A burguesia também mora em ocupações ilegais

Alphaville

Em uma entrevista à rádio golpista CBN, o urbanista Kazuo Nakano, professor da Universidade Federal de São Paulo denunciou o que a direita e seus súditos “coxinhas” escondem, moradia legalizada é exceção em São Paulo e em todo país. Segundo o professor Nakano:

“Boa parte de Alphaville [região da Classe Média Alta e da própria elite na Grande São Paulo] é terra da União. Os condomínios de alto padrão ao redor do Lago Paranoá, em Brasília, uma boa parte deles estão irregulares. Os condomínios fechados de Goiânia são todos irregulares. Quando fizeram a quantificação das terras nos cartórios de imóveis do estado do Pará viram que a quantidade de terras registradas era duas vezes maior que o estado do Pará. Você tem uma situação de irregularidade da terra que é gigantesca no país. Você tem juízes morando em loteamentos irregulares no estado de São Paulo. Então, a ocupação irregular da terra urbana por parte do movimento de luta por moradia é um pingo.”

A explicação do professor denuncia com todas as letras, a enorme distorção que os capitalistas procuram fazer verdade, com o uso da desinformação.  A denúncia de Alphaville, do lago Paranoá, em Brasília, por exemplo, é um chute na cara dos trabalhadores, mostrando o que a história brasileira demonstra desde os primórdios, que foi a burguesia com a utilização da ocupação irregular, como são exemplos centenas de grandes latifundiários pelo país, com suas enormes extensões de terra são fruto, do mesmo método dos trabalhadores sem terra, a ocupação, com a diferença, de que os trabalhadores não tem dinheiro.

O problema social das grandes capitais brasileiras referente a imensa quantidade de pessoas sem moradia por culpa da ausência de políticas sociais voltadas para essa questão. Corroborando com a primeira análise a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, explica que a especulação imobiliária na capital paulista, por exemplo, concentra 46% dos valores dos imóveis de São Paulo nas mãos de 1% dos proprietários.

Ermínia completa, “Se você ganha dois salários mínimos você tem que escolher se você come, mora ou se transporta. Historicamente, parte da nossa população, no processo de urbanização, ela é compulsoriamente remetida à ocupação ilegal. Quando se fala, se enche a boca para falar ‘aquilo é uma ocupação irregular’ e, de repente, quer dizer que aquilo está ligado ao crime organizado, mostra uma profunda ignorância do que acontece hoje com a ocupação do solo no Brasil inteiro”.

Outro dado que mostra a verdadeira dimensão do problema da moradia é que um terço da população paulista, ou quatro milhões de pessoas, moram em imóveis irregulares, ou seja, sem a escritura. Em grandes cidades do Nordeste e da Amazônia o percentual chega a mais de 70%.

Enquanto uma parcela  da população paulistana e das grandes cidades brasileiras moravam nas ruas, em escombros, embaixo das pontes, sendo atacada pela direita fascista, a imprensa não dizia nada e agora, que com sua nova ofensiva, a burguesia quer atacar os movimentos que lutam por um teto, para a classe trabalhadora mais espoliada é necessário denunciar o enorme roubo que foi feito e continua sendo feito contra os trabalhadores no que diz respeito a expropriação das terras brasileiras pelos capitalistas e seus especuladores enquanto milhões não tem um telhado para aconchegar suas famílias.