral, já que sua campanha de vacinação afundou melancolicamente.

Dória é um verdadeiro réptil de terno. Seu único interesse é consigo mesmo e seus amigos capitalistas. Para isso realizará verdadeiros absurdos como propor dar ração como merenda aos estudantes, retornar às aulas presenciais enquanto morrem mais de mil pessoas no Estado de São Paulo e, agora, aproveitar-se do desespero das pessoas, subornando-lhes com R$500,00 para que trabalhem sem direito algum e, ao mesmo tempo, enviem seus filhos para se contaminarem nas escolas.

Educadores sendo perseguidos e precarização das condições de trabalho

A implementação do ensino remoto simbolizou a demissão de diversos profissionais. Por todo Brasil, merendeiros, porteiros e zeladores perderam seus empregos em plena pandemia.

O mesmo ocorreu com centenas de professores temporários. No Paraná, o governo de Ratinho Júnior demitiu professores temporários e, mesmo com a pujante pandemia, abriu Processo Seletivo Simplificado (PSS) para novos temporários, colocando todos os candidatos em risco de contaminação.

“Foi um cenário de terror e estresse para os professores temporários, pois tiveram de dar conta dos estudantes e de estudar para a genocida prova do PSS! O psicológico ficou lá embaixo, pois trabalhavam com a sensação de que estavam indo para uma câmara de gás nazista que só trocava o gás pelo COVID, mas o perigo mortal era o mesmo!”, denunciou o professor da rede estadual do Paraná, Antônio da Silva.

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O governador fascista do Paraná, Ratinho Jr. Foto: Gilson Abreu/ANPr

Antônio da Silva continua sua fala:

“A prova do PSS ocorreu sim, na marra, discriminando pessoas de idade ou de risco, pondo em risco a vida de quem foi fazer a prova e muitos professores nem foram chamados ainda para pegar aula! Mais terrorismo por parte do governo!

No Mato Grosso, o governador bolsonarista, Mauro Mendes também demitiu diversos profissionais. Mônica Silva, professora da rede estadual, denuncia que “o período pandêmico foi estopim para demissões de inúmeros docentes contratados e outros profissionais da educação, como técnicos administrativos e funcionários da limpeza ou cozinha. Os professores efetivos e os poucos contratados que conseguiram empregos vivenciam jornadas duplas ou triplas de trabalho pois as aulas remotas significam mais burocracia, mais planejamentos, mais estratégicas pedagógicas que preencham as lacunas de aprendizado geradas pelo ensino on-line.”

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Mauro Mendes, o governador genocida do MT. Foto: reprodução

Mônica continua denunciando a situação que os professores passam no estado do Mato Grosso. Segundo ela, “após um ano de aulas remotas, após destruir o plano de carreira dos profissionais da educação, após ampliar a desconto previdenciário em folha de 11% para 14%, após inúmeros ataques ao sindicato e a categoria, o governador tentou demagogicamente amenizar a situação com um ‘presente de grego aos professores’: todos receberam R$3.500 para adquirir um computador e receberão 36 parcelas de 70 reais para ‘pagar’ um plano de internet em suas residências. Ocorre que as configurações de computador exigidas pelo governo equivalem a um dispositivo em torno de 4 mil reais e, no estado do Mato Grosso, um plano de internet não custa menos que 100 reais. Para além disso, próximo ano haverá eleição e todas estas ações do governador apenas demonstram uma jogada para tentar levar a categoria a esquecer todos os direitos perdidos graças a este governo liberal que domina o estado.”

Em diversas cidades da Bahia os prefeitos chegaram a cortar 75% do salários dos professores municipais. Boa parte deste professores e professoras são responsáveis pela maior parte da renda de seus lares.

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APLB – Feira de Santana em ato contra os cortes de salário. Foto: reprodução

Marlede Oliveira, presidente da Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB) – Feira de Santana, denunciou o prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins (MDB), pelo corte de salários dos professores.

“Pegou 965 professores da rede que são novos, de três ou dois anos, e cortou metade do salário. Tem professor que teve 75% do salário cortado. Tem professor que recebeu R$ 600”, denunciou Marlede em ato da APLB no dia 18 de maio.

No fim de julho de 2020, a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC) informou, através de circular interna que os professores que não aderissem ao farsesco ensino remoto teriam seus salários descontados. Cabe lembrar que a SEEDUC nunca preocupou-se seriamente em dar condições mínimas a professores e estudantes para realização do ensino remoto. Entretanto, ao mesmo passo que é omissa para fazer seu trabalho, a SEEDUC é bastante pró-ativa em punir os educadores.

