Rui Costa Pimenta
A Análise Política da Semana tratou sobre a crise com o coronavírus e a política da esquerda que se transformou em nulidade pela falta de um programa próprio
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Rui Costa Pimenta | Arquivo DCO.

Nesse sábado, dia 12, foi ao ar na Causa Operária TV, o programa mais tradicional do canal no YouTube, a Análise Política da Semana, apresentado pelo companheiro Rui Costa Pimenta. Com o tema, “A esquerda e a frente ampla”, o presidente nacional do PCO fez uma análise da conjuntura política na semana que passou.

As eleições na Venezuela

Para abrir o programa, o companheiro Rui falou sobre as eleições parlamentares na Venezuela, com a vitória acachapante do chavismo.

A burguesia mundial, com Brasil e OEA à frente, procurou afirmar que a eleição foi fraudulenta, mas não há nada que corrobore essa acusação. Foi uma vitória importante do chavismo, que na eleição anterior havia perdido o controle da Assembléia e agora consegue recuperá-lo. Essa vitória acontece mesmo num quadro econômico muito duro resultado da sabotagem.

O companheiro Rui chamou a atenção para o fato de que a oposição decidiu não participar não porque haveria nenhum problema antidemocrático, como insinua o imperialismo, mas porque ela percebeu que as eleições seriam uma derrota grande. Essa oposição golpista, financiada pelo imperialismo, decidiu não participar para não se desmoralizar completamente, que poderia significar uma pá de cal nas próprias aspirações golpistas.

Não há dúvida de que o chavismo sai fortalecido, mas o companheiro Rui não deixa de alertar para o erro que seria afirmar que a situação no País está resolvida. O governo ganhou um fôlego momentânea, mas o imperialismo deve procurar retomar a ofensiva.

Esquerda brasileira vê fraude na Venezuela mas é cega para a fraude no Brasil

Uma importante colocação na Análise foi sobre o comportamento pró-imperialista da esquerda brasileira em relação à Venezuela.

Vários setores da esquerda fizeram coro com a imprensa imperialista internacional ao assinalar que as eleições na Venezuela não seriam democráticas. Guilherme Boulos, por exemplo, afirmou nas eleições que a Venezuela não é um “modelo de democracia”. O mesmo Boulos, no entanto, se recusa a denunciar a fraude escancarada nas eleições brasileiras.

No Brasil, mesmo diante da fraude eleitoral intensa, ninguém denuncia nada. Toda a esquerda deixa passar. Em 2018, mesmo diante da fraude evidente com a prisão de Lula ninguém fala nada. Estamos caminhando para a mesma coisa em 2022, mas ninguém fala que se o ex-presidente não puder participar é uma fraude.

O companheiro Rui conclui de maneira cortante, dizendo que “a esquerda tem que deixar de criticar a falta de democracia na Venezuela e passar a denunciar a falta de democracia em seu próprio País”.

O milagre do coronavírus no Brasil

A história do coronavírus no Brasil é muito reveladora sobre a política da burguesia e da esquerda pequeno-burguesa. Os governos suspenderam o isolamento social no momento em que a pandemia ainda esteva ascendente. A imprensa golpista parou de falar no assunto com o mesmo ímpeto e parecia que havia acontecido um milagre da medicina no Brasil, que o coronavírus havia desaparecido sem que nada tivesse sido feito para contê-lo.

Esse “milagre” mostra bem a política da esquerda e sua completa adaptação à direita. Durante todo o ano, o PCO chamou os setores da esquerda a saírem às ruas para defender não apenas a luta contra Bolsonaro mas para levar adiante a defesa da população que sofria com os governos que não fazem nada para combater a pandemia.

A esquerda chegou ao extremo dizendo que ao propor sair às ruas nós estávamos querendo matar a população com o vírus. Quem não se lembra da histeria da esquerda de classe média, de que tinha que ficar em casa a todo o custo?

O problema é que esses propósitos científicos e éticos desapareceram completamente nas eleições. Todo mundo promoveu comício, aglomeração, atividades públicas. Incluindo aí, não apenas os partidos da burguesia, mas a esquerda que até então estava histérica. O segredo está em que nas eleições, se faz o que for necessário para ganhar um voto a mais.

