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A bilionária UEFA quer que artistas e bailarinos trabalhem de graça na final da Champions League
UEFA_Champions
A bilionária UEFA quer que artistas e bailarinos trabalhem de graça na final da Champions League
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O grande negócio capitalista em que se transformou o futebol mundial, em que as grandes corporações despejam somas verdadeiramente inimagináveis em patrocínios, investimentos fabulosos na aquisição de clubes, direitos de transmissão, transações milionárias envolvendo jogadores, fez dos organismos que controlam o esporte mais popular do mundo (FIFA, UEFA, CBF e outras) instituições bilionárias, todas com os cofres abarrotados de dinheiro.

Um desses organismos, a UEFA, que controla e organiza o futebol no continente europeu, sem dúvida a região do planeta para onde os investimentos capitalistas são deslocados em maior volume, é a responsável pela competição mais rentável e bilionária no mundo do futebol, a Champions League, que reúne não só os clubes campeões, mas também os melhores colocados nas competições em cada país do velho continente. Salta aos olhos os valores movimentados pela disputa envolvendo times do quilate de um Real Madrid, Barcelona, Paris Saint Germain, Bayern de Munich, Milan, Juventus, Manchester United, Liverpool e outros, dezenas de outros.

A final da Champions é concebida e organizada como um grande espetáculo, onde há toda uma preparação minuciosa para se ganhar muito, mas muito dinheiro, sem que tenhamos noção dos montantes envolvidos em cifras. Os valores distribuídos aos times são também astronômicos, nada comparável, entretanto, às somas que as federações e confederações embolsam com todos os esquemas multimilionários que permeiam hoje o futebol mundial.

A partida final é marcada por uma cerimônia grandiosa, suntuosa, um espetáculo, onde tudo é pensado e feito para atrair a atenção do público ao redor do mundo, com a transmissão alcançando os quatro canto do planeta, fazendo as imagens chegarem até em comunidades que habitam as ilhas mais remotas do Pacífico.

Nesta edição da Champions (2018/2019), que se aproxima do fim, a UEFA já prepara mais uma grande festa, de olho, obviamente, na grana que vai rolar. Esta mesma entidade, bilionária, poderosa; acreditem, fez veicular um anúncio em busca de artistas e bailarinos para atuarem como voluntários (isso mesmo, voluntários) para participarem do espetáculo da grande final, que nesta edição será realizada na cidade de Madrid, Espanha. “Procuramos 200 bailarinos voluntários e estudantes de teatro e música com disponibilidade de ensaiar entre 15 de maio e 1º de junho para participar deste espetáculo ao ar livre, acompanhado de um artista internacional de reconhecido prestígio”, diz o anúncio (ESPN, 07/05).

Imediatamente, a veiculação do anúncio despertou a ira das entidades que representam os artistas espanhóis. A Associação de Profissionais de Dança da Comunidade de Madrid e a Confederação de Artistas de Espetáculo da Espanha, divulgaram comunicado conjunto criticando duramente a UEFA. No documento, as categorias chamam a anúncio de “um atentado à dignidade e aos diretos dos artistas cênicos”. Em seguida, ainda vão mais longe: “É um insulto e um menosprezo que atenta contra a dignidade dos trabalhadores, além de ser uma fraude às políticas de segurança social” (Idem, 07/05).

Só para termos uma discreta ideia do que é a UEFA, a entidade européia, em seu último balanço financeiro, relativo à temporada 2017/18, movimentou em seu orçamento nada menos do que 2,79 bilhões de euros, cerca de R$ 12,37 bilhões). Os artistas europeus devem exigir da entidade que os remunere, de forma incondicional, sem aceitar qualquer exigência da UEFA. Os abutres que já exploram uma das grandes paixões populares ao redor do mundo, expressa no futebol, querem também explorar os artistas e bailarinos europeus, negando aos mesmos uma remuneração pelo seu trabalho. Abaixo a ditadura da UEFA! Abaixo a ditadura dos capitalistas que atuam para destruir as tradições culturais dos povos!