Na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceara (UFC) o reitor, Cândido Albuquerque, e o diretor da Faculdade, Maurício Benevides, iniciariam um regime de terror contra os professores. Benevides pressionou os professores para que ministrassem as facultativas atividades remotas como se fossem obrigatórias. Os professores reagiram com ação junto ao Ministério Público (MP), entretanto, o processo foi arquivado e Benevides processou os docentes no juizado de pequenas causas. O reitor foi ainda mais além, tendo aberto Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com pedido de demissão contra cinco professores. Trata-se de uma arbitrariedade do tipo mais fascista possível.

O professor da rede pública do Amapá, Marinaldo Silva, denunciou ao Diário da Causa Operária que foi assediado por coordenador pedagógico durante as atividades remotas.

“Fui assediado por um coordenador pedagógico ao me recusar a fazer a vontade dele, ele queria que eu avaliasse alguns alunos por tempo indeterminado ou até conseguirem aprovação, mesmo esses alunos terem abandonado o ano letivo, fui acusado de prevaricação”, disse Marinaldo.

Para ele, esta prática de assédio contra os professores é uma prática no Amapá.

“…para a secretaria de educação do Amapá o professor é tratado como vagabundo, sem compromisso com a educação, muitas cobranças, muito assédio moral e muita incompetência da parte deles fazem com que o conflito entre educadores e gestores públicos da educação sejam constantes.”, afirma o professor do Amapá.

Lucimara Santos, professora da rede municipal de Campo Formoso, na Bahia, falou como o ensino remoto foi penoso para os professores. Segundo ela, “havia dias que sentava para preparar minhas aula pela manhã e só levantava tarde da noite. E o problema maior do ensino remoto é que ele invadiu a nossa privacidade sem pedir licença. Deixando-nos sobrecarregados com os nossos trabalhos domésticos, com a nossa função de educando e acrescentado a esta lista nas madrugadas a nossa função de ‘pesquisador em tempo real’.”

Simony Pinheiro, professora do IFBA, também falou da sobrecarga com o ensino remoto.

A sobrecarga é algo evidente em meu dia a dia. Meu trabalho aumentou consideravelmente […] O tempo ficou cada vez mais raro […] As barreiras do pessoal e profissional foram quebradas, a partir do momento em que entramos em suas casas e vice-versa. Muitas vezes, me pego respondendo mensagem de aluno aos fins de semana, à noite. A sensação que tenho é que está tudo muito acelerado e todos nós estamos correndo atrás de algo que nem sabemos o que é, sem ao menos analisar a eficácia do que está sendo entregue”, afirma Simony.

O professor da rede estadual da Bahia, Luiz Parente, apesar de elogiar o fato de que as aulas na Bahia foram suspensas tão logo decretada a pandemia, sobre o ensino remoto ele denuncia que o governo do Estado, ao invés dar condições materiais e objetivas aos professores, ficou de braços cruzados durante 2020 e, agora, em 2021 tenta colocar o ensino remoto a toque de caixa.

“O governo e a SEC não levaram em conta um fato muito importante: a grande maioria dos professores não estavam preparados para esta nova realidade, já que ficamos parados ano passado, sem nenhum apoio técnico, sem treinamento. Entendo que, o secretário da educação Jerônimo Rodrigues e superintendentes da SEC, vivem em mundo paralelo. Eles falaram diversas vezes que os professores iriam sanar as dúvidas dos estudantes no uso das plataformas. Mas, como? Se a maioria dos professores estavam aflitos porque não sabiam usar essas ferramentas. E tem mais, estas aulas remotas, deveriam e são dadas com nossos equipamentos e acessórios. Nós pagamos energia e internet com um salário arrochado há quase sete anos sem reajuste. Considero que, nós estamos custeando estas aulas. Se algo der errado, com certeza, a SEC vai jogar a culpa em nós. Não temos nenhum apoio financeiro para compra de equipamentos e pagar serviços de energia e internet. Os estudantes, também não tem nenhum apoio técnico e financeiro”, denuncia Luiz Parente.

É desumano o que a SEC e seus superintendentes estão fazendo com a categoria. Tudo isso que impuseram a gente, veio de última hora. Eles não nos prepararam. Muitos professores estão, de última hora, estudante, pesquisando, assistindo a tutoriais para dar suas aulas. Muitos professores estão psicologicamente abatidos, e isso vai comprometer em muito a qualidade da educação pública”, continua.

O retorno às aulas presenciais, mesmo sem vacinação, também representou um ataque aos educadores de todo país. No Mato Grosso, funcionários de uma escola, que prestavam serviços presencialmente, contaminaram-se com a COVID-19 antes mesmo do retorno às aulas presenciais.