Mas agora terminaram as eleições e de repente a contaminação explodiu novamente. Um cinismo da direita, mas também da esquerda que seguiu exatamente o roteiro proposta pela burguesia.

Ficou claro que não havia essa tal política “humanitária”, “civilizatória”, “científica” da direita. Tudo não passava de um jogo de cena para que a direita tradicional se saísse melhor na propaganda contra o bolsonarismo.

O problema do coronavírus mostrou que tudo é uma grande manipulação e que a grande diferença entre Bolsonaro e Doria é que o primeiro fala o que pensa, o que causa certo escândalo, e os outros, os “civilizados” fazem a mesma coisa sem falar, procurando manipular a população no melhor esquema dos políticos tradicionais que são.

A conclusão de toda essa farsa é que o Brasil se aproxima dos 200 mil mortos pelo coronavírus. E é justamente em São Paulo, governada pelo “científico” e civilizado Doria, onde se encontra a situação mais catastrófica.

A contribuição da esquerda foi promover a direita

A política da esquerda pequeno-burguesa foi cair na manipulação e começar a promover que os governadores, como Doria, seriam mais responsáveis do que Bolsonaro. Uma grande farsa como fica claro, mas que teve como único resultado fazer o nome do governador de São Paulo crescer para 2022.

Essa farsa continua agora com a vacina e fica claro que se trata novamente da disputa entre o candidato “científico” e “anticientífico” sobre quem vai apresentar primeiro a vacina para a população. Quem será o “salvador” da população depois das 200 mil mortes que a falta de ação de toda a direita provocou.

Novo capítulo dessa disputa

As eleições para a presidência na Câmara dos Deputados. Há uma luta interna dentro da burguesia, uma luta entre Bolsonaro e os “cientistas” e um setor da chamada ala “científica” e outro setor da mesma ala “científica”.

A ala direita do bloco dominante deu inúmeros sinais de aproximação com o bolsonarismo, dando sinais inclusive de que poderia apoiar Bolsonaro num segundo mandato. O que mostra também a falsidade da frente ampla contra o bolsonarismo.

Bolsonaro está patrocinando uma candidatura do centrão, Artur Lira (PP). O STF derrubou a tentativa de reeleição de Maia.Está claro que está se desenvolvendo uma crise no que diz respeito às possíveis candidaturas presidenciais de 2022.

Outro lado da questão é que a esquerda, diante do embate, está na política de apoiar o que seria o “mal menor”. Há uma pressão para que a esquerda apoie a ala direitista do DEM, o candidato apoiado por Rodrigo Maia.

Com esse acontecimento vemos um esclarecimento definitivo sobre o debate do mal menor. A esquerda não se pauta por uma programa, por uma estratégia política. Ela acaba sendo subordinada pela política da direita. É um empirismo político que faz da esquerda uma nulidade. Na luta contra Bolsonaro, a esquerda apostou no mal menor, na questão do vírus, apoiou a direita, na eleição municipal, apoiou a direita. Agora, para a escolha dos presidentes das duas casas do Congresso Nacional ,a esquerda aparece novamente defendendo o mal menor.

A saída é lutar contra todos os golpista e pelos direitos políticos de Lula

O companheiro Rui explica que diante dessa situação, é preciso não ficar a reboque de nenhuma das alas da direita golpista mas ter uma política independente.

É preciso desmascarar o que está acontecendo e impulsionar a luta popular. Para isso, a política central é defender a candidatura de Lula. Sobre isso, Rui explica que a eleição não é decisiva, mas se povo se mobilizar contra uma fraude eleitoral, nós podemos ter um resultado. O que nós queremos é travar uma luta concreta, real contra o golpe de Estado que é obra do conjunto da burguesia. Chamar a população a se insurgir contra o golpe. A eleição presidencial é a manifestação mais escandalosa do golpe. “A burguesia golpista não tem que ser apoiada, ela tem que ser denunciada.”

A Análise Política da Semana vai ao ar todos os sábados, ao vivo, às 11h30, na Causa Operária TV.

Confira como foi a Análise deste sábado (12/12):

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