A burguesia está organizando milícias fascistas pata conter a reação da esquerda

Entenda a situação concreta da relação entre a burguesia e os grupos da extrema direita ouvindo a Rádio Causa Operária, em trecho específico da Análise Política da Semana:
“O problema da mobilização da extrema direita, no Brasil é que montou-se um determinado mecanismo de relacionamento entre estes e o conjunto da burguesia. É característico da evolução da burguesia para um regime de força, a situação é a seguinte. A burguesia criou e estimulou uma série de organizações de direita, umas conservadoras e outras muito próximas de uma posição fascista. Todas organizações do tipo tropa de choque para se enfrentar com a esquerda e o movimento operário.
Todas as vezes que a situação começa a ficar muito polarizada e muito difícil para a burguesia, ou é necessário fazer uma manobra política como o impeachment, a burguesia chama a extrema direita. No restante do período, estes grupos ficam na inatividade guardados em algum canil da burguesia.
Neste momento a burguesia está lançando uma ampla mobilização, com a questão do Habeas Corpus do Lula e a questão dele não ser preso. Então a burguesia está chamando a extrema direita para fazer esta campanha. O que ocorreu no Rio Grande do Sul é uma ação orquestrada pela burguesia e o conjunto do poder público, ou seja, os governadores dos estados do Sul.
Em um blog foi denunciado que o enfrentamento entre militantes e pessoas armadas na caravana do Sul mostrou que os indivíduos armados eram integrantes dos órgãos de inteligência da Polícia Militar. Não é nenhuma operação inocente, é a extrema direita sendo mobilizada para atacar a esquerda em um momento que a situação é delicada, sendo preciso acuar a esquerda e fazê-la recuar no momento em que ela está procurando reagir. A mesma coisa aconteceu durante o Impeachment de Dilma, a burguesia colocou a extrema direita nas ruas.
Agora o que vemos é que estes grupos por agirem sob amparo do Estado, com o golpe atuam com mais violência. Não apenas estamos vendo a burguesia se utilizar destes elementos, como estamos vendo estes tendo uma postura mais intimatória e agressiva. Sinais claros de que a crise se aprofundou.
O fato de que a burguesia tenha mobilizado, organizado e se utilize deste elementos é que estamos numa situação em que a necessidade possa fazer com que se implante um regime de repressão permanente baseado na força destas organizações contra a esquerda. A burguesia prevê um agravamento dos conflitos, um recrudescimento da luta de classes, se utilizando dos elementos da extrema direita para atacar a esquerda.
Temos que entender que os ataques a caravana do Lula ou o assassinato da vereadora do PSOL é a ponta do Iceberg, não dá a dimensão inteira do problema. Veja uma descrição do Blog do Mauro Lopes: “Em 15 dias, de 12 a 27 de março, foram pelo menos 25 ações de extrema violência com o apoio a ela dos líderes de direita. 26 execuções, várias detenções e prisões, dezenas de ataques, espancamento e feridos diversos, ameaças de morte e ações brutais da polícia. 3 padres foram alvos da escalada, um ameaçado de morte, um preso e outro espancada. A violência protagonizada por membros da forças de repressão, adeptos do Bolsonaro e forças paramilitares. “
A descrição acima que ela é insuficiente por não contar com o alto número de mortos pela Intervenção Militar do Rio de Janeiro. Há denúncia de que o Exército teria matado 5 militantes da UJS entre as várias pessoas que foram mortas neste período. Isso dá bem a ideia de que estamos em uma escalada de agressões da extrema direita contra a esquerda. Não se trata de um processo isolado contra o Lula, contra a vereadora do PSOL, é um problema de conjunto. É uma ameaça em conjunto, sendo uma extensão do regime repressivo a partir do golpe de Estado.
Isso tem que ser encarado adequadamente, quando as agressões contra a caravana de Lula promoveram uma série de críticas de fascismo, outros buscam uma investigação. Há uma comissão para investigar os ataques, ela é composta por um ativo integrante político de Bolsonaro. Obviamente que não se acharão os policiais responsáveis pelos disparos.
Há muita gente da esquerda que acha que fazer discurso no parlamento vai convencer alguém, não é possível imaginar quem é o alvo de tais discursos. Enquanto estes discursos parlamentares são feitos, morre um monte de gente. Isso não vai resolver absolutamente nada, logo a esquerda será impedida de se manifestar, ainda mais que fica em uma paralisia total.
O que é necessário fazer é definir o que tem que ser feito, sendo que é muito simples. É preciso criar Comitês de Auto-Defesa em todos os lugares para se defender dos fascistas. Lembrar para parte da população que é a favor do desarmamento que os policiais e as pessoas que estão dentro dos grupos fascistas estão armados e sob proteção das polícias, enquanto que os militantes de esquerda desarmados. Se alguém for pegar uma arma para se defender de um policial que iria dar um tiro nesta pessoa, o policial sairá livre e a pessoa será condenada.
É preciso organizar de uma maneira concreta e específica grupos de militantes para defender as organizações, as pessoas, as atividades, os prédios públicos destes criminosos que estão sendo financiados pelos golpistas. A situação não irá melhorar, a política de conciliação, de achar que tudo vai voltar a época dos discursos está totalmente fora de cogitação.
O que temos neste momento é uma época de radicalização política, de recrudescimento da luta de classes. Quando este conflito se manifesta por meio da ação de policiais, que protegidos pelas instituições políticas do país, atacam o ônibus do ex-presidente da República, é hora de ter medo e se organizar.
Se a pessoas não tem problema nenhum de dar um tiro no ônibus do Lula, ela não terá problema de fazer mais coisa alguma. A falta de reação da esquerda com a morte da vereadora do PSOL mostra o problema da esquerda brasileira, que capitula. Agora é a hora de reagir, ou a gente reage, ou a esquerda e as organizações operárias vão ser completamente esmagadas.
Não adianta fazer discurso em parlamento, aqueles que atacaram Lula não vão deixar haver eleições livre, ou mesmo eleições. Para aqueles que buscam o caminho eleitoral como uma solução, precisam entender este problema. A eleição vai se desenvolver no meio de tiros e cacetadas, se é que ela vai acontecer. Até mesmo pessoas de dentro do governo afirmam que a eleição pode ser adiada.
É preciso agir, é preciso mobilizar, é preciso organizar e convencer as pessoas da necessidade de fazer política. Devemos tirar as últimas ilusões no regime político que faz com que as pessoas acreditem em milagres, uma espécie de superstição política. A democracia seria como um feitiço, uma mágica, que ela ocorreria de maneira normal e tranquila. Não é isso que vai acontecer, por isso é preciso enfrentar os golpistas e a extrema direita que eles mobilizam”.
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