Mauro Mendes negligencia a pandemia e tem o mesmo perfil negacionista de Bolsonaro. O governador não mede esforços em suas investidas de levar os estudantes e professores de volta às aulas presenciais independente de como estejam os índices de contaminação e óbitos no estado. […] por conta da mobilização dos pais, alunos e da comunidade em geral, o governador percebeu a impossibilidade de retornar com aulas presenciais, e logo veio a estratégia de forçar os professores presencialmente nas escolas, as quais não oferecem nem mesmo a mínima possibilidade de distanciamento entre os educadores. O resultado não poderia ser outro: surtos de contaminação em várias escolas do estado. Se foi assim apenas com professores, técnicos educacionais e profissionais de apoio trabalhando presencialmente, com a presença de alunos e sem vacina, a proliferação da doença seria ainda pior”, denunciou a professora Mônica Silva.

No Colégio Jaime Kratz, em Campinas, interior de São Paulo, 37 funcionários e 5 alunos foram contaminados após o retorno. O Colégio Farroupilha, também da rede privada de Campinas, também registrou uma docente e sua filha (também aluna da instituição) com COVID-19. Ambas as escolas se viram forçadas a suspender as aulas presenciais.

No Rio de Janeiro, o Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) fechou 103 escolas em apenas 7 dias após o retorno presencial em novembro de 2020.

“A situação é grave. Nem todos os funcionários que voltaram a trabalhar no dia 17 foram testados. Todas essas escolas, que foram fechadas, estavam recebendo alunos. Eles podem ter sido infectados. Desde o dia 17, essas unidades estavam com atividade presencial, mas com uma capacidade reduzida. A volta do aluno foi opcional e para os funcionários foi obrigatório”, denunciou o coordenador-geral do Sepe-RJ, Alex Trentino, ao golpista G1.

Na cidade de São Paulo, professores do município que juntaram-se a greve dos professores do estado, tiveram seus pontos cortados. Professores de ao menos 3 unidades escolares na Diretoria Regional de São Mateus (DRE-SM) tiveram seus salários criminosamente reduzidos, de maneira autoritária pelos gestores escolares, sem determinação da Prefeitura para isso.

Os professores foram à DRE-SM para reivindicar o retorno dos seus vencimentos, mas, de maneira bastante irônica, a diretora, Mirtes Innocêncio da Silva, estava em trabalho remoto. Em outras palavras, enquanto os professores são expostos à doença, os burocratas ficam em casa. A assessora de Mirtes da Silva, Rebeca Rodrigues, afirmou que não houve determinação da Prefeitura pelo corte do ponto, ratificando a noção de que os cortes foram feitos de maneira unilateral pelos burocratas que posam como gestores escolares.

No Estado de São Paulo, a política pseudocientífica do governador João Dória fez uma enorme matança na classe dos educadores. Em 20 de fevereiro de 2021, Maria Tereza Lourenço (32), professora em uma escola estadual de Caçapava, no Vale do Paraíba, morreu de COVID-19. Ela fora contaminada logo após o início do planejamento escolar no final de janeiro.

Rafaela Cardoso, que estava grávida de 8 meses, teve seu pedido para trabalhar em home-office negado. Ela informa que trabalhou presencialmente 10 dias na Escola Municipal Luiz Tortorello, em São Caetano do Sul, e apresentou com outros colegas sintomas de COVID-19. Ela foi internada na Unidade de Terapia Semi-Intensiva do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, no início de março.

A professora do Distrito Federal, Thelma da Silva denunciou que “muitos professores estão sendo obrigados a item para a escola ou por conta de Internet ou para imprimir atividade impressa. Muitos já faleceram, mas o sindicato não faz a conta e denuncia apenas alguns casos. Também muitos vigias faleceram. O governo anunciou o início da vacinação para ontem [9 de abril], mas não chegou vacina. Enquanto isso chovem casos de policiais não só vacinados, mas vacinando inclusive as empregada da sua casa.”

A não vacinação dos professores do DF pode ter outra explicação. Segundo ela, “o GDF (governo do Distrito Federal) está devendo 18mil para cada professor de um reajuste não pago. Isso chacoalhou um pouco a categoria, que disse que se vacinar vai para rua brigar pelos 18 mil.”

“Acho que essa negociação com a vacina vai para o brejo (risos)”, continuou.

Apesar de jocosa, a fala de Thelma faz sentido. Os governos federal, estadual e municipal, assim como as burocracias sindicais fazem demagogia com a vacina, esperando que esta nunca chegue. Afinal, sabem que se o povo estiver imunizado irá imediatamente às ruas para cortar as cabeças dos seus governantes.

