A “combinação de crise” chegou aos caminhoneiros: inflação com recessão

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A greve dos caminhoneiros é locaute ou greve mesmo? É greve.

Locaute é uma paralização comandada pelos patrões, proibida pela constituição. No caso dos caminhoneiros, não cabe falar de uma iniciativa de patrões nem de empregados para falar propriamente, mas de pequenos proprietários prestadores de serviços, ameaçados pela alta do combustível.

O pequeno burguês tem uma aliança com a burguesia, e setores importantes da economia como transportes são em geral bem controlados por ela. Mas não é por que têm uma ideologia direitista, ou uma aproximação com a direita, que uma categoria de trabalhadores entra ou deixa de entrar em greve.

Hoje, o que impulsiona a greve é a insatisfação real com o governo, e com a atual política econômica, de alto teor neoliberal, que indexou o preço do barril de petróleo ao dólar.

Os caminhoneiros atribuem a Temer a responsabilidade pela falta de combustível. A greve poderia ser um álibi para uma eventual intervenção militar? Isso seria muito custoso, por mais direitistas que sejam os caminhoneiros.

Ela poderia apontar para um limite do liberalismo vigente e funcionar como estopim para outras greves, em outras categorias, que pressionassem a política econômica? Não é impossível.

A burguesia está tomando cuidado no combate aos grevistas. A esquerda olha com desconfiança o movimento. Certo é que deve haver apoio à greve dos caminhoneiros por parte da esquerda, não tanto pelo que pensam, mas pelo que estão fazendo.

O preço da gasolina disparou e chegou a atingir o valor estratosférico de R$9,99 o litro, quando na época de Dilma valia R$3,70.

Ao contrário de uma política de patrões disfarçada, ou alguma estratégia da direita para promover a intervenção militar, a greve expressa uma insatisfação real por parte da população, mesmo conservadora, com os efeitos danosos da política econômica neoliberal, implantada no Brasil a fórceps após o golpe de estado que depôs Dilma Rousseff.

O resultado do golpe no Brasil é hoje a alta inflacionária do combustível aliada à recessão econômica. Não foi bem isso o que prometeram os conspiradores.