Contra o vírus, Fora Bolsonaro
Cabe à direção da Central Única dos Trabalhadores a agir, agir imediatamente e agir com a energia que corresponde à gravidade da situação.
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CUT deve encabeçar a mobilização e organização popular neste momento de crise. Foto: CTB/Flickr |

Rui Costa Pimenta

O avanço da epidemia global sobre o Brasil e o agravamento da crise econômica capitalista exibiram em sua plenitude a divisão do País em cidadãos de primeira e segunda classe.

O governo Bolsonaro faz menos que nada. Na realidade, Bolsonaro é a personificação da sabotagem organizada contra o povo brasileiro. Não há nenhum plano de emergência sendo colocado em prática para criar mais leitos hospitalares, obter equipamento médico necessário, testes ou suprir outras necessidades fundamentais.

Os governadores do principais Estados, São Paulo, Rio e Minas Gerais, homens da extrema direita nacional, impuseram como única medida o confinamento da população em suas casas. Não há sequer um sistema de testes para separar os doentes do restante da população, os doentes somente são tratados quando os sintomas chegam a um estágio elevado. Estabeleceram uma ditadura para ocultar que não têm qualquer plano real de contenção da epidemia. Toque de recolher, repressão policial aos moradores de rua e à população. Os fascistas no governo federal estão cogitando decretar o Estado de Sítio. A solução da direita para criar uma aparência de combate ao vírus é estabelecer uma ditadura formal.

Ao mesmo tempo, o transporte público dessas cidades, onde a população viaja espremida, continua a funcionar normalmente. Configura-se aí uma farsa com um resultado desastroso. A burguesia e parte da classe média ficam em casa, alguns inclusive festejando de uma maneira ridícula e macabra este privilégio, enquanto a maioria da população, ou seja, a classe trabalhadora é compelida pelos senhores de escravos modernos a desafiar o vírus todos os dias em transportes lotados e locais de trabalho sem absolutamente nenhuma segurança. O vírus pinta um retrato perfeito da sociedade de classes.

A tudo isso, devemos acrescentar a devastadora crise capitalista. Boa parte dos confinados em seus apartamentos foram obrigados a fechar os seus negócios. Se a situação atual perdurar, vão perder tudo. Mas muito pior é a situação do trabalhador. As demissões estão escalando. Calcula-se que, a curto prazo, teremos mais cinco milhões de desempregados a se juntar aos 20 milhões já existentes – 14 milhões de desempregados oficiais e 6 milhões que desistiram de procurar emprego, aproximadamente. Do gigantesco contingente de subempregados, mais de 40 milhões de pessoas, muitos perderão seus meios de vida ou terão o seu rendimento drasticamente reduzido. A combinação de epidemia do Coronavírus, outras epidemias e doenças, colapso iminente do atendimento da Saúde pública, da miséria e eventualmente da fome nos leva a vislumbrar uma hecatombe para a população trabalhadora brasileira e parte da pequena-burguesia.

As medida econômicas dos governos deixam clara a orientação do conjunto da burguesia diante da crise: bilhões para os empresários, migalhas para a população pobre. Bolsonaro autorizou a redução salarial em meio a esta crise catastrófica.

Na maioria esmagadora das empresas não há nenhuma medida de segurança. Os escravos têm que trabalhar para suprir os que estão confinados, para eles não há nenhuma segurança. Operários das fábricas, caixas de supermercado, trabalhadores dos transporte, trabalhadores dos correios têm que trabalhar. Outros perdem completamente o emprego e todos estão expostos ao contágio do vírus.

O grande problema diante desta situação é que a maior parte dos sindicatos fechou as portas e entrou em confinamento, decretando, contra o princípio fundamental da solidariedade operária, a lei capitalista do “salve-se quem puder”.

Nunca como antes, a população trabalhadora precisa da ação das suas organizações. Trabalhadores estão entrando em greve espontaneamente em vários lugares. Eles não têm alternativa alguma senão lutar.

Mas, devem lutar divididos, parcelados, sem nenhuma orientação, sem centralização, sem um programa claro?

Evidentemente, não.

Cabe à direção da Central Única dos Trabalhadores – no momento da verdade como este, as demais “centrais sindicais” mostram-se inúteis – agir, agir imediatamente e agir com a energia que corresponde à gravidade da situação.

Em primeiro lugar, é preciso convocar um fórum para discutir um programa de emergência diante da crise de saúde e econômica. Depois, é necessário discutir com os sindicatos e outras organizações populares.

Algumas medidas devem ser tomadas imediatamente nas categorias mais expostas ao problema. Nas grandes cidades, é preciso paralisar o transporte público. Metroviários e condutores de ônibus deveriam parar imediatamente para proteger os trabalhadores do transporte, mas também toda população que está sendo obrigada a trabalha sem qualquer segurança. Outros trabalhadores muito expostos são os funcionários dos supermercados e dos correios, que também deveriam ser paralisados imediatamente. A paralisação deve seguir até que todas as medidas necessárias sejam tomadas para garantir a segurança e as condições de vida de todos.

Outra medida essencial é convocar todos os trabalhadores a criar comissões para garantir a segurança sanitária dentro das empresas. As CIPA’s, na sua maioria, estão controlada pelos patrões e não vão cumprir esta função. Sem fiscalização, não como garantir a saúde do trabalhadores e menos ainda os salários e empregos. Na Itália, os trabalhadores estão realizando inúmeras greves para forçar os patrões que na sua maioria não querem atender esta reivindicação.

É preciso fazer e é preciso fazer já

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