Na Bahia, Simony Pinheiro denuncia a situação na rede municipal de São Félix. Segundo ela, “Somos forçados a ir em reuniões presenciais sob pena de desconto de salário, mesmo com o número de casos cada vez mais altos. Prazos curtos para a devolutiva das notas de atividades enviadas sem uma preparação prévia dos alunos para responderem às mesmas.”

Mas não apenas nas escolas e universidades públicas os ataques aconteceram. Na Unifacs, em Salvador, os professores da instituição sofreram um sem número de humilhações e perseguições. Inicialmente, foram obrigados a assinar um documento de cessão total de direitos de imagem, sem recebimento adicional algum pelo uso posterior das aulas pela instituição. Segundo relato de professor da instituição ao portal Metro1, a assinatura se deu sob medo de demissão.

A cessão de direitos de imagens e voz é tão absurda que abre a possibilidade de que as aulas gravadas pelo professor sejam usadas mesmo depois que ele já estiver morto. Caso semelhante ocorreu no Canadá, onde as aulas gravadas por um professor, morto em 2019, continuavam a ser utilizadas por uma universidade.

Além de submeter os professores à humilhação de cederem seus direitos de imagem, a Unifacs também conseguiu a “façanha” de pagar salário entre 400 e 900 reais para professor com doutorado e que ministravam aulas para turmas de 120 alunos (Metro1). Isso aconteceu pelo fato da universidade ter juntado diversas turmas, o que acabou, por conseguinte, reduzindo a quantidade de horas dos professor e, portanto, seus salários. Enquanto isto, cabe frisar, o valor das mensalidades se manteve.

A UNINOVE, em 22 de junho de 2020, demitiu diversos professores assim que autenticaram-se na plataforma on-line para fazer seu trabalho. Os professores receberam uma mensagem completamente impessoal dizendo que estavam demitidos e liberados até mesmo do aviso prévio.

Em uma rádio da Paraíba, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Privado da Paraíba, José Martins, denunciou as demissões e reduções de salários realizados pelos patrões.

“Estamos trabalhando no sistema de aulas remotas, que foi o sistema implantado de forma rápida e emergente por conta da pandemia. Só que não ocorreu logística e disposição de estrutura. Estão reduzindo o salário e suspendendo contratos. Aumentou toda a carga de trabalho, de estresse e demanda do professor”, afirma José Martins.

Os exemplos da Unifacs, da UNINOVE e da Paraíba são importantes para entender o próximo movimento dos parasitas que comandam a educação privada. Tendo a experiência do ensino remoto, não tardarão em demitir professores e cortar salários.

O movimento sindical contra o ensino remoto e o retorno às aulas presenciais

Apesar dos estudantes terem se rebelado contra o ensino remoto e promovido greves outras manifestações, o papel dos sindicatos foi bem mais modesto. Como os das demais categorias, fecharam durante a pandemia, deixando os trabalhadores abandonados nas mãos dos patrões e de políticos sanguinários como Ibaneis (DF), Dória (SP), Mauro Mendes (MT) e Bolsonaro.

O Sindprof-DF (Sindicato dos Professores do Distrito Federal) fechou as portas durante a pandemia e chegou a oferecer a sua sede ao fascista Ibaneis.

“Realizou apenas uma assembleia super esvaziada e antidemocrática durante todo esse período. Com mil participantes apenas 400 conseguiram votar em propostas do sindicato que não colocou em votação nenhuma proposta enviada pelo zap, ferramenta apresentada para esse propósito”, denunciou a professora Thelma da Silva.

No Mato Grosso, a professora Mônica Silva relata que “a base sindical apresenta forte tendência à radicalização, porém os diretores reproduzem as práticas inócuas de apostar em “manifestações” online, em redes sociais. Também tem sido prática infrutífera das direções sindicais convocar a categoria para pressionar os deputados estaduais, mesmo sabendo que a Assembleia Legislativa é majoritariamente composta de políticos de direita, liberais e bolsonaristas que congregam com as políticas de Mauro Mendes.”

Essa pressão da base fez com que alguns sindicatos fossem obrigados a se mobilizar contra o ensino remoto. Os docentes da UEPA aprovaram estado de greve contra a o ensino remoto. Os professores da UERJ ligados à Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Asduerj) realizaram amplo debate sobre o tema e elaboraram uma série de condições para o trabalho remoto. Porém, fica claro que esta medida é apenas paliativa e não resolve o problema, pois os alunos e professores continuam a “comer o pão que o Diabo amassou” com a implantação do ensino remoto.

