A 2a tentativa de derrubar Temer e o aumento da crise do regime político

a 2a tentativa de derrubar temer e o aumento da crise do regime politico

O governo Temer enfrenta outra crise e as possibilidade políticas são as mais nefastas, tendo inclusive um golpe militar como possibilidade em um futuro próximo. Ouça o trecho específico da Rádio Causa Operária (RCO) sobre o tema em:

Um fator importante que mostra a acentuação da crise política aconteceu essa semana com a Operação Escala dirigida contra o governo Temer, sendo que o temos é muito parecido com a primeira grande crise do governo Temer com a JBS. Montou-se toda uma operação para desarticular e preparar uma eventual derrubada do governo Temer. Aparentemente estamos na rota da derrubada do Temer, se vai dar certo ou não, teremos que acompanhar.
Na primeira tentativa de derrubara Temer, ele reagiu. Utilizou a sua base de apoio político no Congresso Nacional, ele tinha como trunfo a possibilidade de realizar a política econômica que os golpistas exigiam e ele conseguiu resistir. O governo está muito mais fraco agora, o que facilita a tentativa de derrubada deste governo.
Qual é o sentido da ofensiva contra o governo Temer, vinda do setor mais direitista do golpe? O grande problema ocorre pelo crescimento da crise, com o crescimento do apoio ao Lula, a crise eleitoral que parece ser inevitável. Há uma tendência de manifestação contra o regime, que foi vista na caravana do Lula, na morte da vereadora no Rio de Janeiro. Sem falar na ação da extrema direita, que deve ser considerado em separado por estimular a polarização e a mobilização de vários setores.

Muitos setores que estavam aí embarcados na ilusão eleitoral, que haviam traçado como linha política seguir um calendário eleitoral, caso do PC do B e outros de esquerda, com os últimos acontecimentos começaram a pensar que a coisa não era tão simples como pensavam. Isso coloca em crise a política que as direções da esquerda tomavam, propiciando uma radicalização das suas bases.

Temos uma situação extremamente crítica, diante dela a burguesia está buscando estabelecer um governo que tenha a mínima condição de controlar a situação. A eventual substituição do Temer, que é um governo extremamente desgastado e fraco, é uma via para tentar reestabelecer um mínimo de estabilidade do Estado capitalista para enfrentar a situação.

A burguesia vê as possibilidades de adiar as eleições ou até de anula-las, coloca a eventualidade de um golpe militar. Coloca a possibilidade, este é o plano principal da burguesia, e uma eleição que seria uma completa farsa, sendo que para tanto é necessário ter certo apoio. As forças golpistas estão desorganizadas, estão descentralizadas e não têm apoio popular, sendo que uma iniciativa de criar uma eleição fraudulenta pode virar uma armadilha para quem preparou.
Diante de todas as opções colocadas para os golpistas neste momento, o controle do aparelho do Estado é fundamental. Não só o fato da permanência, mas um governo extremamente fraco do ponto de vista sua relação com o conjunto das classes sociais. A burguesia apoia o governo, por ter necessidade de manter o controle da situação, mas é um governo que é um peso. Daí que se tenha colocado o problema da substituição do governo.
Abre-se uma luta no interior da burguesia para ver quem é que vai ficar efetivamente com o controle do Estado. Muitos rumores falam que a ideia é substituir Temer por Maia, mas o problema é mais profundo. A substituição do Temer implicaria numa tentativa de reestruturação do poder do Estado de conjunto.

Mais um sinal do agravamento da crise são as declarações que vazaram de dentro do governo Temer de que as eleições podem ser adiadas. Análise já exposta aqui, pois se a burguesia não conseguisse encaminhar o golpe pela via eleitoral teria que adiar ou dar um golpe militar.

No atual momento não devemos descartar nenhuma hipótese, pois a crise é muito profunda. Mesmo a hipótese mais radical de um golpe militar que feche o Congresso, que modifique as regras do jogo para poder dar estabilidade para um novo governo no país. A realidade é que estamos em uma situação em que todo o pacto político e social desmanchou-se, numa situação como essa tudo é possível. Trata-se apenas de calcular o prejuízo que uma determinada ação pode dar em comparação com outra, ou também de obter coesão para fazer determinada ação.

Se a burguesia conseguir unir os setores em apoio ao golpe militar e observar que os custos dele são sustentáveis, eles vão embarcar por aí. Tudo vai depender da alternativa.

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