Esquerda pra valer
Enaltecido pela imprensa golpista, aclamado por Sérgio Moro e bancado por Armínio Fraga, PSOL revela-se uma opção burguesa para controle da crise pela esquerda
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Sérgio Moro - 1
Peça chave do golpe de 16, Moro caracterizou PSOL como "interessante" | Foto: Reprodução

Uma das eleições mais fraudulentas dos últimos anos, o processo eleitoral de 2020 ainda não terminou exatamente mas já levou a burguesia a comemorar alguns resultados, em especial, o da cidade de São Paulo. Com uma apuração tumultuada, sob a qual inúmeras suspeitas se levantaram e obrigaram a imprensa a apontar falhas técnicas como responsáveis pelo atraso na contagem dos votos, o psolista Guilherme Boulos teve sua vitória parcial no primeiro turno das eleições amplamente comemorado pela imprensa golpista.

Para a colunista do Estadão, Vera Magalhães, “O PT já está ocupando a candidatura de Boulos para sua batalha pessoal. O que mais tem aqui hoje é petista falando ‘Boulos isso, Boulos aquilo’, patronizing, usando o candidato do PSOL como Cavalo de Troia. Ele, que fugiu dessa armadilha no primeiro turno, tem um desafio no 2º”.

A declaração foi dada no Twitter da jornalista, que continuou a postagem atacando o PT:

“É a forma do PT de negar a derrota. Negando as aparências e difarçando as evidências, de um jeito menos tosco que Bolsonaro, que só apagou os posts e fez aquele post covarde, fugindo da derrota daqueles que tentou ‘bombar'”.

Na véspera da eleição, o jornal de Vera Magalhães destacava que o candidato do PSOL, era o mais buscado no Google. Ainda para o Estadão, “Boulos ocupa o espaço deixado pela fadiga do PT entre o eleitorado de São Paulo”, deixando claro que o grande mérito do psolista não era outro mas a sombra lançada contra o partido de Lula.

Em uma linha ainda mais festiva, a seção brasileira de um dos maiores órgãos de imprensa do imperialismo, a rede britânica BBC, tem manchetes como “Ida de Boulos ao 2º turno em São Paulo sinaliza avanço de esquerda jovem pelo país”. Recorrendo ao famoso “especialista”, a BBC publicou que “Boulos é muito mais um quadro de esquerda do que do PSOL. Talvez seja a maior inovação da esquerda porque o grande desafio desse campo após o PT deixar o poder é se reconectar às organizações de base, aos movimentos populares”, nos dizeres de Talita Tanscheit, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Um pouco mais discreto -embora igualmente revelador – Merval Pereira destacou a “grande surpresa” representada pelo candidato do PSOL. Segundo “a voz de deus”, comentando as eleições na Globo News, “Boulos entra para o segundo turno mais forte que o imaginado”.

E naturalmente, não poderíamos deixar de destacar a posição da Folha de S.Paulo. Com manchetes como “Ida de Boulos ao 2º turno anima esquerda em SP e esquenta polarização com Covas”, a Folha não esqueceu de celebrar o “sopro de ânimo para a esquerda”, mas procurou também deixar claro qual era a grande comemoração que se desenvolvia no interior da direita:

“’Gleisi vai ter que dar uma explicação. Passamos dois dias desmentindo a possibilidade de desistência’, afirma o deputado estadual José Américo (PT), coordenador de comunicação da campanha de Tatto. Para ele, o PT errou também em insistir em candidatos próprios e não buscar alianças na pré-campanha, inclusive em São Paulo.”

Até mesmo Sérgio Moro deu seus pitacos e enaltecer o desempenho do PSOL nas eleições municipais. Para o agente do imperialismo e carrasco de Lula, “o resultado das eleições municipais foi fragmentado, sem um claro vencedor nacional, o que sinaliza a prevalência do interesse local. Há alguns resultados interessantes, os candidatos apoiados pela Presidência fracassaram e o Psol tornou-se o partido de esquerda mais relevante.”

Não bastasse o apoio explícito da imprensa golpista a Boulos, a ação de Moro, um dos mais destacados capachos do imperialismo e organizadores do golpe de Estado, responsável direto pela prisão política do ex-presidente Lula e pela eleição de Bolsonaro, no sentido de caracterizar o desempenho do PSOL como “interessante” deveria acender o sinal de alerta na esquerda.

Não é de hoje que o PSOL, para além dos discursos “inflamados” e aparentemente radicais, comporta-se como um porta-voz da burguesia no interior da esquerda. Seja aderindo a campanhas contra o aborto ou as histéricas campanhas anti-corrupção, o partido vem se notabilizando por suas posições direitista encobertas por um verniz de esquerda.

Nessas eleições, o partido protagonizou um escândalo ao ser apanhado com financiamento direto do setor mais poderoso da burguesia, os banqueiros. Contrariando inclusive a política de não aceitar doações dessa natureza, uma crise se produziu no interior do PSOL e acabou com a ala mais direitista do partido, liderada por Marcelo Freixo, prevalecendo, decretando que o partido pode sim alinhar-se com os mais pérfidos inimigos da população pobre e da classe operária em geral, por coisas tão irrelevantes para a luta dos trabalhadores quanto uma campanha de vereador no Rio ou segundo turno em uma eleição municipal em São Paulo.

Qualquer expectativa sobre o desempenho do PSOL nas eleições da capital paulista, deve ser considerada à luz desse desenvolvimento da luta de classes. Obviamente, a burguesia não escolheria o PSOL como o seu partido de esquerda, a menos que tivesse a segurança no investimento.

O alerta sobre esses movimentos deve ser levado em conta, especialmente no momento em que o golpe do “voto útil” ganha força. O PSOL vem sendo impulsionado pela burguesia, de maneira muito evidente e deixando claro que o partido não é uma alternativa ao PT para os trabalhadores

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