Um dos sindicatos que acabou mais se movimentando, mas ainda de maneira discreta foi o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE). O Sindicato aprovou, desde 2020, posição contra o ensino remoto e deliberou a deflagração de greve em caso de retorno presencial sem a imunização de professores, técnicos, alunos e demais integrantes da comunidade acadêmica. Fica óbvia a clareza política ao entender que o ensino é construído por todos os envolvidos e não apenas pela vontade e ação de uma classe, como os professores.

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Imagem da campanha do SINASEFE nacional. Foto: divulgação

Carlos Magno Sampaio, coordenador do SINASEFE nacional e professor do IF Baiano, falou das posições do Sindicato. Segundo ele, “as posições do SINASEFE são posições aprovadas pela categoria nos seus fóruns (Plenárias nacionais e Congressos sindicais). No caso do Ensino Remoto, temos uma resolução aprovada na a 163ª PLENA (realizada em 13/07/20) e referendada nas demais Plenárias (estamos indo para a 167 Plena), que é a construção da greve contra o trabalho e ensino remotos e pela suspensão nacional do calendário acadêmico.

Se a imunização for dada apenas a professores, como é sugerido em diversos estados, a exemplo da Bahia, será mais um ataque contra o ensino público brasileiro. Os estudantes sabem que o retorno presencial sem imunização de todos é a garantia de que muitos de seus colegas e familiares serão mortos pela doença.

O cuidado com os terceirizados também é um ponto importante. Em muitas instituições de ensino pelo Brasil todo, os terceirizados correspondem a grande parcela da força de trabalho. Sua condição exige que defesa constante deles, especialmente durante pandemia, cortes de orçamento da educação e demissões em massa.

A campanha do Sindicato é, de longe, a mais correta dentre as apresentadas. Todavia, o SINASEFE tem grave dificuldade em organizar e mobilizar a categoria, fazendo com que a campanha não chegue a toda comunidade acadêmica.

Sobre este ponto, Carlos Magno justificou que a situação da pandemia dificultou a construção das campanhas do Sindicato na base especialmente a da luta contra o ensino e o trabalho remoto.

“[…] não conseguimos construí-la na base por conta da situação emergencial da pandemia, e o ensino remoto para alguns era a única forma de manter a instituição funcionando, mas o problema é que, infelizmente o que seria temporário devido a emergência sanitária, está virando permanente. Inclusive o nosso Instituto Federal, que é o IF BAIANO, está discutindo e vai querer impor como a ‘nova’, a ‘moderna’ organização do trabalho. […] O SINASEFE está fazendo a sua parte, tentando mobilizar para o debate e rejeitar essa minuta do Teletrabalho que estão querendo implementar no IF BAIANO.”, afirmou o coordenador do SINASEFE e professor do IF Baiano.

Especificamente sobre a campanha contra o retorno às aulas presenciais, o Diário da Causa Operária questionou Carlos Magno sobre o que está faltando para a campanha atingir um público maior. Ele respondeu que “a campanha está aí, ela está em vigor desde que foi aprovada. Infelizmente, temos um governo genocida, que opera com a morte, e atua na ampliação da pandemia. Investe contra a ciência, contra os cuidados básicos de proteção à saúde e dificulta as ações. As seções sindicais precisam efetivar a divulgação e colocação de outdoor, circulação de carros de som, etc, afim de levar esta campanha para todos os cantos do Brasil. Uma campanha linda, bem elaborada e bastante eficiente, porém, precisa apenas ser popularizada.”

Em contraste ao SINASEFE, na Bahia, a APLB pressiona o governo pela inclusão dos professores como grupo prioritário. Isto não passa de uma medida completamente demagógica. É mais do que sabido que não há vacinas em quantidade no país. Além disso, para o sindicato, ao que parece, alunos e funcionários da escola têm menor importância.

No Rio Grande do Sul, mais de 60 diretores e diretoras de escolas estaduais de Porto Alegre convocaram uma coletiva de imprensa em outubro de 2020 para se posicionar contra o retorno presencial.

“As nossas escolas têm problemas estruturais graves, falta de professores, falta de funcionários, e apesar da sobrecarga das aulas remotas, não queremos nos expor sem segurança ao vírus. Não queremos ser cobaias desse experimento genocida que o governo está conduzindo”, declarou o diretor do Centro de Professores do Rio Grande do Sul (CPERS), Daniel Damiani.

A diretora da Escola Porto Alegre, Greici Amarante, denunciou o governador Eduardo Leite (PSDB).

Estamos fazendo um movimento contra o retorno das aulas presenciais e pela preservação da saúde e da vida dos nossos estudantes, professores e funcionários. Precisamos seguir o que estamos fazendo porque o governo deveria se preocupar mais com a internet que até agora não deu, com escolas sem estruturas e não em arriscar nossas vidas”, disse Amarante na coletiva de imprensa.

