Agressão contra a Argentina
O “mal menor” do imperialismo agiu contra a soberania argentina, manobrando para tornar o apoio ao imperialismo inglês palatável aos americanos, alterando uma política centenária
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President-elect Joe Biden gestures to supporters Saturday, Nov. 7, 2020, in Wilmington, Del. 
Credito: Andrew Harnik/AP/Glow Images
Democrata foi peça fundamental em uma articulação que traiu um acordo continental de defesa mútua | Foto: Reprodução

Neste 5º artigo da série sobre o alinhamento histórico de Joe Biden com o setor mais belicoso do imperialismo americano, destacamos o apoio decisivo do então senador dos EUA à retomada das Malvinas argentinas pelo governo britânico.

A disputa por três pequenas ilhas, de grande valor estratégico para os países do continente sul-americano, desencadeou um conflito militar assimétrico, que massacrou, entre 2 de abril e 14 de julho de 1982, pelo menos 649 soldados e 3 civis argentinos, combatendo em condições muito desproporcionais.

Nas palavras do “democrata” Joe, ditas em uma entrevista televisiva de 1982, na qual reportava as deliberações do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, junto ao então Secretário de Estado, Alexander Haig: “É claro que o agressor é a Argentina e é claro que a Inglaterra tem razão, e deveria ser claro para todo mundo que apoia os EUA.”

A Argentina, sendo país membro da Organização dos Estados Americanos (OEA), possuía o status de “aliada estratégica”, o que foi estabelecido por meio do Tratado Interamericano de Defesa Recíproca (TIAR) – ou Tratado do Rio (1948). Por meio deste tratado, vigora no continente americano (ao menos em tese) uma política de defesa militar mútua dos países signatários, tendo a OEA como depositária do acordo.

No entanto, com a crise aberta pela Guerra das Malvinas, a OEA – também chamada de “Ministério das Colônias dos Estados Unidos” por Fidel Castro – foi politicamente atropelada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). E no centro da articulação para levar adiante tal política, louca na aparência mas de forma alguma ingênua, encontrava-se Joe Biden.

Obviamente, o acordo visa impor um papel de polícia continental aos EUA, contra a concorrência do imperialismo europeu no continente, agravado porém pela Guerra Fria.

Desdobramento da Doutrina Monroe, o TIAR estabelecia que a agressão contra qualquer Estado americano membro do acordo seria considerada como dirigida contra todos os signatários, devendo ser respondida por todos os envolvidos.

Acrescentado a isto, em meio às lutas para conter os movimentos populares contra a exploração imperialista, o TIAR estaria na essência das políticas de intervenção do imperialismo americano nos países da América Latina, levando à criação de ditaduras em todo o continente, incluindo a da Argentina.

Contrariando a política estabelecida pelos próprios americanos, de defender uma “América para os americanos” e sua “zona de influência natural”, articuladas desde 1820 pela Doutrina Monroe e reiteradas constantemente, os próprios americanos traíram o acordo quando este interessava ao nacionalismo argentino.

Sob o pretexto apresentado por Biden, de que a Argentina era a agressora e não deveria ser apoiada, os EUA não apenas traíram o acordo como atuaram abertamente em favor do imperialismo britânico, inclusive pressionando outras nações sul-americanas (caso do Chile, que cedeu portos à marinha inglesa) a colocar-se contra o acordo e tomar partido dos ingleses.

Joe Biden foi mais do que o relações públicas do apoio à Inglaterra, sendo fundamental nesse processo, tanto pelas declarações públicas dadas para tornar a política aceita nos EUA mas principalmente na articulação da política imperialista, que impediu a Argentina de retomar o controle sobre o território perdido para os ingleses e ainda submetendo o povo argentino a uma humilhação histórica.

De fato, uma guerra de agressão imperialista para conquistar as Malvinas foi lançada sobre o território argentino de modo brutal, humilhante, violando, flagrantemente, a Convenção de Genebra e os protocolos de guerra estabelecidos no direito internacional.

Mobilizados por uma ditadura a reboque dos próprios EUA – contra os quais ela forjou um conflito de propaganda, em nome de uma guerra legítima mas inviável sob as condições do país à época- os argentinos foram, por um lado, abandonados pelo comando militar de seu país e, por outro, barbaramente bombardeados pelo imperialismo inglês, enquanto morriam de frio e de fome, sem armas, munições ou mantimentos.

Apesar da responsabilidade da Junta Militar, encabeçada por Leopoldo Galtieri, ditador que precipitou o conflito com vistas a se legitimar pelo ufanismo militar e supostamente nacionalista e a encobrir a crise, econômica e política, gerada pelo regime de privilégios militares e tortura do povo – o caso é de flagrante ataque ao direito internacional e à soberania da Argentina, além de atestar o controle militar extraterritorial dos mares e oceanos como fator crucial do patrulhamento global, que impõe, até os dias de hoje, a “globalização” neoliberal, odiada pelos povos do mundo todo.

O saldo político da Guerra das Malvinas foi a desmoralização e o fim da ditadura na Argentina, e a reeleição da Dama de Ferro, Margaret Thatcher, na Inglaterra. Além, é claro, do próprio Biden, já demonstrando sua habilidade ao manobrar para defender os interesses do setor mais poderoso da burguesia americana.

Com a vitória dos dois últimos, a nascente política neoliberal terminaria ganhando um forte impulso, o que se traduziu em décadas de ataques contra as condições de vida do proletariado em escala global. Os mares do Atlântico Sul continuaram sob controle do imperialismo britânico, com os americanos de sócios ocultos, usufruindo das bases inglesas sem o custo político dessa posse.

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