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Com as revelações do Intercept esta semana e as declarações do Glenn Greenwald, soltando aperitivos do que ainda será revelado, fica cada vez mais evidente que a Operação Lava Jato, o TR4, a Rede Globo (capitaneando jornais, revistas, rádios e outras emissoras de TV) e o golpe de Estado contra a Dilma (patrocinado por empresários e sistema financeiro) são tudo a mesma coisa, sócios do mesmo empreendimento. Um complô para forçar a parada da então sexta ou sétima maior economia do mundo.

Muitos de nós que não estivemos alheios e somos bem informados, temos fresco na memória quando Aécio Neves, após perder a eleição em 2014, fez seu primeiro pronunciamento de volta ao Senado, em que declarou guerra total à Dilma, sabotagem do governo, “nem que for preciso quebrar o Brasil, depois a gente reconstrói”, ameaçou.

E dane-se o povo, dane-se o seu emprego, danem-se todas as empresas que tiveram que fechar desde as “pautas bombas” da Câmara federal desde 2015.

Ficamos na expectativa de conhecer o que mais será revelado nos próximos lotes de denúncias do Intercept. Lembra da frase do Lula, sobre o Supremo “acovardado”? Seria o STF também parceiro do complô? Lembra do telefonema do Romero Jucá, “com o Supremo, com tudo”, e nesse tudo incluía também os militares?

Pois a destruição sofrida pelo Brasil pelos crimes da Operação Lava Jato tem todos esses comparsas.

Em outros países, seja Itália, EUA, Alemanha ou Japão, que tiveram tribunais julgando casos de corrupção em empresas, as empresas e os empregos foram preservados. Juízes e procuradores mais responsáveis não tiveram lá a intenção de prejudicar as economias daqueles países.

Aqui, fica a cada dia mais claro que o Brasil foi arrasado intencionalmente, para derrubar o governo, provocar insatisfação popular ingênua e abrir as portas para a extrema-direita tomar o poder e deixar os gringos ocuparem ou tomarem o que lhes interessasse, como espólio de guerra.

Houve destruição do setor de construção civil e de empregos. As grandes construtoras brasileiras, aquelas que construíram estradas no Iraque, pontes e palácios de governos africanos, terminal de aeroporto de Miami, obras em toda a América Latina, incluindo o metrô de Caracas e o porto de Mariel, em Cuba, foram dissolvidas, viraram pó. Um desmonte intencional e criminoso.

A Petrobras foi diminuída e retalhada para facilitar caber nos bolsos dos gringos, a Embraer foi levada embora voando, a base de Alcântara foi doada, um pedaço do território brasileiro não pertence mais ao Brasil, e o submarino atômico que estava sendo construído para ajudar a patrulhar as riquezas do nosso fundo do mar (leia-se petróleo) foi descartado porque a quarta frota dos Estados Unidos já assumiu o serviço ao longo da nossa costa marítima.

A posição dos Brasil nos organismos internacionais, Mercosul, Unasul, ONU, BRICS, foi desocupada ou tornada desimportante. O Brasil ficou desimportante. Tem um presidente que é convidado a não aparecer no mundo todo e quando aparece e fala, dá um vexame atrás do outro.

Até a eleição fajuta dele cumpre o objetivo de diminuir o Brasil, de nos depreciar perante o mundo, uma gigantesca operação de sabotagem moral e econômica, incluindo a queda de prestígio da marca Brasil, dos produtos brasileiros.

Isso se reflete no PIB, cada vez menor.

Fica explícita a responsabilidade da Lava Jato sobre o fraco desempenho do PIB. As estatísticas apresentam uma elevada correlação entre ambos os fenômenos. Durante o primeiro ano de atuação da República de Curitiba, o IBGE apurou a primeira retração significativa do produto brasileiro desde 2009. Assim, já em 2014 o PIB ficou praticamente estagnado, com crescimento de apenas 0,5%.

Ao longo de 2015, os efeitos foram mais evidentes. Os efeitos perversos sobre a capacidade de ação da Petrobras e das empresas do setor de construção civil se fazem mais nítidos. O PIB cai 3,8%. O movimento recessivo mais geral tem continuidade em 2016, e a Lava Jato também mantém suas atividades paralisantes sobre o setor real de nossa economia.

Com isso, o ritmo da economia brasileira se vê retraído em 3,6%. Considerando todo o período, vivemos a maior recessão de nossa história. Este ano, as projeções mais otimistas apontam que o PIB ficará em 1% positivo. As mais realistas, projetam uma retração, um número abaixo de zero.

A expansão das atividades do grupo comandado por Sérgio Moro se confunde com o período de aprofundamento das dificuldades na área da economia.

A Lava Jato liderou um projeto de ocupação do poder e dos ativos brasileiros por forças estrangeiras (com prepostos locais), que parecem ter orientado ou mesmo plantado aqui a própria operação desde o início, com treinamento prévio de seus executores no Estados Unidos, para onde viajavam frequentemente para receber atualizações. Isso vai vir à tona no Intercept?

Greenwald já enfrentou o serviço secreto do seu país antes, quando escreveu as reportagens sobre o denunciante Edward Snowden, que virou filme. Ele ganhou o prêmio Pulitzer, em 2014, por aquele trabalho.

No Twitter, a pessoas que o interpelaram ansiosas, suplicando por mais revelações, Greenwald pediu calma e paciência: “tudo será dito”, ele escreveu. Como diria Dilma, “não ficará pedra sobre pedra”. Vai ser uma trabalheira para o Lula consertar tudo quando voltar.