A pressão exercida pelos educadores gaúchos funcionou e em menos de um mês, a justiça, um braço atuante da burguesia, emitiu decisão favorável aos professores e estudantes e as escolas foram novamente fechadas.

Os professores de Pernambuco decretaram greve contra o plano de retorno presencial imposto pelo governador direitista, Paulo Câmara (PSB). Em assembleia virtual do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco (Sintepe), que contou com a presença de mais de 1,5 mil participantes, a greve foi aprovada por 95% dos que se fizeram presentes. Um exemplo bem claro de que os professores estão conscientes de que retorno presencial durante a pandemia é genocídio.

Funcionários e professores do Paraná, que tiveram seus contratos terminados no dia 31 de dezembro de 2020 pelo governador fascista Ratinho Jr., ocuparam a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em 18 de novembro do mesmo ano, tendo sido retirados de lá pela justiça. Não contentes, os profissionais da educação acamparam em frente ao Palácio do Iguaçu, sede do governo do Paraná, por 8 dias e fizeram greve de fome.

Entretanto, esta mobilização foi apenas de membros da direção Associação dos Professores do Paraná (APP – Sindicato), como diz o professor Antônio da Silva:

“A APP – Sindicato teve duas táticas diferentes, na pandemia do vírus corona. Quando houve o encaminhamento da prova genocida, PSS, pelo governo Ratinho Féder, a greve feita pela APP – Sindicato foi só dos líderes e direções do sindicato. Até greve de fome os diretores do sindicato fizeram!”

A derrota da greve pela aplicação do PSS, fez o Sindicato mudar sua abordagem no enfrentamento ao governo genocida de Ratinho Jr.

“Quando o governo delinquente Ratinho Féder quis empurrar todos os professores, incluindo os concursados, para a volta presencial, aí a APP – Sindicato, em assembleia, estava levando a uma greve de todos os professores e não só dos diretores sindicais. A greve ainda não se efetivou, porque estamos em ensino remoto ainda e o presencial parcial ainda não se concretizou”, continuou o professor Antônio da Silva.

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Profissionais da educação do Paraná realizaram acampamento e greve de fome contra o PSS. Foto: reprodução

Os professores de Santa Catarina decidiram, junto ao Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública Estadual de Santa Catarina (Sinte), pela paralisação das aulas presenciais em assembleia no dia 8 de março. A Secretaria de Educação do Estado afirmou, seguindo a cartilha bolsonarista do governador Carlos Moisés (agora afastado pela justiça), que a greve era ilegal e que as escolas eram ambientes seguros, além de ameaçar os educadores grevistas.

Em São Paulo, os educadores da rede estadual se levantaram contra o governador golpista João Dória. Professores vinculados à Apeoesp decidiram por entrar em greve contra o retorno das aulas presenciais, porém com manutenção do mentiroso ensino remoto.

Em 29 de julho de 2020, professores da Apeoesp fizeram ato de rua contra a política genocida do governador João Dória em retomar as aulas presenciais. Este foi a primeira atividade de rua de algum grande sindicato no país. Antes deste, apenas organizações com menos história na luta dos trabalhadores, como sindicatos de atendentes de call-centers e entregadores por aplicativo realizaram atividade de rua.

No ano de 2021, a Corrente Sindical – Educadores em Luta, do PCO, realizou piquetes em diversas escolas no estado de São Paulo contra o retorno às aulas sem vacinação de toda comunidade escolar.

Setores pelegos dentro da Apeoesp, liderados por legendas elementos de PSOL e PSTU tentaram, ao máximo, sabotar a greve dos educadores, propondo até, em assembleia regional, que os professores voltassem às escolas para assinar o ponto.

Em contraste a política combativa da base, o Simpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo) adotou uma política covarde e traidora da classe. Seu presidente, Cláudio Fonseca, orientou os professores a somente ficarem em casa, ao invés de realizarem manifestações e piquetes. O Sindicato não realizou assembleia alguma. Além disso, a greve, que havia sido acordada, entre os diversos sindicatos dos professores municipais, para iniciar em 10 de fevereiro de 2021, nem divulgada pelo Simpeem foi.

No dia 12 de abril de 2021, quando foi liberado o retorno às aulas presenciais em São Paulo, professores grevistas ligados ao Sindsep e à Corrente Sindical – Educadores em Luta, fizeram protestos em frente a prefeitura de São Paulo.

A professora do comando de greve Butantã, Sabrina Teixeira, afirmou que a greve continuará devido à pandemia.

