A burguesia está organizando milícias fascistas para conter a reação da esquerda

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Ouça um trecho da análise política da semana na Rádio Causa Operária. Nesse trecho, Rui Costa comentou o tema “A burguesia está organizando milícias fascistas pata conter a reação da esquerda”:

“Bom, uma coisa que deve ser vista à parte nessa questão toda é o problema da mobilização da extrema-direita. O que que a gente vê aí? a gente vê o seguinte: que o Brasil montou-se um determinado mecanismo de relacionamento entre a extrema-direita e o conjunto da burguesia que é preciso compreender de uma maneira mais aprofundada, e que é característico né, muito característico, da evolução da burguesia para um regime de força. A situação é a seguinte: a burguesia criou aí ou impulsionou ou estimulou diversas forças direitistas, em algumas são verdadeiramente fascistas, outras são muito próximas de uma posição fascista, mas são todas as organizações tipo tropa de choque para se enfrentar com esquerda e movimento operário.

Então todas as vezes que a situação começa a ficar muito polarizada, que a situação começa a ficar muito difícil para a burguesia, ou que eles têm que realizar uma tarefa complexa como foi o impeachment, eles chamam essa gente às ruas, eles mobilizam. No restante do período esses grupos ficam aí meio que, digamos assim, guardados aí num canil da burguesia em algum lugar. Por exemplo, nesse momento aqui a burguesia tá lançando toda uma mobilização em função da crise dentro do STF da possibilidade de o Lula não seja preso etc e tal. Estão chamando esses setores.

O que aconteceu no Rio Grande do Sul é uma ação orquestrada né pelo conjunto da burguesia e pelo poder público, ou seja, os governadores dos estados do sul. Já alguns blogs denunciaram aí que as pessoas que estavam armadas num dos enfrentamentos entre o pessoal extrema-direita e a caravana do Lula são policiais dos órgãos inteligência da PM. Não é nenhuma operação inocente de manifestantes etc e tal. É uma extrema direita que está sendo mobilizada pela burguesia para atacar a esquerda no momento em que a burguesia considera que a situação é delicada é difícil e é preciso acuar a esquerda para fazer esquerda recuar, ou seja, no momento que esquerda está procurando reagir. Tão tentando encurralar a esquerda. A mesma coisa que aconteceu durante o o impeachment da presidenta Dilma Rousseff que eles colocaram essa gente na rua.

Bom, dessa vez o que nós estamos vendo é aqui como eles atuam amparo do golpe de estado, eles atuam com mais violência. Então, nós só não apenas nós estamos vendo né a burguesia se utilizar de maneira sistemática o recrudescimento desses elementos como sinais claros de que a crise se aprofundou. O fato de que a burguesia tenha se mobilizado; se organizado; se utilize desses elementos mostra que nós estamos numa situação que pode levar a necessidade de estabelecer um regime permanente baseado na força dessas organizações; na força policial etc e tal contra esquerda. Isso daí é extremamente grave. A burguesia prevê um agravamento dos conflitos; um recrudescimento da luta de classes e se utiliza desses elementos para isso daí

Quando a gente fala que nesses acontecimentos nós temos que entender que os ataques à caravana do Lula por exemplo ou assassinato da vereadora do PSOL, isso daí é uma espécie de ponta do iceberg. Não dá a dimensão inteira do problema. Vou ler aqui uma descrição que eu peguei no blog do Mauro Lopes que diz o seguinte: “em 15 dias, 12 a 27 de Março, foram pelo menos 25 ações de extrema violência com o apoio a elas dos líderes políticos de direita. 26 execuções; várias detenções e prisões; dezenas de ataques espancamentos e agressões conferidas sem conta; ameaças de morte e ações brutais das polícias. Três padres foram alvo de escalada, um ameaçado de morte, um preso e um espancado. A violência é protagonizada por milícias de adeptos de Bolsonaro, policiais e forças paramilitares.”

