Frentes
O PO não consegue discernir o que está em jogo com a frente ampla no país
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Frente ampla | arquivo

A acentuação da crise política no Brasil tem provocado o aumento da polarização política, com o aprofundamento do golpe de Estado de 2016. Ao mesmo tempo aumentou de maneira inaudita a confusão política. Em parte, devido ao fato da direita tradicional, que deu o golpe, procura limpar os seus rastos, e se apresenta cinicamente como “opositora” ao governo Bolsonaro. Por outro lado, a esquerda pequeno burguesa que não compreendeu nada do que aconteceu em 2016, continua completamente perdida, tendo transcorrido 4 anos do golpe, chegando ao ponto de embarcar na “frente ampla democrática” com a direita.

Neste cenário, o aparecimento de diversas “frentes” eleitorais, políticas ou mesmo sindicais (patrocinadas pelas “ centrais”), em especial a campanha pela “ Frente Ampla” reunindo a “ esquerda e a direita” em nome do combate pela “ democracia” faz parte das manobras políticas da burguesia para subordinar aos trabalhadores ao regime golpista.

O Partido Obrero da Argentina, que no último período abandonou qualquer política de classe, tendo se transformado em partido “ frentista” eleitoreiro, demostrou no artigo Brasil-acerca-de-los-frentes-de-izquierda, que assim com a esquerda pequeno burguesa brasileira não tem a mínima noção sobre o que está em jogo com as “ frentes” no Brasil.

 

“ Hay en marcha una campaña para formar un Frente Amplio, sumando fuerzas en nombre de la lucha por la democracia contra el autoritarismo fascistoide de Bolsonaro. En este operativo han intervenido dirigentes burgueses opositores, como el ex presidente Fernando Henrique Cardoso, el ex candidato presidencial Ciro Gomes o incluso el propio expresidente Michel Temer quien –a través de un golpe- reemplazó a Dilma Rousseff en la presidencia del Brasil. La justificación de la convocatoria a constituir este Frente Amplio es el planteo de la inminencia de una irrupción fascista con Bolsonaro. Con la denuncia de esta amenaza fascista, lanzan el llamado a que se sumen todos los sectores políticos desde la izquierda, pasando por la centroizquierda, la derecha y hasta sectores de la extrema derecha a un gran Frente Amplio en defensa de la democracia. “Fascismo o Democracia” es su lema central. El método propugnado es pedir un juicio político (impeachment) para destituirlo.” ( Prensa Obrera)

 

Bem, pedimos desculpa pela longa citação, mas é necessária para perceber a confusão do PO.

A Frente Ampla constituída pelos partidos e políticos que deram o golpe, portanto partidos da direita tradicional, como PSDB,MDB e DEM e partidos que apoiaram o golpe como PDT de Ciro Gomes, e mesmo setores da esquerda como PCdoB, direita do PT e parte do PSOL. O texto do PO não indica o que leva a sua formação, e crítica como “ erro” da Frente Ampla a não realizar mobilizações de massa, e que  “ O método preconizado é solicitar um julgamento político (impeachment) para destituí-lo.” Trata-se na verdade de um encobrimento do caráter  e dos objetivos da Frente Ampla, pois  não é verdade que os partidos golpistas, que demagogicamente se apresentam como “ opositores” querem a saída de Bolsonaro, nem mesmo o impeachment, partidos como PSDB, DEM e MDB subscreveram. FHC tem declarado que terminantemente é contra a saída de Bolsonaro.

A política da Frente Ampla tem como objetivo sustentar Bolsonaro até 2022, mesmo com a amplificação da crise econômica e com a denúncias sobre o envolvimento da família do Presidente da República envolvida em falcatruas.

Incompreensão do papel de Lula

O que demostra a completa falta de percepção da situação política brasileira é o fato que o PO não tem uma apreciação concreta do papel de Lula na crise brasileira. Em geral, o PO reproduz uma versão do morenismo em relação as lideranças da esquerda reformista e dos políticos do nacionalismo burguês, ou seja estabelece uma posição sectária e no fundo pró-imperialista.

O fato de uma parte das lideranças do PT serem favoráveis a Frente Ampla e Lula contrário, é assinalado pelo articulista do Prensa Obrera, “Hay dirigentes del PT que apoyaron las iniciativas de formación de un Frente Amplio, pero Lula no.” Entretanto, para o PO trata-se apenas de uma manobra de Lula para apresentar sua candidatura presidencial em 2022, através de uma frente com a direita, com apoio do capital, que sustenta Bolsonaro e mesmo das Forças Armadas.

 

“Lula no solo quiere dar muestras de ‘madurez’ frente a las Fuerzas Armadas y al gran capital que siguen sosteniendo a Bolsonaro sino que recela de que se esté organizando un entramado para promover como candidato presidencial, para las elecciones del 2022, y como ‘prenda de unidad’ a alguno de los figurones de la oposición derechista.