“Semana passada foi a de maior mortes na cidade de São Paulo. Como podemos encaminhar as crianças para a escola? Elas podem se contaminar e levar o vírus para suas famílias. Precisamos de vacina para todo mundo e de testagem RT-PCR para identificar se a pessoa está contaminada. E essa pessoa tem de ter direito ao auxílio decente com auxílio emergencial”, denunciou a professora.

Em Araraquara (SP), onde o prefeito, Edinho Silva (PT), adotou as medidas mais repressivas do país, os professores municipais decretaram greve por tempo indeterminado até que o prefeito revogue a decisão de retorno às aulas presenciais.

Fica óbvia a diferença entre a combatividade da base de muitos sindicatos e a paralisia das direções sindicais e outros elementos que as circundam. Esta política conservadora das direções pode ser, também, o fim de um sindicato. Dadas as confusões políticas, a base pode vir a enxergar a direção do sindicato como o próprio sindicato (como muito acontece) e decidir por abandoná-lo, frente ao peleguismo crônico, o que certamente enfraquecerá a luta organizada dos trabalhadores.

O movimento estudantil contra o ensino remoto e o retorno às aulas presenciais

Mesmo com a pandemia, estudantes do país inteiro se mobilizaram contra os abusos cometidos pelos governos e pelos capitalistas. Tanto estudantes de instituições públicas quanto privadas se manifestaram.

Caio Sad, coordenador geral da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet), colocou que a posição da Fenet era pelo adiamento das aulas ao invés da implementação do nauseabundo ensino remoto. “A decisão foi tomada sem que se fosse feito um amplo debate com o conjunto da comunidade acadêmica, sem uma pesquisa com o perfilamento socioeconômico dos estudantes”, denunciou.

Em São Paulo, estudantes da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) fizeram ato em frente ao prédio da instituição, na Barra Funda. Os jovens protestaram contra o aumento da carga horária na modalidade EAD e a demissão de 30 professores da instituição.

Poucos dias depois, em Brasília, estudantes secundaristas e universitários do comitê Estudantes em Luta e da AJR se juntaram a professores em um protesto em frente a reitoria da Universidade de Brasília (UnB). A motivação por trás dessa mobilização foi o decreto do governador fascista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que reabria o comércio e impunha o retorno às aulas presenciais mesmo sem vacinação. Os estudantes também protestaram contra o ensino remoto adotado pela UnB, onde não foi realizado debate alguns com os estudantes.

A presidente do Grêmio do CEAN, Isadora Roitman, denunciou que os secundaristas foram obrigados a aderir ao ensino remoto. Em caso de greve dos estudantes, a diretora fascista da instituição ameaçou denunciá-los ao conselho tutelar.

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Ato da juventude no DF. Foto: Arquivo PCO

Entretanto, a primeira grande mobilização de estudantes no DF foi a greve do Centro de Ensino Médio (CEM) Setor Leste, onde a juventude colocou-se contra o ensino remoto e o retorno presencial sem imunização de todos.

Ainda no Centro-Oeste, em Goiás, nos meses de julho e agosto de 2020, estudantes do IFG dos campi Aparecida de Goiânia, Itumbiara, Setor Leste de Brasília e Águas Lindas fizeram assembleias para discutir o ensino remoto. Em Aparecida de Goiânia, os estudantes deflagraram greve. Nos demais campi, foi deliberado indicativo de greve.

No Pará, alunos da Universidade Estadual do Pará (UEPA) deferiram, através de assembleia unificada com os professores, o estado de greve estudantil de maneira conjunta aos docentes da instituição. A assembleia contou com mais de 200 pessoas e deliberou contra a implementação do ensino remoto emergencial.

O governo do Rio de Janeiro, em setembro de 2020 foi obrigado a suspender o retorno presencial das aulas na rede estadual após mobilização de companheiros da AJR no centro da cidade.

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Ato da AJR no RJ. Foto: Arquivo PCO

No Rio Grande do Norte, estudantes do IFRN foram às ruas protestar contra o interventor bolsonarista Josué Moreira e o ensino remoto sem auxílio aos estudantes. Foram realizados atos, piquetes, assembleias e iniciaram mobilização por uma greve estudantil.

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Professores e estudantes do IFRN protestam contra o interventor bolsonarista. Foto: reprodução

No dia 13 de outubro de 2020, estudantes da UnB e ligados à Fenet protestaram em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ato da juventude tinha como principal luta a manutenção da autonomia universitária e a luta contra a nomeação de interventores por Bolsonaro.

Um mês após, em novembro, os estudantes e trabalhadores da UFPB ocuparam a reitoria contra a nomeação do interventor Valdiney Gouveira pelo presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. Além de ocuparem a reitoria, os manifestantes também ocuparam a Via Expressa Padre Zé, ateando fogo em pneus e bloqueando a passagem de carros.

