Declínio econômico acentuado
Em uma das maiores crises econômicas, talvez a final, a concentração do capital se acentua ao mesmo tempo que impõe duras perdas para os trabalhadores.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Recentes dados divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) dos países em 2020, mostram o tamanho da crise capitalista em curso no mundo. Os países apresentaram taxas negativas de crescimento, que variam de 3,5% nos Estados Unidos da América (EUA) a 11% na Espanha.

Entre os países imperialistas, além dos EUA, o Japão teve queda de 4,8%, a França de 8,2%, o Reino Unido de 9,9% e a Alemanha de 5%, mesmo tendo sido o país que adotou o maior volume de incentivos à economia, leia-se, dinheiro do Estado para salvar os capitalistas. O único dado um pouco diferente é o da China, que manteve a taxa de crescimento positiva de 2,3%. No entanto, isto não altera a tendência mundial de queda, dado que este foi o pior resultado do País desde 1976! Indonésia, Noruega, Suécia e Coreia do Sul também tiveram desempenho negativo.

Brasil

Destaque para o Brasil, que teve queda de 4,1% do PIB, seu pior resultado desde 1990, quando o governo Collor confiscou a poupança e levou o País para uma verdadeira mobilização nacional massiva, que resultaria na derrubada do seu governo. Naquele ano o PIB despencaria 4,35%. A queda atual, quando comparado a toda a série histórica no País, iniciada em 1900, antes da crise capitalista mundial de 1929, também está atrás da crise da dívida externa em 1981, durante a ditadura militar, quando a queda foi de 4,25% do PIB.

A retração atual não foi a maior de todas da história do País, segundo os próprios economistas burgueses, devido ao auxílio emergencial. Dado o desemprego massivo e o empobrecimento da população, que teve sua renda regredida ao mesmo patamar de 2009, o pagamento do benefício de 600 reais foi o que deu um fôlego para que a economia não ficasse totalmente paralisada.

Este é o tradicional momento em que os capitalistas que propagam tanto a ideologia neoliberal se apoiam no Estado para prover sua sobrevivência diante da crise que eles mesmo causaram. Os gastos bilionários dos governos para salvar os capitalistas foi outro fator que ajudou a reduzir os efeitos da crise econômica, agravados pela pandemia.

Segundo os dados da equipe responsável pelo Índice de Estímulos Econômicos da Covid-19, de universidades dos EUA, Coreia do Sul e Turquia, o Brasil anunciou medidas em 2020, de 12% do PIB em estímulos à economia. Com isso ocupou a 27 posição entre as 168 nações, conforme matéria do jornal golpista Folha de São Paulo.

A política neoliberal implantada na maioria dos países desde os anos 80 do século passado, tem ocasionado frequentes crises econômicas. Utilizada para corrigir as distorções próprias do capitalismo, que tende a concentrar a renda, e portanto o poder, em poucas empresas e com isso gera crises de superprodução. Essa política tem como eixo reduzir o papel do Estado na economia, deixando as distorções capitalistas sem nenhum tipo de freio, fazendo com que o sistema seja corroído por dentro.

Outra característica dessa política é a redução dos benefícios sociais. As constantes crises que o mundo vem assistindo há décadas tem como consequência a piora da qualidade de vida para os trabalhadores. Diminuição de salários, seguros sociais, degradação da condição das moradias, sem direitos sequer à saúde e a alimentação adequados.

Enquanto, por outro lado, a renda dos grandes empresários cresce a toque de caixa. Conforme anunciado em matérias da própria imprensa burguesa, a renda dos 10% mais ricos cresceu durante a crise capitalista, mesmo com a pandemia.

A queda histórica do PIB brasileiro, neste sentido, é uma expressão da crise mundial do capitalismo, que tende a acirrar a luta de classe para um confronto inevitável entre os trabalhadores e a burguesia, que deu o golpe de 2016 e elegeu Bolsonaro na fraude eleitoral de 2018.

 

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