 

A “ análise” do PO é uma verdadeira caricatura da posição do terceiro período stalinismo nos 1930, que colocava um sinal de igualdade entre a social democracia e o nazismo. Notem que com essa posição, o PO acompanhou a esquerda pequeno burguesa no Brasil em 2016, quando negou que havia golpe e se recusou a defender Lula. Pois bem, agora observarmos que mesmo admitindo que houve golpe de Estado, e que a extrema direita está na ofensiva, a análise do PO é tributária do “ terceiro período”.

Uma primeira questão é que o PO não consegue caracterizar as divergências no interior do PT. Na verdade, não se dá ao trabalho de explicar o que levou os dirigentes do PT apoiaram a Frente Ampla e Lula não. Existe um total desconhecimento que luta política travada contra o golpe, dividiu o PT, e que um setor importante, formado por governadores e parlamentares advogaram que era preciso “ virar a página do golpe”, ou seja era preciso aceitar o golpe, e portanto abandonar Lula a sua própria sorte, e se integrar ao regime.

Disso decorre, que o PO não consegue perceber que a prisão de Lula foi parte central do golpe, e que a direita não aceitou a candidatura presidencial de Lula em 2018 e não permitirá de bom grado a candidatura de Lula em 2020 (por isso será preciso uma intensa mobilização para garanti-la).

Para o PO, Lula é maligno e somente não aceita a Frente Ampla, devido um cálculo ultra oportunista, pois ele mesmo pretende fazer um governo com as forças armadas, com o capital e com a direita, e, portanto, não aceita concorrência. Nesta visão, não existe luta de classes, sendo que o reformismo é no fundo a mesma coisa que a extrema direita.

PO: mais morenista que os morenistas

A entrega de um pedido formal de impeachment no Congresso Nacional, o que pese o fato do processo do impeachment em si não é uma saída adequada, é necessário novas eleições, realmente democráticas, mas de qualquer forma representa uma possibilidade de unificação da esquerda para uma luta em comum, pois a luta pelo Fora Bolsonaro é uma questão chave para enfrentar o regime golpista, a constituição de uma frente com essa perspectiva é um dos pontos fundamentais para criar uma mobilização independente.

Como o PO embeleza a Frente Ampla, e acredita que FHC e outros políticos burgueses querem o impeachment( o que é inclusive uma desinformação efetiva, não existe este pedido), para o PO o pedido de impeachment coletivo dos movimentos sindicais, populares e os partidos de esquerda é em si uma “ frente popular”.

 

“Uno de los pedidos de impeachment entregado a la Cámara de Diputados, hacia fines de mayo, tiene las firmas del Partido de los Trabajadores (PT), Comunista do Brasil (PCdoB), Socialismo y Libertad (Psol), Socialista de los Trabajadores Unificado (PSTU), Comunista Brasileño (PCB), Causa Operaria (PCO) y Unidad Popular (UP). Todas corrientes que integraron el Frente Popular Brasil que llevó a Lula, en su momento al gobierno, subsidiarios del PT y que conforman con el mismo todo tipo de maniobras. La única excepción y novedad es la firma del PSTU (miembro de la LIT-CI) que siempre ha proclamado su oposición a la constitución de un Frente Popular de conciliación de clases. “

 

Não vamos nos dar o trabalho de explicar o que seria frente popular, sendo um completo primarismo do PO afirmar que uma ação em comum por um objetivo parcial seria uma frente popular. O que chama atenção é o embelezamento  do PSTU pelo PO.

Primeiramente, o PO condena o PSTU por assinar um pedido de impeachment, isso quer dizer que nem mesmo um Fora Bolsonaro digamos institucional junto com os demais partidos de esquerda é admitido. Em segundo lugar, e mais importante, para o PO, o PSTU era contra a “ conciliação de classe” da Frente Popular.

Na verdade, o PSTU apoiou o golpe de Estado ao defender a derrubada do governo do PT no marco da campanha da direita. Essa política completamente contrária aos interesses dos trabalhadores levou ao colapso o próprio PSTU, que ficou em frangalhos. O PO( tanto o grupo majoritário quanto Jorge Altamira) apoiou essa política, mas quando ficou evidente, foram fabricadas algumas “ criticas” sobre o exagero do PSTU. Uma prova cabal do próprio apoio do PO à política golpista do PSTU foi o fato que o PO apoio à candidata do PSTU à presidência da República, isso em 2018, dois anos após o “Fora Dilma e Fora todos” dos morenistas.

O artigo da Prensa Obrera prossegue apresentando outros “ manifestos” de grupos que também não lutaram contra o golpe, como MRT e outros que apresentam propostas inócuas de “ frentes” imaginárias. No final, o PO termina o texto proclamando a necessidade de uma “ frente continental” para promover “ rebeliões”.

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