Por uma política independente
Adotar a política de aliança com o “centrão” e outros setores golpistas significa jogar fumaça nos olhos do povo sobre a real política da direita tradicional
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Foto: Arquivo DCO. |
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Muito se tem discutido sobre a política da esquerda diante da ascensão da extrema-direita e particularmente o governo Bolsonaro. As alas mais direitistas da esquerda pequeno-burguesa, tendo à frente entre outros o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), da Bahia, Rui Costa (PT), e o deputado federal Marcelo Freixo (Psol) tem defendido uma política de frente ampla que no fundamental é uma aliança com partidos da direita golpista, o chamado “centrão” tendo em vista as eleições.

Este Diário já explicou, sob alguns ângulos, o problema de tal política, que procura substituir um chamado à mobilização e a luta das massas nas ruas para a derrubada do governo Bolsonaro e de todo o regime golpista que se instalou no Brasil desde o golpe de 2016.

O ato golpista convocado pelos bolsonaristas para o dia 15 de março, confrontando abertamente o Congresso e o STF, que expôs uma vez mais a crise entre as diferentes alas da direita – fundamentalmente o “centrão” e o bolsonarismo – deu certo combustível para os setores da esquerda que defendem a política de frente ampla. A crítica aberta que a direita tradicional, incluindo aí FHC e a imprensa golpista, fez contra Bolsonaro por ocasião do ato, alimentou nesses setores da esquerda a crença de que o chamado “centrão” poderia estar em uma oposição real ao governo e mais ainda pudesse aderir a uma frente com a esquerda.

Antes de mais nada é preciso uma explicação sobre o que é o “centrão”. A própria designação serve mais para confundir do que para esclarecer. O “centrão” é formado fundamentalmente pelos principais partidos da direita golpista, DEM, PSDB e PMDB, além dos partidos menores que servem como “puxadinhos” dos primeiros e ainda partidos burgueses que se apresentam falsamente como de esquerda como o PDT e o PSB.

É preciso ter claro, portanto, que o chamado “centrão” nada mais é do que a representação do setor majoritário da burguesia, mais especificamente da própria direita golpista. Nesse sentido, o “centrão” é tão ou mais perigoso do que Bolsonaro. E não é difícil de entender isso.

Quem colocou Bolsonaro no governo foram os partidos do “centrão”. Faram esses partidos que criaram as condições para a fraude eleitoral que prendeu Lula e culminou na eleição de Bolsonaro, de cuja candidatura foi apoiada diretamente por todos eles pelo menos no segundo turno.

Foi também o “centrão” e não o bolsonarismo que esteve à frente do golpe que derrubou Dilma Rousseff. Até aquele momento a extrema-direita bolsonarista era apenas uma arma dos golpistas contra o PT. Foi preciso soltar os cachorros da extrema-direita para criar uma base, ainda que pequena e em certa medida artificial, para derrubar Dilma.

Não dá para ter dúvida de que é justamente o “centrão” o principal bloco golpista. Bolsonaro e seus seguidores são um setor secundário, pelo menos até o momento.

Foi portanto a política do “centrão” que impulsionou o bolsonarismo. São esses partidos da direita tradicional os principais responsáveis pelo bolsonarismo.

As contradições e os conflitos entre Bolsonaro e a direita tradicional existem e são reais, mas isso não significa que essa oposição seja fundamental e se dê no âmbito de uma política divergente em relação à política brutal de ataques aos trabalhadores. Pelo contrário, essa é a política do “centrão”.

A aliança, formal ou não, com a direita tradicional é empurrar os trabalhadores, os movimentos populares e a população numa grande armadilha política. Primeiro porque seria jogar fumaça nos olhos do povo sobre a real política da direita. Segundo porque seria dar forças para um bloco golpista que se encontra em crise, tanto que foi obrigado a apoiar um elemento que não faz parte diretamente de seu bloco.

Por fim, e mais grave, uma aliança com o “centrão” é uma tentativa de reanimar o regime político apodrecido. Essa crise do regime é o principal ponto de apoio para a demagogia da extrema-direita bolsonarista. A única política da esquerda seria uma via independente do regime, colocando claramente que é preciso derruba-lo por completo. Só é possível fazer isso levantando um conjunto de reivindicações que respondem aos anseios das massas, a começar pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas.

É com essa política que a esquerda combativa precisa sair nas ruas para se contrapor verdadeiramente a Bolsonaro. Uma política independente de todos os setores da burguesia e da direita golpista, chamando o povo a se mobilizar nas ruas. O povo mostra, sempre que tem a oportunidade como foi no carnaval, que quer derrubar o governo, pois é essa a necessidade mais imediata das amplas massas.

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