Vocês podem ver pela descrição que é uma descrição não só correta como insuficiente porque no Rio de Janeiro nós temos várias mortes provocadas pelo exército. Há denúncia de que o exército teria matado em uma das Comunidades no Rio de Janeiro 5 militantes, até entre essas pessoas que foram mortas nesse período. Isso daqui dá bem a ideia de que nós estamos diante de uma escalada de agressões da extrema-direita contra a esquerda. Não se trata de um de um processo isolado contra o Lula né, contra vereadora do PSOL porque um e outro teriam feito a, b e c, é um conjunto, é um problema de conjunto. É uma ameaça de conjunto. É uma extensão do regime repressivo a partir do golpe de estado. Isso daqui tem que ser encarado adequadamente.
Quando as agressões contra o Lula aconteceram a gente ouviu aquela enxurrada de discursos que a gente ouve sempre: fascismo; não pode; uns querem que investigue né provavelmente foi formada uma comissão de investigação, para a gente ver como é a palavra de ordem investigação é uma boa palavra de ordem, e participa da investigação uma pessoa que faz campanha pelo Bolsonaro. Logicamente que ele ele vai achar esses policiais que estavam armados na manifestação e eles vão ser punidos de acordo com a Lei. “Aí vem o Papai Noel, coelhinho da páscoa e tal e vai ser um filme muito bonito esse daí.” É uma coisa ridícula, uma discurseira. Tem muita gente aí da esquerda que acha que fazer discurso no Parlamento vai convencer alguém, não sei exatamente quem que eles querem convencer, não sei se a folha de São Paulo, ou estado de São Paulo, Rede Globo, o Moro, a Carmem Lúcia, o congresso, não sei quem que eles querem convencer. Então fazem aqueles discursos indignados e isso aí não vai resolver absolutamente nada. Enquanto isso vão matando gente e logo logo vão impedir a esquerda de se manifestar ainda mais que a esquerda de conjunto fica nessa paralisia total né, nessa letargia política que nós temos assistido aí sistematicamente.
Nós temos que dizer aqui em alto e bom som que isso aí não adianta nada. Que o que é necessário fazer, muita gente falou em frente única contra o fascismo, maravilhoso, frente única frente única é sempre bom né quanto mais gente melhor, mas o problema é definir o que é que tem que ser feito e o que tem que ser feito é muito simples. Tem que ser organizado tem que ser… tem que ser organizados comitês de auto-defesa em todos os lugares para se defender dessas pessoas, dos fascistas né. Lembrar também toda aquela parte da esquerda que é a favor de desarmar a população que nós vamos ter que enfrentar a situação da seguinte maneira: os policiais estão dentro dos grupos fascistas estão todos armados e protegidos pela polícia e os militantes estão todos desarmados e se alguém tiver ideia de pegar uma arma para dar um tiro no policial que vai dar um tiro em você, o policial vai sair livre e você vai ser condenado por não sei quantos milhões de anos por simplesmente estar portando uma arma. É bom lembrar isso daí porque a esquerda tem dado uma contribuição muito grande para direita com essas coisas né. Eles pensam que eles estão nos Estados Unidos, que o debate é totalmente diferente. Precisam voltar para o Brasil né, todos eles.
O fato é esse daí. É preciso organizar de uma maneira concreta, de uma maneira precisa específica, grupos de militantes para defender as lideranças, as organizações, as instalações, prédios, etc e tal, as atividades atos públicos, os movimentos, greves, etc, desses criminosos que são bandos de tipo fascistas organizados pelos golpistas. Essa situação não vai melhorar. A política de conciliação de se achar que vai tudo se estabelecer; tudo vai voltar à época dos discursos, e um discurso daqui, outro dali, e aí vem o deputado do PT e propõe uma lei que não pode xingar em público e não sei o quê não sei o quê lá aquela coisa toda, esqueçam. Totalmente fora de cogitação. A época da fantasia política acabou, o que nós temos nesse momento é uma época de radicalização política, de recrudescimento da luta de classes, de enfrentamento, e quando esse enfrentamento se manifesta através de policiais protegidos pelo aparato do Estado, protegidos por toda a imprensa golpista, protegidos por todas as autoridades do país, contra um ônibus onde poderia estar um ex-presidente da República é a hora de ter medo, de se assustar e reagir e se organizar. O que mais nós estaremos esperando porque se a pessoa não tem problema nenhum de dar um tiro no ônibus do Lula, vai ter problema nenhum em fazer quase mais nada por aí. A falta de reação que a gente viu no caso do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro mostra que a esquerda capítula totalmente diante da direita, quer dizer, agora ou a gente reage ou a esquerda e organizações operárias de luta democrática vão ser completamente esmagadas. Mais cedo ou mais tarde, é isso que precisa entender. Não adianta fazer discurso lá dentro lá no congresso e falar “senhores senadores é uma vergonha, eu me indigno, eu fico horrorizado.” São os senadores os senhores senadores eles estão apoiando tudo isso daí, eles dão risada desse discurso né, é uma coisa mais ou menos óbvia. Não adianta chegar e falar com muita gente e falar assim: ‘nós precisamos ir para eleição, se o Lula for eleito o país vai voltar para democracia.” Precisa ver se os os matutos dos policiais que atacaram a caravana vão deixar o país voltar para a democracia só por causa de uma eleição . Precisa ver se a extrema-direita vai deixar. Precisa ver se o exercito vai deixar. Se os grupos paramilitares vão deixar.

Então não adianta. Mesmo que a pessoa ache que o caminho é a eleição, é uma eleição que vai se desenvolver no meio de tiro de pancada de cacetada e tudo mais. Se é que a eleição vai acontecer porque até agora pessoas de dentro do Palácio do Planalto estão falando que a eleição poderá ser adiada né. Quer dizer, a medida que você se aproxima dos acontecimentos fica mais clara a intenção de de atuar num determinado sentido. Então não adianta nada essa retórica, é preciso Agir, é preciso mobilizar, é preciso organizar, é preciso convencer as pessoas da necessidade de fazer essas coisas. Quer dizer, nós precisamos tirar os últimos vestígios daquelas ilusões no regime político que fazem com que a pessoa acredite em milagres. É uma espécie de superstição política. A democracia seria assim como um feitiço, uma mágica. Então chega na hora H, hora que se aproxima da urna né, vem aquela música angelical, figuras no ar, as luzes, papapá, tudo, não! não vai acontecer. O que aconteceu no sul com a caravana do Lula é isso que vai acontecer. E para isso daí só um remédio: é preciso enfrentar os golpistas e a extrema-direita que eles mobilizam. Essa que é a questão.”

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