Craqueiros eleitorais
Setores da esquerda que defendem a frente ampla são uma espécie de achacadores do povo, culpam a população por sua política totalmente equivocada e capituladora
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Boulos, Dino, Haddad
Boulos, Haddad e Dino, 3 defensores da frente ampla com a direita golpista | Foto: Reprodução

As recentes pesquisas dos institutos da burguesia, que trouxeram Bolsonaro como grande vitorioso num cenário em que as eleições fossem hoje, fizeram a esquerda mostrar um lado totalmente grotesco e direitista: o dos craqueiros e achacadores eleitorais.

Após ver Bolsonaro sendo colocado como vencedor em todos os cenários, setores da esquerda que defendem a frente ampla passaram a atacar os trabalhadores que recebem auxílio emergencial, com a tese de que o povo teria se vendido a Bolsonaro devido ao auxílio e que agora seria todo bolsonarista.

Obviamente que é mais um absurdo da esquerda pequeno-burguesa, que não questiona o fato dos institutos de pesquisa não trazerem o nome de Lula nas pesquisas, mas procura culpar o povo pela sua completa falta de política diante do golpe de Estado de 2016 e da fraude de 2018.

O povo não se vendeu, muito menos a Bolsonaro! Os trabalhadores majoritariamente nunca deixaram de apoiar Lula. Pelo contrário, quanto mais ataques a direita fez ao PT e a Lula, mas o apoio da população ao ex-presidente aumentou. Para quem participou do ato de registro da candidatura de Lula em 2018, como eu, ficou visível que era perfeitamente possível levar a candidatura de Lula até as última consequências, o que criaria um verdadeiro tumulto no regime político e colocaria uma enorme crise à fraude eleitoral de 2018, que talvez nem tivesse se consumado.

Portanto, se há alguém que se vendeu, não foram os trabalhadores, mas sim essa esquerda craqueira eleitoral, que abandonou (ou nunca aderiu) a luta contra o golpe, e esqueceu Lula para participar das eleições a qualquer custo, em busca de manter ou conquistar alguns cargos públicos.

Para esconder toda essa traição é que servem as vinhetas e frases como “a culpa não é minha, eu votei no professor” ou “eu avisei”, “ninguém mandou votar no Bozo”, “faz arminha agora”, etc. Todos são chavões que expressam uma tentativa de uma lição de moral pequeno-burguesa contra o trabalhadores, que teriam “virado a casaca” e apoiado seus próprios algozes.

O raciocínio está baseado na ideia de que se as vítimas do golpe de Estado, a população do País, apoiaram Bolsonaro e agora estão sofrendo com seu governo de extrema direita, “bem feito”, “que se virem”. É um pensamento reacionário em si mesmo. Defender uma vítima, em qualquer situação que seja, defender uma mulher contra um estuprador bolsonarista, defender o povo contra o genocídio dos golpistas, é uma questão de humanidade, de igualdade, não requer nenhum condição para que o expectador se posicione.

Mas aqui, a esquerda que adora fazer demagogia com a questão da mulher, dos negros e dos lgbts, aparece como uma verdadeira defensora dos opressores, dos inimigos do povo e das “minorias” que a esquerda diz defender. Ao se colocar desta forma, essa esquerda se torna avalizadora do golpe de Estado de 2016, da fraude eleitoral de 2018 e da iminente fraude eleitoral de 2020/2022 e cai na armadilha que a burguesia montou.

Que é a seguinte. Mostrar que o povo irá reeleger Bolsonaro em “todos” os cenários, logo, que o povo apoia o genocídio contra si mesmo. Logo, que a esquerda não poderia se apoiar no povo para combater Bolsonaro, pois o povo seria bolsonarista. Logo, a esquerda, perdendo suas bases nos “evangélicos e na população pobre”, teria que se apoiar em outros setores que não a população e os trabalhadores. Quem são esses setores? A direita tradicional (PSDB, DEM, MDB, PDT, PSB e afins). Daí surge a frente ampla, da democracia amarela da Folha de S. Paulo, com Boulos, Haddad, Dino, FHC, Jereissati, Ciro Gomes, “com o supremo [do Alexandre de Moraes], com tudo”.

É assim que a esquerda assume a artilharia contra o povo, juntando-se à direita golpista e fazendo com que setores que a acompanham, sobretudo da classe média, ao invés de se juntarem à luta contra o golpe, sirvam como um elemento de confusão, que a todo momento se colocam contra o desenvolvimento da luta contra os golpistas. É preciso compreender que essa postura, de culpar os trabalhadores, só serve aos inimigos do povo e portanto deve ser criticada e apontada como tal.

Mais uma fraude eleitoral se aproxima, é combatê-la.

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