Direitos democráticos
A esquerda abandonou a defesa de princípios políticos e adotou uma posição reacionária de acordo com o que defende os setores mais poderosos do imperialismo
(FILES) In this file photo taken on May 28, 2020, US President Donald Trump speaks in the Oval Office before signing an executive order related to regulating social media in Washington, DC. - Twitter's moves to label or hide comments from Trump have escalated a feud between the social network and the White House, but there could be more to come. The messaging platform has a range of
Trump está acuado pelos monopólios | Arquivo.
(FILES) In this file photo taken on May 28, 2020, US President Donald Trump speaks in the Oval Office before signing an executive order related to regulating social media in Washington, DC. - Twitter's moves to label or hide comments from Trump have escalated a feud between the social network and the White House, but there could be more to come. The messaging platform has a range of
Trump está acuado pelos monopólios | Arquivo.

Setores da esquerda pequeno-burguesa, que parecem enfeitiçados pelo veneno da chamada “democracia” imperialista, aparecem acusando o PCO de defender Donald Trump por conta dos acontecimentos recentes nos Estados Unidos.

A esquerda pequeno-burguesa se esforça para se desmoralizar completamente. A impressão que dá é a de que a maior parte dos dirigentes da esquerda está procurando chegar no fundo do poço, se é que finalmente não conseguiram alcançar tal nível. Isso porque a esquerda vem acumulando posicionamentos políticos que não são apenas errados, são reacionários.

Um caso interessante tem sido o apoio de grande parte da esquerda pequeno-burguesa às medidas tomadas pelos monopólios da internet contra Donald Trump. A conta do atual presidente dos Estados Unidos foi cancelada pelo Twitter e pelo Facebook. A rede social usada por apoiadores de Trump, a Parler, foi simplesmente banida da internet: Amazon, Google e Apple retiraram a rede de suas plataformas.

O pretexto para tal ação foi a invasão do Capitólio realizada na semana passada por apoiadores de Trump que não reconhecem o resultado da eleição presidencial que deu a vitória a Joe Biden.

Deveria ser claro para qualquer pessoa que se trata de uma ação de censura contra Trump. Tal ação se agrava pelo fato de se tratar do presidente do país, ou seja, empresas de comunicação decidiram calar o representante do país.

Esse fato por si só revela a ditadura dessas empresas. Isso independe se Trump e seus apoiadores são fascistas. O que deveria chamar a atenção, em primeiro lugar, de qualquer pessoa que está atenta aos problemas políticos fundamentais, é justamente a questão dos direitos democráticos, mas essa preocupação passa longe da esquerda pequeno-burguesa.

Para esses setores da esquerda que acusam o PCO de “defender Trump”, o mais importante é uma luta de facções, ou para falar um português mais claro, uma defesa dos interesses de uma panelinha. A esquerda abandona o princípio político de defesa do direito democrático para adotar a defesa dos seus amigos. Se você não faz parte da minha panelinha, então eu quero te calar à força.

Mas há aí um detalhe muito importante. O calar à força da esquerda significa pedir e apoiar que o Estado capitalista e os grandes monopólios calem seus inimigos. A esquerda é avessa a qualquer mobilização real para derrotar a direita, mas apela para as principais forças ditatoriais do Estado para impor uma censura.

É esse o caso que está acontecendo nos Estados Unidos. A esquerda aplaude a ação ditatorial dos monopólios e do aparato de Estado norte-americano contra Trump, ficando, assim, a reboque desse setor poderoso. Da mesma maneira, essa esquerda ficou a reboque de Joe Biden, candidato do setor mais poderoso do imperialismo, contra Trump.

Com essa política, fica claro que não é o PCO que está apoiando Trump, como afirmam alguns setores mal intencionados da esquerda, mas são esses setores da esquerda que estão em uma frente com o imperialismo.

Em suma, uma política direitista e reacionária e portanto que fortalece o fascismo, não combate.