No Mato Grosso, estudantes e professores de três escolas que foram fechadas pelo governador fascista, Mauro Mendes, realizaram manifestações, como a ocorrida em 21 de novembro, em frente a Escola Estadual Mercedes de Paula Sôsa.

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Professores e estudantes protestando contra o fechamento de escola no MT. Foto: reprodução

Apesar da mobilização de estudantes, tanto a União Nacional dos Estudantes (UNE) quanto a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) desempenham um papel triste na luta contra o ensino remoto, o retorno às aulas presenciais e os ataques à educação e à juventude.

Tanto UNE quanto UBES adotaram a covarde política do “fique em casa”. Enquanto milhares de estudantes se veem excluídos da educação, ambas as entidades adotam a burocrática política de torcer por migalhas dadas pelo judiciário controlado pela direita. Além disso, apostam nos ridículos “twitaços”. Em um país onde boa parte dos estudantes não possuem condições de acesso à internet, promover a luta através da rede mundial de computadores é uma grande piada de mal gosto.

Com a ameaça do retorno presencial à UBES, ao invés de apoiar os movimentos de educadores e da juventude contra a direita, fez um aceno aos governadores golpistas, como João Dória. Segundo a UBES é necessário “pensar em soluções viáveis para a realidade de cada retorno. Cabe a todos exigir das autoridades e gestores que esse retorno seja marcado por transparência, proteção, investimento na formação dos profissionais da educação e na estrutura escolar.”

Em outras palavras, o que a UBES faz é trair o movimento estudantil com uma política covarde e que entrega toda a educação de bandeja para a direita golpista, principal inimiga da educação pública. É óbvio que a direita, que faz nada para combater a pandemia, também não dará condição alguma para o retorno presencial. O povo sabe disso, a UBES finge não saber.

No último mês de março, UNE e UBES lançaram uma campanha pela vacinação prioritária dos educadores a fim de que isso possa permitir o retorno às aulas presenciais. A posição da UNE e da UBES é uma política errada e que condenará estudantes às câmaras da morte que são as escolas durante a pandemia.

Para o membro da AJR, João Vitor Drauzacker, a atuação de UBES e UNE durante pandemia “foi nula” e que “fizeram absolutamente nada em relação ao EaD”. Ele ainda denuncia que UBES e UNE apoiaram o ensino remoto.

“A entidades que são, hoje, dirigidas pela UJS [União da Juventude Socialista], principalmente, que é a juventude do PCdoB, foram bastante prejudiciais para os estudantes”, denunciou João Vitor.

“O problema da maior, que queria enfatizar, foi o apoio das entidades [UBES e UNE] ao retorno das aulas [presenciais] nesse período agora […] Eles se aliaram aos governos para promover a volta às aulas […] realizaram diversas reuniões e ações concretas, práticas de apoio à volta às aulas. Foram nas escolas conversas com estudantes, defendendo a volta às aulas. Isso é uma traição muito grande ao movimento estudantil e à luta dos estudantes. […] O retorno às aulas representa a contaminação e a morte de centenas (e até milhares) de professores, de estudantes e também da comunidade escolar […] Só no retorno das aulas em São Paulo, por exemplo, em poucas semanas, centenas de professores, trabalhadores da educação, foram mortos porque foram contaminados nesse retorno. Então, esse apoio a volta às aulas, foi um apoio ao genocídio que é promovido pelos governos”, continua o membro da AJR.

Sobre a atuação da AJR, João Vitor diz que:

“nós da AJR estávamos contra o EaD. Inclusive, nós fizemos uma série de mobilizações contra o EaD, contra a implementação do ensino à distância nas faculdades e escolas, justamente por entender este motivo [que o ensino remoto implementado é uma farsa].”

A situação da juventude é muito parecida com a dos educadores. A base pronta para ser organizada em uma grande mobilização, mas a atuação de diversas entidades que deveriam dever representá-la não apenas freia o movimento, como também deixa a juventude à mercê dos governos genocidas.

O que fazer?

Os ataques à educação vem se somando desde o golpe de 2016. Cortes orçamentários, perseguição a professores e uma política de genocídio contra a juventude estão na pauta dos golpistas.

É público e notório que a única maneira de parar os ataques à educação, aos educadores e à juventude é a derrota do golpe de 2016. Para isso, é necessário a retomada de grandes atos de rua que coloquem o regime golpista em sério risco de queda.

O caminho real e verdadeiro é através de uma greve geral de todas as categorias que vêm sendo atacadas. Petroleiros, bancários, educadores, juventude, ecetistas, movimentos sociais, todos devem mobilizar-se por uma greve geral para derrubar os golpistas imediatamente.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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