Contra a farsa
Burguesia frauda o processo de vacinação e desvia milhares da população, coloca-se na ordem do dia o controle popular sob a vacina.
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Um novo passo do genocídio contra o povo. | Reprodução
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Um novo passo do genocídio contra o povo. | Reprodução

Logo após o anuncio de que toda campanha de vacinação divulgada pela burguesia golpista não passava de uma grande farsa (como demonstrado aqui), o que restava das primeiras doses a serem distribuídas para uma parcela ínfima da população sofreram novamente do ataque brutal dos grandes capitalistas, mostrando a necessidade do controle popular em cima de todo este processo.

Como não bastasse a vacina ser comprovadamente menos eficaz que a média mundial graças a pressa dos capitalistas em desenvolver uma resposta à crise econômica, agora, os mesmos fraudam e roubam as poucas vacinas restantes.

Este problema apareceu por todo país, com uma série de denuncias realizadas sobretudo nas redes sociais de que milhares de vacinas haviam simplesmente “sumido” dos estoques estaduais.

Fraude, desvio e roubo

O caso mais alarmante foi justamente no estado do Amazonas. O estado que hoje tem a maior taxa de crescimento do número de casos e mortes por coronavírus em todo país, e com todos os hospitais da rede pública e privada em colapso, falta de oxigênios e até mesmo local para enterrar os mortos, teve 60 mil das suas 282,3 mil vacinas desviadas pelos grandes capitalistas.

O dado foi divulgado pelo telejornal JAM 2 edição no qual, em um base comparativa do número de vacinas recebidas pelo Estado e a quantidade de vacinas distribuídas, comprovou-se este déficit criminoso.

Para onde foram estas vacinas? A imprensa burguesa não conta, no entanto, no mesmo período casos de fraudes e “furos” na fila de vacinação foram denunciados por todos os lugares. É o caso de pelo menos cinco estados da federação – Amazonas, Pernambuco, Piauí, Rio Grade do Norte e Sergipe -.

Em Manaus, na véspera e no dia de início da vacinação da cidade, duas médicas, filhas do presidente da mantenedora da Universidade Nilton Lins, uma das principais de Manaus, foram nomeadas em cargos comissionados pela prefeitura da cidade para assim, serem vacinadas nesta terça-feira, “furando” a fila dos grupos prioritários e pessoas com comorbidades que estão à frente do trabalho com o coronavírus.

Já em Sergipe, o prefeito de Itabi, Júnior de Amynthas (DEM), também foi um dos “furões” sob a alegação de estar fazendo um “ato de demonstração de segurança” das poucas vacinas recebidas pela cidade.

Caso semelhante se deu em Jupi (PE), cidade com uma população de cerca de 15 mil pessoas, que apenas recebeu 136 doses da vacina, duas delas, usadas por secretarias da saúde, que não estavam diretamente ligadas ao combate à pandemia. O mesmo se repetiu em Natal, já nas cidades de Guaribas e Uruçuí no Piauí, os prefeitos locais somam-se aos demais na fraude da lista de “prioritários”.

A farsa da vacinação popular

Contudo, está nos lugares onde concentram os grandes capitalistas que o crime se revela infinitamente superior. São Paulo, após o anuncio da vacinação no dia 17 de janeiro, tornou-se o centro da demagogia burguesa e de toda farsa da operação.

João Doria, o “homem da vacina” prometeu algo que não cumpriu. Vacinar 9 milhões de pessoas até março, era o plano até então divulgado. Contudo, o mês de fevereiro se aproxima e apenas 305 mil vacinas foram distribuídas pelo governo estadual, e até o momento, apenas os setores da saúde ligados diretamente com o combate à pandemia, começaram a ser vacinados. Até ontem, menos de 50 mil pessoas haviam sido vacinadas e faltaram vacinas até mesmo para 5 mil servidores terceirizados do Hospital das clínicas. A promessa de ampla campanha iniciando-se pelos setores da população com mais de 75 anos, sequer teve início.

Enquanto o povo morre, o governo federal comemora em sua conta oficial a vacinação de 100 mil pessoas em todo território brasileiro, o que representa 0,04% da população brasileira. Sendo que tais dados sequer podem ser considerados de fato verdadeiros. É conhecimento comum, por exemplo, as fraudes com os números da pandemia.

Neste ritmo, seriam necessários anos para a população brasileira ser totalmente vacinada, caso a média seja ao menos constante. Este fato, comprova  que o regime capitalista não tem condições alguma de realizar um sério plano de vacinação para a população. Isso acontece, devido ao simples fato deles sequer estarem interessados na defesa da população contra uma mortal pandemia, mas sim, no lucro que poderá ser obtido e nas manobras políticas que poderão ser feitas em meio a crise geral da economia.

O escândalo nacional da vacinação, é um ato brutal, totalmente antidemocrático por parte da burguesia, que age como verdadeiros burocratas no processo de vacinação. Por outro lado, há um grande desinteresse para com a vacina russa, que apenas é mais barata como mais eficaz que a utilizada no Brasil.

Quem deve estar a frente da vacinação?

Esta situação, comprova o acerto da política do Partido da Causa Operária na defesa de um controle popular, por meio de comitês de regulação dos trabalhadores. A população deve, e tem o direito, de ter controle sob o processo de vacinação no país. O que está havendo é uma nova etapa de um aprofundamento da ditadura, para o povo nada, para burguesia tudo. As organizações populares devem ter o controle desta distribuição, para garantir que chegue aos trabalhadores.

Tal política, está em completa oposição a demagogia da esquerda pequeno-burguesa, que não apenas apoia Doria, como também impulsionam panelaços da direita e uma plenária virtual para estimular a vacinação. Um verdadeiro crime contra a população, vista sobretudo nas propostas da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, das quais rapidamente foram absorvidas pela política de frente ampla com a burguesia.

Logo, dessa maneira a população continua sem vacinas. A vacina está com a burguesia e com seus funcionários, a classe trabalhadora enquanto isso é obrigada a trabalhar em meio a pandemia e se sacrificar pelos lucros dos grandes capitalistas. Além de uma farsa completa, a operação da vacina no Brasil mostrou-se um novo passo do grande genocídio promovido contra a população brasileira.

É necessário o controle popular, por meio de Conselhos Populares e por entidades dos trabalhadores da Saúde e representativas dos explorados, para que a população decida sobre a distribuição e produção das vacinas. O povo não pode depender da instituições burguesas e dos grandes capitalistas que comandam este grande genocídio.

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