Pau que dá em Chico, dá também em Francisco

A esquerda pequeno-burguesa substituiu a luta em torno de um programa e de princípios por uma política oportunista, de ocasião. Ao contrário do que parece, essa problema não é uma questão essencialmente moral, ou seja, defender um princípio acima do bem e do mal.

Pelo contrário, para um revolucionário os princípios devem estar baseados na luta de classes, mais precisamente no interesse da classe operária e dos oprimidos. A defesa incondicional dos direitos democráticos é antes de tudo uma defesa dos interesses das classes oprimidas da sociedade.

Deveria ser fácil de saber que se os monopólios imperialistas têm o poder de censurar Trump, presidente do país mais poderoso do mundo e ele mesmo um milionário, eles terão muito mais poder e muita facilidade para censurar o povo. Em última instância, Trump será o menos prejudicado da história toda.

Por um problema político que é a disputa pelo poder entre esses dois setores capitalistas, um setor menos poderoso, representado por Trump, está acuado. Nessa luta atacam os direitos fundamentais não apenas de Trump mas de toda a população. Hoje censuram Trump, amanhã censuram as organizações populares, a esquerda, os sindicatos e o povo de modo geral.

O pau que está batendo em Trump agora, vai bater com muito mais força no povo. Tudo isso deveria ser óbvio, mas a esquerda não enxerga isso, primeiro porque está sendo orientada pela política do imperialismo, segundo porque a mentalidade oportunista a impede de defender seus princípios contra aquilo que ela entende como sendo um “senso comum”, ou seja, abre mão de quaisquer princípios para não parecer impopular.

Por isso a esquerda totalmente tapada adota uma posição reacionária na questão e afirma que o “PCO está defendendo Trump”. Para ela, tudo é um problema de politicagem.

Tanto é assim que essa mesma esquerda apoiou a eleição de Joe Biden contra Trump, como se Biden fosse menos inimigo dos povos do mundo. Caíram na propaganda da imprensa imperialista de que Trump era o maior monstro da Terra para apoiar um genocida como Biden, responsável pelas guerras, invasões e golpes imperialistas no mundo todo nas últimas décadas.

Portanto, denunciar a censura que Trump está sofrendo nesse momento é um problema político da maior gravidade. A vitória do setor mais poderosos do capitalismo contra Trump vai significar não o fim do fascismo como acredita a esquerda, mas um aprofundamento de um regime fascista que os monopólios estão procurando aperfeiçoar no mundo todo.

Com fascista não se discute

Outro problema importante que faz da esquerda um apêndice da política imperialista é a confusão em torno do combate ao fascismo. “Com o fascismo não se discute”, essa frase significa que as organizações da esquerda não devem permitir que o fascismo levante a cabeça, deve combater o fascismo nas ruas. Ela não significa pedir para o Estado capitalista, que é a maior força fascista atual, calar o fascismo. Além de ser uma política ridícula, apenas serve para fortalecer a máquina fascista do Estado, que tem tanto poder nesse momento que conseguiu censurar o próprio presidente dos Estados Unidos.

Portanto, não há a menor importância se a direita está gostando da posição do PCO. Os chamados “libertários” têm uma ideia geral sobre alguns direitos democráticos, o que os aproxima do PCO nesse ponto específico.  Na realidade, no caso a extrema-direita defende essa posição por um problema político pontual, para se defender da ofensiva do outro setor da burguesia. Na primeira oportunidade, eles mesmos não terão nenhum princípio se for necessário atacar seus inimigos. Para a esquerda revolucionária não se trata disso, o problema é defender um princípio político que nesse caso são os direitos democráticos de todo o povo. E quando falamos todo o povo não é figura de linguagem, não dá para defender um direito para um e não para outros, mesmo se esses forem nossos inimigos políticos.

Reveja o vídeo em que o companheiro Rui Costa Pimenta fala sobre esse problema:

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